2.5.13

O monstro (ou o peixe) precisa de amigos

 É um admirável oceano novo onde sou pato e não peixe. Aproveito e exploro até ao tutano o pouco / os poucos que conheço, porque são poucos e bons. Como as oportunidades são poucas a exigência é grande e raramente falho pontaria. 
Mas não quero ser pau de cabeleira de tubarões, quero tornar-me, não um deles, mas parte deles, familiar ao seu mundo. É dificil arranjar metáfora com peixes que se adapte a esta minha posição, o António Vieira esgotou-as todas, malandro.
O entusiasmo é tão grande que tenho uma constante sensação de estar perto de roçar o ridículo.

Mas falemos de Peixe. Não é grande o testemunho que posso aqui deixar, mas é franco, apaixonado (strong word?) e acredito que possa servir de referência para alguns, principalmente para os que dúvidam do verdadeiro valor da experiência, comparativamente ao que tem de pagar porque, sejamos honestos, só a entrada pode já fazer moça nos magros bolsos de muitos. Vale a pena? Venham informados, preparados, procurem saber se não sabem, aproveitem bem e valerá cada cêntimo. Se não, não prometo nada. E venham acompanhados, para partilhar.

Foram dois dias, um e 1/4 para ser mais exacta, mas que me encheram por completo as medidas. Surpreendente a cada instante. Saberes e sabores, texturas, pessoas, ambientes. Foi inspirador e só espero aproveitar a onda enquanto se mantém alta. Foram quatro degustações, um showcooking com o the one and only Tomoaki, muitas primeiras vezes, duas harmonizações de vinhos da José Maria da Fonseca com dois chefs de veneração que puseram um sorriso absolutamente franco na cara e que de lá não saiu durante o tempo inteiro e mais além: de volta no comboio, admito a hipótese de ter aparentado vestigios de insanidade.
A primeira harmonização foi com o grande Mestre André, não o da Loja mas o da Taberna da Rua das Flores. Tivesse eu um restaurante e seria como o dele. Quatro pratos, quatro vinhos. Frescura e diversão no palato do início ao fim. 
No geral, o chef salientou a importância de, em cada prato, criar uma relação lógica, de natureza, entre o prato e o vinho. O humor do chef é transversal a tudo o que diz, faz, como faz e é cativante ver esse humor balançado com um brio, atenção e profissionalismo pelo que decide cozinhar, pelo modo como o faz e pelos alimentos que escolhe. Um designer de corpo inteiro.


Comecei pelo melhor: a Ostra Maria. A minha primeira vez com ostras. Acompanhado com um Roxo Rosé, as ostras são do Sado - o mesmo terroir do vinho (a tal relação), servidas numa taça de espuma de funcho, coentros e soda de água de tomate. Foi fantástico. Agora sim sei a que se referem os que falam do sabor a mar das ostras, contrabalançado com a frescura da espuma que lembra o nosso gaspacho. É beber / comer (porque se come as ostras com colher e se bebe a espuma) e ser transportada para o meu universo idílico estival.
Seguiu-se o Tiradito, nome influenciado pela comida de rua chilena. Acompanhado de Verdelho (not so good) A corvina (!) foi fumada em cataplana no carvalho das castas do vinho, servida sobre algas marinadas e molho djang, um agri-doce distinto coreano.
O Chipiron, denominado sob os udon noodles que o compõem, foram um 3º prato muito bem "metido". De sabores suaves e frescos, a massa foi envolvida na tinta de chocos e coentros, acompanhada com umas lulas tenras, quase cruas para conservar a humidade, salteadas com azeite e alho. Só não gostei tanto do vinho de 204 castas, que tanto que tinha, pouco me pareceu realmente ter.
Para fechar André deliciou-nos com uns Rojões de Cação com Amêijoas, que são nada menos que a melhor versão de Carne de Porco à Alentejana que comi. Capaz de converter qualquer purista de comida alentejana e/ou de carne de porco e/ou deste prato específico, o cação substitui a carne, sendo apenas salteado num pouco de banha e com os restantes temperos típicos do prato e as incontornáveis amêijoas, acompanhado por doces quadrados de batata-doce e mandioca fritos, finalizados com a pièce de resistance que é a ova de polvo seca ralada - "uma força do mar" parafraseando e subscrevendo o chef. O vinho a acompanhar foi o Qta de Camarate Branco Doce, de todos o meu preferido. No fim de tudo, não fosse a pouca vergonha da minha veia alentejana gulosa, pedi pão para "limpar" o prato. E pão veio para todos. Não tem de quê.

Next on the line, o grande Tomo e os seus peixes.
O cenário era entusiasmante, onde o bizarro cruza o exótico e o familiar, e peixes enormes (para mim) não identificáveis com objectos estranhos aparentemente atravessados na goela convivem lado a lado com outro mais conhecido pargo, ouriços do mar, flores, um simpático barquinho oriental para compor o cenário, flores, folhas e umas tangerinas encore que marcavam a presença da Quinta do Poial, que de resto foi a fornecedora oficial de quase tudo o que veio da Terra para os pratos do Tomo. E quando digo quase tudo refiro-me inclusive à palha de trigo usada para brasear um peixe galo. Se há chef que sei que iria ser sublime num evento como o Cook it Raw é o Tomoaki. Ele é ouriços do mar recheados com uma mistura de esperma de peixe e miso, ovas de ouriço e merengue, é geleia de miolo de navalheira servida dentro da casca inteira de uma tangerina, é o tal peixe galo envolto numa alga com arroz, fermentado, braseado e servido sobre um sorvete de azeda, com uma tempura de alho-francês e as pequenas folhas de wasabi e mizuna e a finalizar um rolo de fígado de tamboril, preparado à semelhança de foi gras mas embebido em água do mar em vez de leite, enrolado com erva chinesa (not sure what was that…) e alho aromático. 
No meio daquele pequeno show, porque foi realmente o show, Tomo falou-nos da importância enorme que os vegetais tem na cozinha japonesa - pessoalmente não sei se acredito que sejam mais importantes que o peixe, tal como ele disse, mas são certamente o elemento que pode elevar o estatuto a qualquer prato. Falou-nos do nosso peixe que é o melhor, sim, mas sacrilegamente manejados. Falou-nos dos ritmos e rituais da cozinha japonesa, dos meses de preparação e minutos de finalização, da importância do saber manejar uma faca e da repulsa à máquina por causa da forma como esta afecta os sabores e falou-nos também da importância do conhecimento das bases de qualquer gastronomia tradicional para depois poder aplicar essa técnica e mantê-la eternamente, ainda que com utensílios diferentes.

A segunda harmonização com o Paulo Morais foi encantadora. Sim, encantadora é a palavra. Porque o senhor, grande senhor, é encantador por muitas vezes desarmou-me completamente. Tendo a ser uma pessoa de gostos extremos no que diz respeito à comida, e se há coisa tão boa do que comer uma coisa familiar e saber exactamente àquilo que estamos à espera, é comer algo absolutamente inesperado. Algo que não me entregue os ingredientes de bandeja, algo de sabor único, paradoxalmente vivo e presente mas suave.
O Verdelho a abrir o repasto, acompanhou a Caldeirada que Paulo Morais serviu como primeiro prato foi a solução encontrada para não repetir "a grande caldeirada" que fez no primeiro PEL em que o Umai participou. O peixe foi finamente fatiado e colocado directamente no prato de servir, coberto depois pelo caldo a escaldar, onde acabou por cozer. Francamente boa, com o toque invariavelmente oriental da gengibre e da lúcia-lima e os sabores tipicos do tomate, pimento e coentros bem presentes. O pormenor da batata palha não é de todo de menosprezar, gostei do crocante. :)
O prato que se seguiu foi o Sporting, que me fez gostar ainda mais dele, e é nada menos que um California Maki desconstruído. Acompanhado por um Roxo Rosé, o prato era constituido por dois exemplares típicos do Maki, ladeados por uma versão com o arroz triturado no sifão e transformado em espuma sobre uma tempura de camarão com polme de alga nori e uma base de gelatina de pepino, abacate e alface, tudo com o ar "de sua graça" de wasabi com sumo de lima. Muito bom, principalmente a tempura e o ar, mas no meio do que já foi e do que vinha a seguir, não foi de todo o meu preferido. Gostei acima de tudo da ideia de desconstruir e das soluções encontradas. É a veia de design ali a pulsar.
O terceiro prato, ainda que prato não seja a palavra mais apropriada, desarmou-me completamente. Não tivesse comido mais nada de jeito no PEL e teria valido a pena por isto. Dentro de uma latinha dourada eis que dois pequenos macarrons verdes surgem do seu interior. A descrição do macarron, merengue de alga nori e recheio de fígado de tamboril, pouco espanta os presentes e tampouco a mim me encantou a perspectiva, que de macarrons sou pouco apreciadora. Mas quando se leva a boa a visão é outra. São as  três sensações do gosto que Savarin a passarem plenamente pela minha boca. O toque directo das duas texturas a quebrarem-se, misturarem-se e tocarem nos meus dentes e lingua e céu da boca. O gosto completo do leve e doce sabor do merengue a falar e a deixar-se envolver no creme ligeiramente salgado e incisivo do fígado de tamboril. E a confirmação de tudo no fim, a reflexão que leva à dilatação da pupila e a sons contidos por decoro e interjeições religiosas. Para melhorar, a acompanhar foi servido o melhor vinho de todos, um Quinta de Camarate Branco Doce. O mais curioso é que tinha também sido o meu preferido na harmonização anterior, sem que me apercebesse que era o mesmo desta vez.
De seguida veio uma fusão de muitas coisas boas: triologia de pão naan recheado com conservas: a primeira de cavala e kimchi, seguida da de salmão selvagem, miso e gordura de pato, e a terceira de bacalhau negro. Tudo com um molho de gemas, outra coisa que não consigo ler nos meus apontamentos, mirin e alho-francês e sweet chilli on the other side.
At last, but obviously not least, a sobremesa. Estava com algum medo do que de lá vinha. A sobremesa é aquele prato que queremos que nos faça feliz, mais não seja por ser o último. Não querendo exagerar, não há nada pior numa refeição que terminá-la com uma má sobremesa. Mas esta foi surpreendentemente surpreendente, passo a redundância. Achei incrível como todos os elementos, ainda que comidos em conjunto, se conseguiam destacar e distinguir na perfeição, sem que nenhum anulasse outro. O toque de gengibre no brownie que cobria o fundo da taça era claramente perceptível (o melhor brownie que já comi), a textura e intensidade eram as ideais e o sabor infalível. Depois o coulis e os pedaçinhos de morango vieram, literalmente, animar (como quem diz dar vida) aos sabores, mas simultaneamente tocados leve, levemente, como quem chama por eles (desculpem, mas isto realmente inspira) pela espuma de moscatel. Tudo finalizado com o crocante bem encaixado da touille de sementes de sésamo. Curiosamente só achei que estava uma coisa a mais: a bebida. Mais curioso ainda ser essa bebida um Moscatel, a minha bebida de eleição, este de Setubal, Colecção Privada DSF. Era doce demais, não senti que acrescentasse algo ao doce. Ainda assim, sublime.

Depois foram, obviamente, as degustações pela praça do Pátio da Galé.
A famosa Avelã3 do Avillez, com aquelas matreiras pedrinhas de sal a intensificar todo o sabor da avelã, very nice indeed.
O famoso prego de atum da Taberna da Esquina. Se os olhos comessem não escolheriam aquilo, decerto, mas é realmente bom. O molho do prego estava exactamente como se quer e a carne do atum no ponto.
A sobremesa do Assinatura… aqui evoco a 5ª emenda.
E as vieiras (outra primeira vez!) marinadas com guacamole do Avillez. Boas, mas não serviram nem como amuse bouche… queria mais, mas ao mesmo tempo é ridículo pensar que alguma vez comeria tipo 20 coisas daquelas numa refeição.

Peixes, vemo-nos para o ano. Eu agora, se me dão licença, vou para Londres passar uns dias e almoçar no Nopi.
See you when I see you! :)


26.4.13

vermelho vinte verdade vida viva!

Esta é a madrugada que eu esperava
o dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen in O Nome das Coisas, 1977



Sinto estas palavras no meu âmago com o fervor de quem as viveu, de quem anseia por re-conhecer-saber-sentir aquilo que representam.

Feliz este quente 25 de sol, de cravos e liberdade.
Feliz porque existimos aqui e agora .
Feliz porque na mais velha casa de janela de madeira e vidro podemos encontrar, bem de manhazinha, a velhinha a regar as sardinheiras no parapeito da janela. Para mim, na casa onde ainda se vê flores na janela é sinal de que se acredita, ainda que seja somente acreditar na hipótese de voltar a acreditar.

E porque não, feliz este dia 25, o primeiro do ano com familia reunida à volta da mesa no nosso jardim. Cada qual com os jeitos, trejeitos, defeitos e feitios de sempre. Diferenças mil a dividir por quatro, mas de consenso total no momento cabal em que a colher toca o palato. Depois sente-se: directa, completa e por fim reflectidamente.


"Estamos na praça da Primavera..."








Fiz queijo :)


"snuggly accommodated" enough Mr. Ottolenghi?





Apesar de ter uma forte sensibilidade olfactiva e gustativa, tenho alguma dificuldade em associar ou comparar sabores e ingredientes. Há certas coisas que me remetem fortemente a algo mas não consigo dizer o quê. Tudo isto para dizer que, posso estar completamente errada e confundida com outra coisa, mas o ruibarbo assado lembra-me Nestum multifrutos. Já da primeira vez que o provei, na Quinta do Poial, tive essa sensação e tive-a hoje novamente. E é maravilhoso. Do cheiro ácido mas gostoso do seu estado cru ao resultado final tenro, envolto nos aromas da baunilha, raspa de limão e moscatel dá-se uma transformação tremenda.
Da próxima vez irei aventurar-me na sua versão salgada, eventualmente uma galette com mais coisas boas da Primavera, eventualmente ervilhas e courgette. Stay tuned.






Ruibarbo assado com Labneh adocicado
receita de Yotam Ottolenghi

Fácil, fresco, fantástico e feliz. 
O labneh é muito fácil de fazer e se não tiverem um pano de musselina ou pano de linho não há problema. Basta gaze e um escoador e fazer como menciono abaixo. A maneira como descrevo está invariavelmente ligada ao método que utilizei, mas se tiverem um pano de linho ou musselina podem clicar no link e seguir os passos da receita original. O resultado final é muito muito bom: muito mais denso que natas batidas, o que é o que se quer porque é parte dos componentes principais e não uma guarnição, tão espesso como queijo creme batido mas muito mais leve e mais cremoso e, obviamente, muito mais interessante que o simples iogurte grego porque e menos húmido e mais compacto. Se não tiverem curiosidade ou paciência para fazer o queijo obviamente que o iogurte grego é sempre uma alternativa, principalmente se se quer transformar esta sobremesa num pequeno-almoço auto-generoso.

800g de iogurte natural
80g de açúcar em pó
sal

400g de ruibarbo
100ml de moscatel
70g de açúcar
1/2 vagem de baunilha
casca de um limão, metade cortada em tiras fininhas (cerca de 2mm e espessura), metade ralada

20g de pistáchios, grosseiramente picados


Colocar uma peneira sobre um recipiente relativamente fundo (vejam a imagem). Utilizar cerca de 5 compressas de gaze normais para cobrir a peneira por igual, deixando as pontas de fora, de forma a que fique uma "malha de rede" bastante fina.
Colocar o iogurte numa tigela com o açúcar em pó e 1/4 c.chá de sal. Misturar bem e verter sobre a peneira. Cobrir com as pontas da gase, colocar uma última sobre tudo, pressionar ligeiramente e cobrir com um prato de sobremesa, para que mantenha uma ligeira pressão.
Colocar no frigorífico e deixar o líquido escorrer de um dia para o outro.

Pré-aquecer o forno a 180ºC.
Lavar e cortar o ruibarbo em batonetes de 6cm.
Colocar o ruibarbo numa travessa de forno onde caibam confortavelmente e envolver com o moscatel, o açúcar, a vagem e as sementes de baunilha e as tiras de limão.
Levar ao forno, a descoberto, durante 20 minutos, até o ruibarbo ficar tenro mas não mole. Reservar.

Antes, passar a mão por baixo da peneira para retirar qualquer soro que ainda possa ter do iogurte.
Retirar a gaze cuidadosamente e colocar numa tigela e misturar com a raspa de limão.
Colocar uma colherada generosa de labneh em cada prato, cobrir com o ruibarbo e o xarope que resultou da sua cozedura e finalizar com os pistáchios.


serve 4



a ouvir: A noite passada - Sérgio Godinho





23.4.13

Só, com pão


Adoro o facto de todos os dias poder levar comida que possa aquecer para o trabalho, prepará-la, temperar e juntar ervas frescas picadas na horas e por vezes tentar a minha sorte e cozinhar coisas sem fogão, apenas com a ajuda de uma chaleira eléctrica, um micro-ondas, uma taça larga e um jeitinho de mãos  - ovo escalfado e ovos mexidos - checked.
No entanto, se há coisa que sinto falta dos meus idos tempos e refeições des-reguladas de faculdade, que ainda nem há um ano foi, é ter a possibilidade de ocasionalmente almoçar em casa e poder fazer coisas com pão tostado e comidas na hora - sejam elas bruschettas, torricados, tostas, tartines, pseudo-pizzas, and so on. Adoro refeições com pão. A fórmula é sempre simples, incluindo na sua maioria das vezes a minha fiel frigideira, objecto maravilhoso que me serve para dourar o pão e para saltear as coisas boas que acabavam em cima do dito cujo, não sem que um ou outro pedaço fosse parar directamente à minha boca.

Mas deixem, hei-de comprar uma torradeira para o pessoal. Pão torrado já não faltará.

Depois há dias como este. Belos, belos dias em que, não descurando as melhores das companhias, quero estar só, só com o Sol, só a gata, só o dolce fare niente das horas perdidas com uma fatia de pão tostado coberta de coisas boas na mão, comendo-a com a maior graciosidade possível sem, no entanto, dar grande importância a isso porque, afinal de contas, estou só.


Tartine de queijo de cabra e cebolo

Quando estamos em época das coisas, não me farto de as comprar e comer e comprar novamente e comer. É assim com os tomates, com os morangos, os pêssegos, as melancias, as couves e os grelos, os cebolos (que devo dizer, não fariam parte desta lista se não fosse a Mª José) and so on.  Se fosse uma blogger disciplinada provavelmente já teria posto aqui uma data de fotos das experiências que já tenho feito com estes meninos, que são nem alho, nem cebola ou cebolinho. Tem sido envolto em pasta, picado com coentros, limão, molho de soja e óleo e sementes de sésamo sobre mizuna e um tenro lombo de salmão, finalizando um salteado de arroz, caju, milho e topinambo da maravilhosa Heidi, estufados com cogumelos, sumo de maçã, azeite e vinagre de arroz acompanhados com uns ovos mexidos cremosos...

Para já fica esta brincadeira, em que coloquei meia dúzia deles grelhados na chapa a lume forte com um fio de azeite, colocados sobre uma fatia de pão alentejano, combinados com o maravilhoso particular sabor do queijo de cabra fresco (português, não o chèvre) e com uma nota cítrica da raspa de uma das últimas laranjas da minha avó.


a ouvir: The Modern Age - The Strokes

21.4.13

Estou viva, sim.

A escrever sobre Peixe e a deliciar-me com o cheiro das alcachofras a cozer.


a ouvir: Subúrbio - Chico Buarque

11.4.13

Couves e pragmatismos - take #1


No sábado foi assim. Pouco me resta dizer a não ser um grande Obrigada. Mal posso esperar por mais.

No Sábado estarei pelo Príncipe Real, distribuíndo cartões e eventualmente umas amostras.


~


Como disse, para mim os últimos tempos não estão para ser pensados. Apenas para ser feitos, devendo-se isso à rentabilidade das horas dos dias e à necessidade de manutenção de algum método e qualidade nas pequenas coisas, que afinal de contas, acabam por ser quase todas, ou como dizia Miguel Torga, pequenos nadas.

Já é ditado popular que em tempos de aperto é quando a mente mais cria. Por aqui, o meu cérebro é como uma máquina que pretende optimizar a sua produção, não em quantidade, mas numa lógica de qualidade, desenvolvendo mecanismos próprios para eliminar o excedente e rentabilizar o restante para que tudo funcione na sua melhor condição, só ou acompanhado. A isso, por fim, alia-se o crescimento de uma consciência maior, mais crítica, exigente e mais clara da sua função sobre as minhas decisões.

Tempos de pragmatismo.

Sinto-me poeta e inspirada. Sinto-me com ganas de fazer uma revolução (a minha). Sinto-me com o combustível cheio, pronta a dar tudo de mim a quem o pedir e merecer.

Vontade de ofegar, correr, cansar e sentir o mar e a maresia. E o cheiro da Terra.
Estou sedenta para o que há-de vir.

Apesar de estar com uma constipação absolutamente miserável.


Comidas rápidas, assim. Com pouco se faz tanto.

Esta coisa é tão simples e tão boa e tão simples e tão boa.
Os sabores fortes da couve e do gruyère combinam na perfeição com a doçura da manjerona e com a suavidade e cremosidade do ovo, que envolve tudo. O couscous é perfeito para absorver os sabores do salteado. A mistura de pimentas, ao contrário da pimenta preta, dá um aroma mais perfumado ao prato que me agrada imenso. E já mencionei que o gruyère combina na perfeição? Não é neutro que mal se note o sabor, nem demasiado forte que se sobreponha a tudo, nem demasiado salgado. E faz-se tudo em  10 minutos.



Couscous com couves-de-sabóia-de-olhos-repolhudos (aka -de-bruxelas, incrível o que se aprende no dicionário) e gruyère
Abaixo explico como escalfar o ovo na panela, mas na verdade, como trouxe isto para o trabalho fervi água na chaleira eléctrica, botei numa tigela e completei o resto do processo. É meio tosco, mas funciona. :)
Eu adore nozes, e só não adicionei aqui porque não calhou. Da próxima vou também experimentar substituir o queijo e a manjerona por za'atar e um queijo de cabra fresco ou halloumi.

60g de couscous
1 c.sopa de azeite
1/2 cebola, laminada
15g de gruyère fresco, ralado
1 ovo
1 c.chá de manjerona fresca, picada
1/2 c.chá de sal grosso
1/3 c.chá de mistura de pimentas, moída de fresco
12 pequenas couves-de-sabóia-de-olhos-repolhudos, cortadas ao meio
azeite, flor de sal, pimenta e manjerona, para finalizar

Cozinhar o couscous conforme as indicações da embalagem. Reservar.
Aquecer bem o azeite numa pequena frigideira em lume alto. Adicionar as couves e a cebola, sal, pimenta e metade da manjerona.
Saltear em lume forte até começarem a ganhar uma boa cor e apagar o lume.
Entretanto escalfar o ovo. Colocar uma panela de água a ferver, sem borbulhar, adicionar uma colher de vinagre, fazer um remoinho com uma colher e adicionar o ovo cuidadosamente. Deixar cozer durante 2-3 minutos, dependendo do tamanho do ovo, retirar com uma espátula e colocar sobre papel absorvente para tirar a maioria da água.
Colocar o couscous num prato, e o salteado das couves sobre o couscous.
Finalizar com o ovo por cima, o queijo, um fio de azeite, uma pedras de flor de sal e um pouco mais de pimenta sobre o ovo e o resto da manjerona. Servir quente.

serve 1


a ouvir: Ffunny Ffriends - Unknown Mortal Orchestra


31.3.13

Águas de Março

Finalmente voltei a correr na semana passada, no único dia que as nuvens deram tréguas ao Sol, pelo menos que me tenha sido possível ver. A mesma sensação de liberdade, de corpo e de pensamentos. O mesmo meritório cansaço.

"A chuva recomeçou a cair, faz sobre os telhados um rumor como de areia peneirada, entorpecente, hipnótico..."

Estou desiludida com a Primavera, já o disse naquele enorme diário impessoal que é o Facebook, uma semana já passou e ainda nada. Uma pessoa que se avie como puder. O ar está húmido e sujo, parece que a fazer birra ou como se não nos quisesse deixar mal habituados.
Para mim os tempos não estão para ser pensados, apenas para serem feitos. Será pragmatismo, convicção, risco... Ou é ou não é e quase nenhuma decisão tomada tem os seus resultados imediatos. Com elas vêm invariavelmente o q.b de incerteza. Essa é a beleza da antecipação. Enquanto está no mundo do potencial, tudo é possível. Mas é também a sua maldição, pois é apanhar-me num dia mau e é como encontrar uma fibra de uma corda a partir-se para que tudo entre no risco iminente de se desfazer. É verdade. Não gosto da sensação de coisas pendentes, principalmente das que me incluem e sobre as quais não controlo os seus desfechos.

Ainda não consegui desvendar o tempo, por me parecer rápido e lento ao mesmo tempo. Talvez não seja nada disso. Talvez pertença a uma categoria própria e seja realmente aquilo que parece.

"Meditam-se estas contradições enquanto se vai subindo a Rua do Alecrim, pelas calhas dos eléctricos ainda correm regueirinhos de água, o mundo não consegue estar quieto, é o vento que sopra, são as nuvens que voam, da chuva nem se fala, tanta tem sido."


excertos retirados de O Ano da Morte de Ricardo Reis, José Saramago)


É com muito prazer que anuncio que as minhas barras vão finalmente sair à rua. Dia 6 venham até à Feira das Almas e aproveitem para nos conhecer, ganhar energia depois de uma jornada pela feira, ou precisamente para se providenciarem antes de darem uma volta pela dita.
FYI o bolo de courgette também vai lá estar.

Vou estar no Peixe em Lisboa, evento ideal para "gourmets amadores", como tão bem designa a éspecie uma amiga. Não vale a pena estar a apontar para X ou Y quando só conheço T e muito pouco mais, por isso receio não ser grande comendadora do evento. Mas para ficar um pouco mais próximo de o ser é que vou. E para absorver tudo (no cérebro e na barriga!) o mais que puder, claro. De 4 a 14 de Abril, aceito SEMPRE mais companhia.

E voltei a escrever no DOP, porque realmente à coisas neste admirável mundo velho da alimentação que preciso de registar num lugar próprio, onde possa desenvolver e tentar compreendê-las.

E por fim, um pedido: vejo o acesso ao blog a ser cada mês maior. Não sejam tão tímidos. Digam coisas, eu gosto muito de ouvir. :)


Now, the food.
Esta salada não condiz com estes dias. Às vezes sabe bem a comida de tacho, o quente, o fumo, o conforto numa tigela, quiçá sobre forma liquida. Outras vezes não. Outras vezes precisa-se de diversidade, energia, vibrante, quente e frio e sabor distinto em cada pedaço, doce-ácido-salgado-amargo.
Fui ao mercado e comprei ovas de pescada porque era Domingo e pouco mais restava. Feias sim, mas nada que me intimidasse. Se não gostasse, arranjaria maneira de as tornar aprazíveis. Gosto da sua textura, absorve bem o que a ela se juntar. O sabor é de pescada. A construção do prato foi rápida e sucinta, sendo que a batata doce foi logo o parceiro eleito, seguindo-se a laranja, o vinagre, o azeite, sal e pimenta, orégãos e muito cebolinho.


Salada morna de ovas e batata doce
O tempo de cozedura da batata varia consoante a sua espessura. Cozam até que dê para enfiar o garfo até ao centro mas que se sinta alguma pressão. Tentem arranjar uma laranja que não tenha uma polpa demasiado frágil, ou será dificil de a fatiar. As ovas, podem sempre fritá-las. Pode saber melhor sim, mas não tão saudável.

6 ovas médias
1 batata doce média
1 laranja, cortada às rodelas de 0,5cm
2 c.sopa de vinagre de vinho branco
2 c.sopa de azeite
1 c.chá de sal fino
2 c.chá de pimenta preta moída, fresca
2 ou 3 cebolinhas
2 c.chá de orégãos (opcional)

Limpar as ovas, colocá-las numa panela com água e sal, levantar fervura e deixar cozer cerca de 6/7 minutos, ou mais se forem grandes. Escoar e reservar tapadas.
Lavar a batata doce e cozê-la em água com sal. Retirar, deixar que arrefeça um pouco e fatiar em rodelas com cerca de 0,5 cm de espessura.
Num pequeno frasco, juntar o vinagre, o azeite, o sal e a pimenta e misturar bem.
Dividir as ovas, a batata e a laranja por dois pratos. Temperar cada prato com o molho anterior.
Fatiar às rodelas as cebolinhas e polvilhar sobre o prato, juntamente com os orégãos, se utilizarem, e servir de seguida.


serve 2


a ouvir: Bitch, Don’t Kill My Vibe - Kendrick Lamar

22.3.13

Um pouco mais - in motus




Não sei como começou. Pode ter sido com aquele inicio de tarde em que nos cruzámos quase quase sem que nos víssemos, olhar esse que (re)iniciou conversa e amizade.
Pode, no entanto, ter começado no que tornou possível tal conversa, e nada mais foi que o dia em que Josefa e Amadeu decidiram colocar Catarina em colégio de alto gabarito em Sintra. Sem tal espaço educativo ou pertinente decisão, não haveria conversa iniciada.
Pode realmente ter começado no dia em que decidi enfrentar a besta (insaciável apetite) de frente, aliando-me a ela em vez de a expurgar funestamente do meu corpo, tendo baralhado e dado de novo, a maldição convertendo-se em paixão. Sem isso, bom... nada.
Pode igualmente ter começado no dia em que alguém - dois alguéns" -viram a minha cara numa oportunidade. E eu aproveitei.
Começou tudo ao mesmo tempo, ainda que em tempos diferentes, sem que eu soubesse que começava o que fosse.
Começou algo que deu origem a isto, que por sua vez é também Início. Inícios mil de quem brinca com a comida e de quem brinca com a câmara. Porque gostamos de brincar. Almas em movimento. in motus. Todos os créditos para o Tiago Maduro. Cheers amigo.

*FYI o video foi originalmente feito para um concurso para o 24kitchen.
Alguns pontos a destacar no video (queiram desculpar, falhas de estreante):
- as quantidades de quinoa e arroz são chávenas de café, não de chá.
- a salada leva feijão branco, cerca de 200g, ainda que não tenha mencionado.
- a pasta leva também cerca de 1/2 c.chá do maravilhoso bird's eye chilli da Quinta do Poial.





































a ouvir: Snow Spectrum - Seekae

14.3.13

U R G E

Tudo me urge. E eu só me lembro de Eugénio de Andrade: "É urgente... é urgente...". Urge o que deve e o que não deve e eu como personagem de BD, várias cabeças num só corpo, viradas para todas as direcções e pequenas linhas curvas horizontais simulando movimento.
Urgem as ideias que ainda não consegui que deixassem de o ser para passarem a ser algo mais, mas urgem-me também os limões disformes de um quintal das traseiras do parque, para que corra a casa buscar a máquina e registe a beleza dos seus jeitos singulares e eles com a luz brilhante do céu acabadinho de ser chovido.
Urge a vontade de compreender o que não compreendo e de dar sentido ao que compreendo mas que não cabe na minha cabeça. Urge o que quero e o que não sei se quero e o que não quero mas que tem de ser (acho eu!) e a vontade de no fim de tudo não querer absolutamente nada! Urgem os livros que comprei e que quero ler e cozinhar leeeeeenta e deliiciosamente mas que mal os consegui tirar da estante. URGEM AS LETRAS QUE SE QUEREM DELONGADAS Urge o pó acumulado a roupa na cadeira as ervas necessitadas a banheira abandonada as pernas necessitadas o ombro sofrido o Sol desesperado os filmes não vistos o croissant de chocolate da avenida dos Bons Amigos as oportunidades desenfreadas

Basta Pum Basta!



E no meio disto tudo urge-me a mente para a necessidade de compreender que nem tudo o que urge é verdadeiramente urgente.

Entre a razão e a realidade estou eu: meio corpo, coisa física, magra, metro e setenta fazendo-se sempre bem vestida contente e absolutamente sedenta de vida, cabeça a fervilhar de ideias, vidas e instantes e do que há para vir; meio alma, coisa disforme, virtual que urge por conseguir encontrar um ponto.
Um ponto...

Como uma vista panorâmica de tudo o que está cá fora e, placida e tranquilamente, decidir onde e quando vou, sabendo apenas que chegarei lá e que por isso irei sem pressas, com o tempo que for preciso.


P.S. demorei quatro dias a conseguir fazer este post.


E agora uma pausa para aprender. Este livro não é um livro de receitas. É um tratado sobre a gastronomia, and therefore, cultura israelita.
Traduzido e tudo.





Em Jerusalem, tão famoso como o peixe gelfite (http://pt.wikipedia.org/wiki/Gefilte_fish) é o chraimeh, a "rainha" de todos os pratos dos Judeus Tripolitanos (Libios). Para muitos Sefarditas, tal como o seu semelhante (o gelfite) dos Asquenazes, é uma presença obrigatória na altura do Rosh Hashanah, na Páscoa e no Shabbat. Apesar das suas diferenças - o gelfite é bege e doce, o chraimeh é vermelho, picante e de intenso sabor a especiarias - são semelhantes num elemento essencial. Em ambos os pratos o sabor do peixe é, na verdade, irrelevante, sendo apenas um mero veículo para os sabores do molho ou condimento, sejam eles suaves, fortes ou picantes. As familias tem orgulho na sua receita particular de chraimeh. Representa as verdadeiras habilidades da cozinha Tripolitana - e, com variações do tema, de outras cozinhas norte-africanas - evidentes na textura do molho, na sua cor, gosto picante e potência.

Claudia Roden fala dos Judeus de Livorno, Itália, e de um prato tradicional de um peixe inteiro cozinhado num molho doce de tomate. Os Marranos, Judeus descendentes de Portugal e Espanha que chegaram a Itália no séc. XVII, estão entre os primeiros que introduziram os tomates em Itália e, tal como muitos mercadores Judeus de Livorno que se mantiveram presentes ao longo do Mediterrâneo, de Tripoli incluidos, é mais do que provável que estas tradições culinárias tenham viajado com eles.

O chraimeh é geralmente feito com postas de Olho-de-boi, com espinha, mas pode ser preparado com qualquer tipo de peixe branco. Escolhemos o salmão porque é o peixe mais disponível em formato de posta. Robalo em posta é o ideal. Peixe branco, sem espinha, é outro compromisso aceitável.

O chraimeh é servido como entrada, morno ou a temperatura ambiente, com challa (ou outro pão branco de qualidade) para ensopar, uma fatia de limão e uma caneca de água, para amainar o calor. É facilmente re-aquecido e o molho é tão saboroso que pode duplicar perfeitamente a quantidade para ter mais molho para mergulhar o pão*. Servir com couscous ou arroz.


*façam-no, eu arrependi-me de não o ter feito.




Postas de salmão em molho chraimeh

110ml de óleo de girassol (2 c.sopa + 2 c.sopa + 50ml)
3 c.sopa de farinha simples
4 postas de salmão, cerca de 1kg
6 dentes de alho, grosseiramente picados
2 c.chá de pimentão doce
1 c.sopa de sementes de alcaravia, tostadas e moídas de fresco (se não tiverem substituam por cominhos)
1 1/2 c.copa de cominhos moídos (eu tosto e depois moo)
1/3 c.chá de pimenta caiena
1/3 c.chá de canela em pó
1 chilli verde, grosseiramente picado (utilisei 1 c.chá de pasta de bird's eye chilli)
150ml de água
3 c.sopa de polpa de tomate
2 c.chá de açúcar
1 limão, cortado em 4 + 2 c.sopa de sumo de limão
2 c.sopa de coentros, grosseiramente picados
sal e pimenta preta

pão fresco e fofo, em generosa quantidade
1/2 cháv. de arroz carolino

Aquecer 2 colheres de sopa de óleo de girassol numa frigideira grande que tenha tampa.
Colocar a farinha numa tigela funda, temperar generosamente com sal e pimenta e colocar dentro o peixe. Envolvê-lo com a farinha e sacudir o excesso. Levar à frigideira quente a lume alto durante 1-2 minutos em cada lado, até ficarem dourados. Remover o peixe e limpar a frigideira com papel de cozinha.
Colocar o alho, as especiarias, a malagueta e 2 colheres de sopa de óleo numa picadora / processador / copo de varinha mágica e moer tudo até formar uma pasta grossa, adicionando um pouco mais de óleo se for necessário para ligar tudo.
Colocar o restante óleo na frigideira, aquecer bem e adicionar a pasta. Mexer e fritar apenas cerca de 30 segundos, para que as especiarias não queimem. Rapida mas cuidadosamente, porque pode espirrar, adicionar a água e a polpa de tomate para que as especiarias parem de cozer. Levantar fervura e adicionar o açúcar, o sumo de limão, 3/4 de colher de chá de sal e um pouco de pimenta. Provar para ajustar o tempero.
Colocar o peixe no molho, levantar fervura lentamente, tapar a frigideira e cozinhar cerca de 7-11 minutos, dependendo do tamanho do peixe, até que esteja totalmente cozido. Retirar do lume, destapar e deixar arrefecer um pouco.
Servir o peixe apenas morno ou a temperatura ambiente, polvilhado com os coentros e uma fatia de limão.

serve 4





































a ouvir: Paradise Circus - Massive Attack


23.2.13

from the heart

Comida simples, boa, que apetece.

Simples naco de vitela grelhado, uma bruta quantidade de feijão verde cozido al dente e um molho fantástico e cheio de sabores com azeite, mostarda, alho, un petit peu de limão, orégãos secos, sal e pimenta.




Poejos. Ideal para amainar a nostalgia da veia alentejana das meninas de cá de casa num dia de Inverno, aliando a vontade de criar com o que há no frigorífico. 
Massa com pescada, bacalhau e camarão com um molho feito da água da cozedura da massa e do peixe e com o caldo de uma cebola picada e um bom punhado de poejos picados, tudo refogado num bocadinho de azeite, triturado e emulsionado rapidamente com um ovo batido.




Almoço de hoje. Obrigada Pedro pela sugestão. Obrigada senhor do ECI por não me fazer sentir tão estranha em pedir 15g de um presunto de 175€/kg. 
Sandes de chapata com finas tiras de presunto ibérico Cinco Jotas Paleta Ibérica.
Valha-me deus, já gosto de presunto.


Tão estranho sair do trabalho e ter o Sol do fim do dia a bater-me bem forte na cara, acalmando o frio que ainda me entra pelas entranhas através pelos buracos do cachecol. Tão bom esse Sol.
Não é por nada, mas já tenho saudades da Primavera.



a ouvir: Come Together - The Beatles

17.2.13

Evocações de uma tarte


Hoje deixo-vos coisas. Falar-vos-ei do que me inspira, que é, agora me apercebo, nada mais do que o resultado das minhas escolhas. É como uma espiral ascendente. O que leio, quem procuro, onde escolho ir e ficar, a quem sorrio, com quem uso o meu tempo, quem escuto, a quem respondo, como respondo. Sinto mais clareza em tudo, dentro e fora de mim. A cabeça está mais eficiente. Sem inacções reprimidas resultantes de controlos excessivos, passo a redundância. Ou melhor, não passo ainda porque vem aí outra: sinto uma fé inesgotável que assenta, não no hipotético mas antes na certeza, numa forte convicção que resulta num "dar passos" interminável porque sei que vou chegar lá, onde quer que seja.

Inspiram-me, mais que tudo, pessoas que dão passos. Andam porque gostam e não porque tem de o fazer. Cheias de ideias e talento a transpirar por todos os poros, sem pressas para chegar a lugares intangíveis, medindo o alcance das suas acções bird by bird, celebrando todos os passos, seja a assinatura de uma casa, o primeiro trabalho publicado, a construção de uma porta e de um esgoto, a viagem de comboio impulsiva, o rompimento com uma rotina de três anos, a coragem para confiar em outro algo seu, a disponibilidade para ensinar, as horas mal dormidas trabalhando para o sonho de mais alguém... a lista continua.

Eu li um texto que, se por um lado não sinto necessidade de o aprofundar porque ao lê-lo já tem tudo dito, por outro tenho receio de o fazer, tal é o modo como sinto que me despe, ou despiria por completo há pouco tempo atrás. Fica aqui, bem guardado para mim e para quem igualmente possa "despir", para que eventualmente se possa cobrir novamente, com roupa nova, limpa e fresca.

Inspiram-me olhares. As melhores pessoas que conheço tem os olhos mais lindos do mundo. Olhos de criança e de poeta e cabeça de cientista, astronauta, construtor.
Há perguntas que para mim são muito dificeis de responder: qual é o meu estilo musical / literário preferido, o que é que mais gosto de comer, o que é que mais gosto de cozinhar, se prefiro branco ou preto, se gosto mais de ler ou escrever ou quem é o meu ídolo. Em grande parte tal acontece porque sou uma pessoa que não acredita em generalizações mas em contextualizações. Eu encaixo as coisas em mim e encaixo-me a mim no momento, no tempo e no espaço, de acordo com as circunstâncias. Não me agrada a ideia de definitivo. No entanto vou criando as minhas permissas e valores absolutos. Se há uma alma que diariamente me inspira a ser e a olhar é a Sophia. Este pequeno texto desta minha pequena bíblia exemplifica bem o porquê.

"Ás vezes, quando a casa estava adormecida à noite, ela dançava pela sala fora, tal qual como escreveu ("bailarina fui mas nunca bailei"). [...]
Naquela casa, aprendemos cedo duas coisas sobre a poesia. A primeira, era que os poetas eram todos ns personagens extraordinários, que apareciam a horas imprevistas e diziam coisas surpreendentes.[...] 
A segunda coisa sobre a poesia que aprendemos é que a poesia é para ser dita e para ser escutada: é oral, não cabe nos livros. [...] À mesa, entre a sopa e o prato principal, dentro de um automóvel a caminho do sul ou na missa das sete da tarde na Igreja da Graça, de repente ela começava a recitar poesia com a mesma naturalidade com que os outros falavam de coisas triviais ou respondiam em latim ao "orate, frates!" do padre. Às vezes, naquele terror que as crianças têm que os pais pareçam estranhos em público, apetecia enfiarmo-nos pelo chão abaixo quando, à mesa de um café no Chiado, ou numa loja, em plenas compras de Natal, ou caminhando connosco pela rua de mãos dadas (por vezes distraída, perdia-nos), ela começava a recitar poesia em voz alta, como se o mundo inteiro à sua volta lhe fosse de repente absolutamente alheio. Um dia, no eléctrico a caminho de casa, ela fixou-se num letreiro, por cima de uma janela, que rezava assim: "se alguma janela o incomoda, peça ao condutor que a feche." E então, no meio daquele silêncio envergonhado dos passageiros, que fingem não ver e não se ouvir uns aos outros ecoou a voz dela, clara e silabada, recitando um poema: "se alguma janela o incomoda, peça ao condutor que a feche e que nunca mais a abra."
A mim, todavia, ensinou-me o mais importante de tudo: ensinou-me a olhar. Ensinou-me a olhar para as coisas e para as pessoas, ensinou-me a olhar para o tempo, para a noite, para as manhãs. Ensinou-me a abrir os olhos no mar, debaixo de água, para perceber a consistência das rochas, das algas, da areia, de cada gota de água. Ensinou-me a olhar longamente, eternamente, cada pedra da Piazza Navone, em Roma, sentados num café, escutando o silêncio da passagem do tempo. Fez-me mergulhador e viajante, ensinou-me que só o olhar não mente e que todo o real é verdadeiro. Quem ler com atenção, verá que esta é a moral que atravessa toda a sua escrita.
A outra lição decisiva foi a da liberdade. Não só a liberdade física, não só a liberdade na luta pela justiça, "num sítio tão imperfeito como o mundo", mas ainda a liberdade na busca de um caminho próprio onde as coisas tenham uma ética e façam sentido e, acima de tudo, a liberdade da nossa própria solidão. Prémios, condecorações, homenagens, são-lhe de tal forma alheios que ninguém mais o entende. Dêem-lhe, sim, silêncio e tempo, manhãs como a "manhã da praça de Lagos" e noites com "jardins invadidos de luar". E ela dançará. Ao longo das sílabas e dos poemas, como dançava na minha infância."

Miguel Sousa Tavares




Quando me falta a coragem procuro-a por entre estas e outras palavras e assim consigo estar só quando quero e porque preciso e cuido do que é importante. Aceito o imperfeito. Vivo, traço planos, ouço música, continuo a aprender, crescem os ricos e aumenta a vontade como a velocidade crescente da água de uma nascente prestes a entrar na parte mais agreste, louca e íngreme
do caudal.



Muito quis eu escrever para acompanhar esta tarte. Queria tanto enchê-la de palavras bonitas, acabando sempre por sentir que ainda não falta algo para dizer. Mas acho que o que aqui deixo já é o suficiente. Esta tarte sou eu, hoje. É uma ode a tudo isto que me inspira. É como um trabalho de equipa, onde todos os elementos reúnem as suas maiores qualidades para resultarem numa única forma perfeita, pelo menos para a minha vontade. É apenas uma tarte, sim, mas cada vez que a fizer evocará um pequeno mundo.







it all comes down to this.







Tarte de beterraba e noz

Demorei ainda bastante tempo até decidir que esta base de tartes francesa (do género das que se utiliza para uma tarte de limão ou como base de fruta fresca e chantily) seria a ideal para acompanhar este recheio: textura de bolacha, resistente à humidade do recheio e não demasiado dura e compacta como as das tartes fundas de fruta. Não consigo explicar, mas há qualquer coisa naquela textura consistente mas quase a desfazer-se (crumbly seria o termo ideal que infelizmente não consigo encontrar semelhante na nossa língua) que a torna ideal para o seu recheio. Assim não se sobrepõe nem se abafa, complementam-se. As natas batidas estragam tudo quando são levianamente utilizadas (porquê morangos com natas???) mas podem ser a melhor coisa quando correctamente utilizadas. E o toque fresco e suave das natas batidas é como um toque leve da espuma das ondas do mar no areal. É como se fizesse uma festa com a palma da mão e abarcasse tudo em si. Poetic much? Inspired much.
É complicado dizer a relação tempo-temperatura da cozedura final da tarte, porque depende bastante da pré-cozedura da base. O importante é que essa primeira parte resulte numa massa dura mas ainda com muito pouca cor. Depois é cozer a tarte já recheada com os 180ºC como principal referência, reduzindo apenas se acharem que a base está a cozer demasiado depressa em comparação com o recheio. Nesta primeira vez fiz tudo a 160ºC durante 50 e picos minutos porque a minha base tinha já ganho mais cor do que queria na pré-cozedura, mas é simplesmente uma questão de lógica e de avaliação pontual do estado das coisas. No stress. 

Base de tartes francesa
150g farinha
90g manteiga sem sal, cortada em pedaços
1 c.sopa óleo vegetal (canola)
3 c.sopa água
1 c.sopa açúcar
1/8 c.chá sal

Recheio
1 chávena de beterraba cozida em puré
1 ovo + 1 gema, levemente batidos
125g de iogurte natural
80g de açúcar integral de cana (amarelo)
75g de nozes moídas, quase em pasta (1 cháv. de pedaços)
natas batidas, para servir (faço uma proporção de 1 volume de natas para 1/3 desse volume de açúcar)

Pré-aquecer o forno a 210ºC. Numa pequena panela, combinar a manteiga, o óleo, água, açúcar e sal.
Colocar a tigela a lume muito brando até a manteiga borbulhar e começar a acastanhar nas bordas.
Retirar do lume e verter sobre a farinha e envolver rapidamente, tendo cuidado para a manteiga não espirrar. Envolver tudo agilmente até formar uma bola que se descola das margens da tigela. Cuidado para não queimarem os dedos.
Transferir a massa para um forma para tartes de tamanho normal com base removível e espalhar um pouco com uma espátula. Pressioná-la na base com a parte da mão junto do polegar, e utilizar os dedos para pressionar os lados. Reservar uma pequena parte da massa para corrigir rachas.
Picar a massa com um garfo cerca de 10 vezes, e levar ao forno cerca de 10-12 minutos, ou até a massa ficar solidificada e ter ganho uma ligeira cor.
Remover a base do forno e, se existirem falhas na massa, corrigir com a massa reservada.
Para corrigir as rachas, pegar num pequeno pedaço de massa, rolar gentilmente entre os dedos para a amolecer e colocar sobre as falhas, suavizando gentilmente com o dedo mindinho.
Deixar a massa arrefecer antes de rechear.

Reduzir o forno para 180ºC ou 160ºC, se a base da massa tiver cozido em demasia na pré-cozedura.
Combinar a beterraba com o iogurte e o açúcar, seguido do ovo e por fim as nozes moídas, envolvendo tudo completamente antes de cada adição, para garantir que a mistura fica homogénea. Tenham especial atenção e cuidado com a adição das nozes, porque é a parte mais complicada de dissolver e de incorporar por igual na mistura.
Verter tudo para a base pré-cozida e levar ao forno cerca de 45-55 minutos, até o recheio ter solidificado e crosta ganhar um tom dourado e bem cozido. Verifiquem o estado da tarte a cerca de metade do tempo. Se a massa começar a dourar rapidamente aos 180ºC, reduzam a temperatura para os 160ºC.
Deixar arrefecer antes de servir, acompanhada de uma colherada de natas frescas batidas.


serve 8 fatias generosas



a ouvir: Boards of Canada (indiferenciado)

7.2.13

O Inverno de cinzento não tem nada.




Receio que quando tiver condições para me dirigir ao Principe Real todos os sábados de manhã não vou fazer outra coisa senão cozinhar. Hoje são moderadas as vezes que lá vou e, quando o faço, chego a casa com a carteira e as costas estoiradas - ir de Lisboa para Agualva de comboio com meia-hora e picos a pé de sacos nas mãos e aos ombros não é como estoirar a carteira com sacos da Zara ou equivalentes, ainda que nunca trocasse os últimos pelos primeiros.
É tudo lindo. A fruta, os vegetais, os produtores cheio de energia, os clientes que respiram e inspiram vitalidade, as conversas que se ouvem e os concelhos que se trocam. É belo o que se sente e as mudanças que vê quem por lá passa todo o ano: as cores das bancas a mudarem conforme o que dita a estação, os tomates a darem lugar às couves, aos nabos e às pastinacas, os pêssegos às pêras, as melancias às laranjas, o manjericão à salva, os grelos de nabo que ocupam os lugares que otrora pertenciam às alfaces, as batatas pelos rábanos e rabanetes, os pimentos do Poial que se transformam em chillis nos pequenos frascos, os morangos de Inverno ainda escondidos nos vasos da Andreia, o feijão-verde pela couve-galega e pelas bancas e caixotes todos adiante.É bonito, inspirador, dá vontade de levar tudo e inventar.

Desta vez trouxe beterrabas e nabos com rama, pastinagas, belos, belos rabanetes, couve-flor e couve-galega, beringelas, salsa e hortelã para algo que ainda não posso revelar. Os grelos tinha com fartura em casa, vindos do meu avô, e já foram todos para o arroz e clássico carapau frito do fim de semana.

Não tenho tido disponibilidade para estar na cozinha como dantes e por vezes não apetece, mas há dias em que a vontade fala mais alto. E então acrescento mais uma hora às duas que reservo para mim antes de "começar o dia" - a minha mãe diz que acha um exagero - e invisto num almoço que magnifique todas estas pérolas da estação (agora que vejo, acho que há um café ao pé da estação do Cacém que se chama assim) em todo o seu esplendor.

No Inverno é raro apanharem-me a comer saladas ou qualquer coisa directamente saída do frigorífico: sou de sopas, tigelas quentes e comida fumegante. Se puder usar só uma colher, melhor. Mas não há regra sem excepção.


Preparo tudo em casa e emprato na copa do trabalho. Nenhum trabalho, apenas amor e dedicação.



É um grande, grande prato.



É um lindo, lindo prato. Uma descoberta. As folhas da beterraba e do nabo tem um sabor suavizado das raízes, na minha opinião totalmente comestíveis crús. O crocante aroma das sementes numa garfada é sempre uma agradável surpresa. O sabor do perú dá o toque salgado e fundamental, que bem podia ser fornecido por um queijo, feta ou parmesão (se fosse com este talvez não juntasse a mostarda). A mostarda no molho é simplesmente aquela acidez para mim irresístivel, totalmente diferente dos rabanetes e por isso necessária. Uma mistura de alimentos com sabores inconfundíveis, constantemente valorizando-se uns aos outros sem nunca se anularem.
Gostava apenas de saber arriscar mais nos molhos, mas tenho de aprender ainda com os melhores.


Salada de vegetais de Inverno, com maçã, perú e sementes de abóbora e de girassol

Odeio dar quantidades certas neste tipo de receitas, onde o rigor é a última coisa que conta. Tanto as doses como os cortes dos alimentos são apenas uma referência daquilo que fiz para mim, conforme o que me apeteceu e que me pareceu equilibrado.
Devo ter feito umas seis vezes o caminho da bancada para o frigorífico e voltar, indecisa entre usar feta ou parmesão para completar a salada. Confesso que fiquei ligeiramente tonta porque estão a três passos de distância. Não deve ter sido bonito de se ver, o meu pai que o diga. Acabei por trazer o feta mas deixei-o embrulhado no papel prata que trouxe e comprei umas fatias de fiambre de perú pelo caminho, porque é para mim um bff da maçã.
Para os pobres deste mundo que não tem uma panela de cozer a vapor como eu e gostam de economizar, façam o seguinte: coloquem a couve-flor em floretes no vosso escoador de metal, coloquem por cima de uma panela grande onde estão a cozer a beterraba (desde que o escoador não toque nela) e tapem com uma tampa que cubra tudo. Depois é só deixar cozer até à consistência que vos parecer ideal.

1 molho de uma mistura de folhas e talos de beterraba e de nabo, cortadas grosseiramente
1 beterraba média, cozida, cortada em pedaços de 0,5-1cm de espessura
2 maçãs Granny Smith, cortada em fatias finas
1 c.sopa de sementes de girassol, tostadas na frigideira
1 c.sopa de sementes de abóbora, tostadas na frigideira
2 talos de aipo, picados grosseiramente
1/2 couve-flor média, dividida em floretes e cozida ao vapor
1 pastinaca, cortada em rodelas o mais finas que conseguirem
10 rabanetes e respectivas folhas, cortados em fatias finas e em quartos
6 fatias de fiambre de perú

6 c.chá de azeite
3 c.chá de mostarda
2 c.chá de orégãos
2 c.chá de sumo de limão

Misturar todos os ingredientes menos os do molho numa saladeira rasa.
Numa tigela emulsionar bem o azeite, a mostarda, os orégãos e o sumo de limão.
Cobrir a salada com o molho e finalizar com as sementes e o cebolinho picado.
Servir de imediato. Um sumo de frutos vermelhos deve ir bem com isto. :)

serve 2


a ouvir: Nothing Owed - Bonobo

31.1.13

Aviso especial à Ana e o Bom-dia que lhe dedico em jeito de Obrigada

Para a Ana, a "leitora permanente" - palavras suas - que, compõe juntamente com a quantidade esmagadora de três outros seres o agregado de visitantes assíduos deste espaço:

Quando vocês me assaltam com vagas de ternura com mensagens privadas, agradecendo, apreciando, elogiando e outros grandes verbos "grandes" de mais para aquilo que alguma vez imaginei que este blog poderia inspirar, fico desarmada. A ti, hoje especialmente, obrigada, obrigada, obrigada. Não te preocupes, isto vai continuar. A cena dos vícios é que sabem bem e custam a parar. Posto isto, até que me canse. A minha ausência ou reduzida actividade deve-se apenas ao facto de neste momento sinto que a minha vida é uma daquelas caixas surpresa, às quais devo dizer que não acho grande piada e que até acho meio assustadoras, mas neste caso totalmente entusiasmantes e absolutamente recheadas de potencial prestes a tornar-se realidade a qualquer instante. É a minha vida a começar, por fim. Sou eu a chegar ao "Agora" que responde à pergunta "Quando chega a minha vez?" colocada por mim, mais vezes do que gostaria.




pão preto da Quinoa, com queijo creme e sumo de romã: é fantástico! Adoro comer romã, mas quando se lhe são retirados todas as pevides que lhe conferem acidez transforma-se num néctar dos deuses.


É verdade, já tenho carta. Diz a sabedoria popular que algo doce antes do exame é sucesso garantido. Da primeira vez o sucesso decidiu ficar a dormir, mas decidi não agoirar e repetir a dose, com algo diferente.



Laranjas com calda de caramelo e papas de aveia + Earl Grey. 
É o Céu na Terra às 8h da manhã.



a ouvir: Radio Radar

20.1.13

Partilha, da verdadeira

"Ela devia estar lá, não devia? Devia estar ao fogão, com o seu roupão novo, pródiga de conversa simples e encorajadora. No entanto, quando abriu os olhos há minutos (já depois das 7!) - quando ainda habitava parcialmente o seu sonho, uma espécie de mecanismo trepidante, numa distância remota, um bater regular como o de um gigantesco coração mecânico, que parecia estar a aproximar-se -, e apercebeu-se da sensação abafada e húmida à sua volta, da impressão de não estar em lado algum, e soube que ia ser um dia difícil. Soube que ia ter dificuldade em acreditar em si mesma, nas divisões da sua casa, e quando olhou para este livro novo na mesa-de-cabeçeira, posto em cima do que acabara de ler a noite anterior, estendeu maquinalmente a mão para ele, como se ler fosse a única e óbvia primeira tarefa do dia, a única maneira viável de efectuar a transição do sono para o dever."





Preguiça desgraçada para voltar a enfiar-me aqui. Não sei bem por onde começar, continuar e terminar isto. Não sei bem porque o faço, mas apesar disso tenho sempre de sobra para dizer. Mas estou a fartar-me. Farto-me bastante, já o disse antes. Estou farta de formular a minha própria tese, antítese e síntese aqui, de mim para mim. E não me satisfaz mais fotografar comida, dizer o que é, como se faz e esperar um sinal, que gostem, comentem, que comam com os olhos mas não com a boca. É muitas vezes por isso que ainda o faço, porque sei que há quem me ouça. Mas isso já não chega. Não quero mais monólogos, quero também eu ouvir.

É perigoso agarrarmo-nos a um prazer com tanto empenho esperando que de alguma forma preencha os nossos vazios porque não é possível. É apenas parcial, temporário e mais tarde uma pura ilusão, porque acreditamos que ele nos preenche de tal maneira suficiente, cegando-nos, criando dependência e no fim frustração, porque não obtemos mais dele o que outrora obtivemos - precisamente como os vícios. Desde a perda da capacidade de simplificar o que tudo tem para ser simples, à exaustão e esquecimento dessas mesmas coisas simples, de ver a beleza nas pequenas pequenas descobertas prazeres que talvez merecessem vir para aqui mas não estão, como se já não fossem suficientes,como o couscous salteado com uns restos de camarão do Ano Novo, gengibre fresco, alho, azeite, malagueta e coentros. Ou como o molho de mostarda e oregãos que fiz para temperar o feijão verde e o naco fantástico de vitela que veio do restaurante. Tão bom, tão simples e auto-suficiente. É disto que o animae se devia tratar... muitas vezes já não é. Está a ficar demasiado complicado.

Mas é bom isto, de reconhecer o que está mal e perceber o que falta. Isto tem de ser fácil, simples, melhor do que quando começou. Vou baralhar e dar de novo. Primeiro porque comida é comida, trabalhos à parte. Por último porque isto sem partilha, verdadeira partilha de sentidos - de fala, toque, visão, risos, respirações, cheiros, movimentos - não vale nada. Eu preciso mais. Essa é a minha resolução do ano, ou o que quiserem chamar.


"Mesmo assim, há o sentimento de oportunidade perdida. Talvez nunca haja nada que possa igualar a recordação de terem sido jovens juntos. Talvez seja tão simples como isso. Richard foi a pessoa que Clarissa amou no seu momento mais optimista. Richard tinha estado a seu lado na beira de uma lagoa, no crepúsculo, usando jeans cortados e sandálias de borracha. Richard chamara-lhe Mrs. Dalloway e tinham-se beijado. A boca dele abrira-se na dela; a sua língua (excitante e absolutamente familiar, ela nunca esquecera) avançara cautelosamente até a dela ir ao seu encontro. Tinham-se beijado e caminhado juntos à volta da lagoa. Uma hora depois jantaram e beberam uma quantidade considerável de vinho. O exemplar de Clarissa de The Golden Notebook estava em cima da estalada mesa-de-cabeceira branca onde ela ainda dormia sozinha - onde Richard ainda não começara a passar noites alternadas.
Parecera o começo da felicidade, e às vezes, passados mais de trinta anos, ela ainda se sente chocada ao dar-se conta de que foi felicidade, de que toda a experiência se encontra num beijo e num passeio, na previsão de um jantar e de um livro. O jantar foi, entretanto esquecido; a Lessing foi há muito ofuscada por outros escritores, e até o sexo, depois de ela e Richard terem chegado a esse ponto, foi ardente, mas embaraçoso, insatisfatório, mais aprazível do que apaixonado. O que continua a viver, intacto, na memória de Clarissa, decorridas mais de três décadas, é um beijo no crepúsculo, num retalho de erva seca, e um passeio à volta de uma lagoa, enquanto zumbiam mosquitos no ar que escurecia. Ainda permanece essa perfeição singular, e é perfeição, em parte, porque pareceu, na altura, prometer tão claramente mais. Ela agora sabe: esse foi o momento, exactamente esse. Não houve nenhum outro."

As Horas, Michael Cunningham,  1998



Poderia continuar a escrever.
E ainda não sei que receita vou pôr aqui.


*update*


Porque cada coisa destas tem sempre de acabar uma receita, a verdade é que não sabia o que é que iria acompanhar todo este manifesto, toda esta ânsia para exprimir o que me vai na alma. Pensei que eventualmente seria algo que fizesse para a festa dos 50 do tigre rabugento cá de casa, ainda que sem grande entusiasmo e mais pelo sentido do dever. Coisas.

Contudo, aquilo que fiz, as circunstâncias da ocasião, não poderiam estar em maior sintonia com o propósito de todo este texto. É este o seu remate, é precisamente a isto que quero chegar, e não demorei assim tanto tempo como o Proust (desculpem, estou a ler este livro e não pude evitar de o trazer para a conversa, é fantástico). Pois aquilo que preciso é aquilo que estas receitas simbolizam: o encontro, a amizade, o amor, a partilha de sentidos e de horas felizes. Apenas assim sai validada esta "coisa" que tenho com a comida. Gratificação pessoal? Pois sim, mas esclarece tantas dúvidas. O sentimento de preenchimento e realização são espontâneos. Não obedecem nem partem da minha mente mas antes reagem simplesmente aos estímulos do que vejo, ouço e, por último, aprecio.






Vinhos, uma lacuna gastronómica por preencher: não percebo muito deles, só sei que eram bons. Tanto que me pediram para fotografar as garrafas vazias.



Porque o momento é para ser vivido e registado sem caneta, papel ou objectiva, ficam aqui os despojos deste dia. Fotografado na altura, apenas aquilo que não poderia ser adiado nem recriado. O resto ao longo da póstuma manhã.


Colaboração de mãe e filha, foram quatro as coisas que fiz: um bolo e uma sobremesa de receitas fielmente seguidas; uma entrada confeccionada ao sabor do momento, com o bom senso a ditar a forma e a função; e um prato principal, criado por moi mème que, após uma semana de algum estudo aprofundado, posso dizer que me enche de orgulho. E depois houve a sopa, creative direction by Cathe e design by Mãe, so to speak.
Minhas ou não, as quatro aqui vão.


Creme de abóbora com louro e alho refogado. Uma vez que a sopa é laranja, não há muito para ver. Já a panela é infinitamente mais interessante de fotografar e contemplar.



Entrada para agradar a gregos e troianos: bruchetta com todos (chouriço, pimento vermelho, beringela e courgette salteados em azeite com cebola picada e tomilho); sem pimento, para os de digestão sensível; e sem chouriço com um cheirinho a parmesão fresco ralado, para os menos apaixonados por carne. Simples e prático. Pão no forno até torrar, regar com um fio de azeite, esfregar loucamente com alho e cobrir com os recheio. Dar cortes individuais, prato e servir.


E agora, eis o prato principal aka orgulho de mãe: um atípico rolo de carne.


Rolo de carne com cogumelos e morcela de arroz

Passei uma semana a estudar receitas de rolo de carne, que tipo de ingredientes funcionam, as suas funções e quais os mais indicados para o efeito final que pretendia. Em refeições mais especiais tenho a tendência a adicionar um toque doce, geralmente com fruta ou frutos secos. No entanto com todos os ingredientes já definidos e de sabor marcante, nomeadamente a morcela, que escolhi para dar um sabor especial, o aipo e o tomilho-limão, as passas que considerei utilizar inicialmente não faziam mais sentido, por isso deixei-as de fora. 
Tive muito cuidado para utilizar uma quantidade equilibrada dos ingredientes, principalmente da morcela por causa do seu sabor proeminente, para que nada se perdesse ou sobrepusesse. 
É preciso ter alguma atenção ao sal. Tenho alguma dificuldade em dizer qual a quantidade que utilizei porque fiz o triplo desta receita e adicionei sal a olho. Tendo em conta que a morcela é já de si bastante salgada, creio que cerca de 1 colher de sopa cheia de sal deverá chegar para todo o rolo.
O tomilho-limão também é outra coisa que não medi. A dose indicada é apenas uma sugestão, pelo que mais vale seguirem o bom senso ou o vosso gosto.
O pão húmido confere ao rolo alguma humidade para que não fique seco e, juntamente com o ovo, ajuda a ligar tudo numa mistura consistente.
Não amassem muito a mistura para que não fique empapada. A ideia é obter um rolo bem assado, com um tom profundo tostado por fora e húmido e rosado por dentro, firme mas cujos ingredientes se identifiquem perfeitamente.

35g de pão branco velho
1 1/2 c. sopa de azeite
2 folhas de louro grandes
2 dentes de alho médios, picados
2 talos de aipo, finamente picados
1-2 cebolas doces médias, picadas
100g de cogumelos brancos, bem picados
65g de morcela de arroz, grosseiramente despedaçada com os dedos
330g de carne de vaca picada
330g de carne de porco picada
1 ovo, batido
2 c.sopa de tomilho-limão
sal (ver nota)
pimenta preta fresca, moída, a gosto

Para os cogumelos
45ml de vinho branco
azeite
sal e pimenta
tomilho-limão
300g de cogumelos portobello
3 dentes de alho, finamente picados

Colocar o pão partido grosseiramente numa tigela com leite suficiente apenas para o ensopar. Reservar.
Numa frigideira, saltear o alho, o louro e os vegetais todos no azeite, baixando o lume e tapando de seguida até suarem, ficarem totalmente moles e a maior parte do líquido libertado ter evaporado, sem escurecerem ou ganharem cor. Isto pode levar entre 5 a 10 minutos.
Passar os vegetais para um recipiente para arrefecerem um pouco. Colocar a morcela na frigideira anterior a lume médio-alto e saltear cerca de 5 minutos, até começar a libertar a sua gordura e bastante aroma.
Num recipiente bastante largo, colocar as carnes e o pão húmido, bem espremido do leite e despedaçado o mais possível. Adicionar cerca de 1/ 1,5 c.sopa de sal e pimenta a gosto e misturar bem, mas não amassar demasiado. De seguida juntar os vegetais, a morcela e o tomilho limão. Envolver bem até a mistura ficar homogénea e todos os ingredientes estarem bem misturados.

Entretanto pré-aquecer o forno a 200ºC. De volta à carne, formar a mistura num rolo com cerca de 4cm de altura e 10 cm de largura e passa-lo cuidadosamente para uma travessa de forno.
Pegar nos cogumelos portobello, já lavados, cortá-los em metade ou em quartos ou mesmo deixá-los inteiros, dependendo do tamanho, e colocá-los numa tigela com os restantes ingredientes. 
Colocar tudo à volta do rolo, finalizar com um fio de azeite e um bocadinho do vinho sobre o rolo e levar a assar cerca de 1h-1h15min, até ficar totalmente cozinhado e ter ganho uma cor intensa na superfície. (Um truque para ver se a carne está cozida é inserir uma faca dentro do rolo durante 5 segundos e verificar se está bem quente após retirar.)
Servir de imediato, acompanhado com um simples puré de batata.

serve 10-12



As laranjas, totalmente usurpadas do Nigel Slater. Foram um raio vibrante cheio de luz e energia para o palato. Creio que, apesar de tudo, foi para todos a grande surpresa da noite, e não há melhor prova que isto de que com apenas dois ingredientes, sendo um deles fruta, pode-se fazer a melhor das sobremesas. Quem diria que laranja fatiada e açúcar queimado tem tal potência? Garanto que é para mim mil vezes melhor maneira de terminar uma refeição que o melhor dos trifles, cremes variados ou pudins. Ei-las:


Laranjas com caramelo (e não laranjas caramelizadas!)

É verdade que tem apenas dois ingredientes e água, mas o segredo está na confecção. É preciso ter vontade para fazer tudo como deve de ser senão a experiência fica apenas a metade. Mas garanto que vale a pena. É preciso apenas paciência para arranjar as laranjas, concentração e muito cuidado a fazer o caramelo, porque pode espirrar e queimar. É também completamente adaptável ao número de pessoas a servir, se esquecermos a seca que é ter de arranjar 16 laranjas e esperar meia hora até ter 800g de açúcar pronto para caramelizar, como foi o meu caso.

4 laranjas
200g de açúcar

Retirar a casca e remover o máximo possível de parte branca das laranjas para não deixar qualquer travo ácido. Eu usei uma faca larga bem afiada e passei-a de rente em volta de toda a laranja já descascada, cortando a películo exterior o mais finamente possivel. Sei, acaba por ser um desperdício mas vale a pena. Reservar cerca de metade da casca de uma das laranjas.
De seguida, cortar cada laranja em 6 ou 7 rodelas finas, dependendo do tamanho da laranja. A ideia é que cada rodela fique com cerca de 0,5cm de espessura. Coloquem-as em pratos individuais com uma ligeira concavidade ou numa travessa ou um prato grande semelhante (ou algo como utilizei, vejam as fotos).
Pegar na casca reservada e novamente com a faca afiada, passar rente à casca da parte de dentro para retirar a parte branca. De seguida cortar a casca em tiras o mais finas possíveis e reservar.
Colocar o açúcar e 125ml de água fria numa panela média, levantar fervura e deixar a borbulhar lentamente até que adquira um tom de âmbar intenso. Entretanto por mais 125ml de água a ferver. Logo a seguir ao açúcar na canela ficar com o tom pretendido, colocar a panela num lava-loiça cuidadosamente, cobrir a mão com um pano ou luva de pega para a proteger e deitar lentamente os outros 125ml de água a ferver. Tenham muito cuidado com o xarope a fervilhar para não espirrar a água para a vossa pele e tentem verter a água com a cara o mais afastada possível. Mexer de imediato para dissolver qualquer pedaço sólido que se forme, colocando brevemente a panela ao lume novamente, se for preciso.
Misturar os "cabelos" da casca de laranja reservados, deixar o xarope arrefecer totalmente e verter sobre as laranjas fatiadas.

serve 4



E o bolo. Há receitas que vejo, chamam a atenção, mas perdem-se no meio de todas as outras. Há outras que vejo, chamam a atenção, mas ficam. Ainda que demore anos até pegar nelas, eu sei que vão valer a pena. Esta é uma delas.
É um bolo que me dá vontade de dizer instantâneamente que foi o melhor que já comi. As duas fatias comidas de seguida sem vergonha são a prova disso.



Bolo de Azeite e Pistáchios com Compota de Figo
receita retirada de Design Sponge - In The Kitchen With: Ming Thompson's Layer Cake

Se querem um bolo barato, esta não é definitivamente a receita a seguir. Os pistáchios custam os olhos da cara (já para não falar da hora inteira que se demora a descascá-los e a prepará-los) e a minha sorte, e provavelmente a única razão para ter feito este bolo, foi ter figos secos maravilhosos e biológicos oferecido pelo tio João. Obrigada tio, as 25 pessoas agradeceram.
Acho estranho fazer esta receita num tabuleiro de 20x20 porque eu dupliquei-a, dividi a massa por duas formas iguais dessa dimensão, e mesmo assim ficaram bolos super baixos, pelo que não sei como é possível serrar horizontalmente apenas um desses bolos para colocar o recheio, tal como a receita indica. A minha sugestão é: ou reduzem a forma do bolo para metade do tamanho (cerca e 10x20 ou semelhante) ou façam como eu e dupliquem a receita. O trabalho é duplicado e acabam com um bolo enorme, mas garanto que vale todas as migalhas e inclusive converte o mais céptico hater (procuro palavra em português) de figos. True story.
Como eu sou mesmo amiga e querida, converti as quantidades para medidas europeias para que não haja confusões. Caso queiram usar as medidas americanas (i.e chávenas e afins) é só seguir o link.

Compota de figos - recheio
30 figos secos inteiros
360ml de água
80ml de sumo de laranja
pitada de sal
1-2 c.sopa de mel, dependendo do açúcar contido nos vossos figos (os meus já tinham bastante)


Bolo
110g de pistáchios
135g. de farinha
1 ½ c.chá de fermento em pó
¼ c.chá de sal
160g de açúcar
120ml azeite virgem extra
120ml de leite
2 ovos
2 c.chá / 10ml de sumo de limão


Cobertura
55g de manteiga, à temperatura ambiente
110g de queijo-crème
425g de açúcar em pó



Compota: cortar os figos em pequenos pedaços, do tamanho de amendoíns. Cozinhar numa panela com os restantes ingredientes menos o mel até ficarem moles e a água ter evaporado, cerca de 20 minutos. Adicionar o mel e cozinhar mais um minuto. Deixar arrefecer.

Cobertura: esmagar os ingredientes todos e bater a velocidade máxima até ficar bem combinado e cremoso.

Bolo: pré-aquecer o forno a 180ºC e engordurar uma forma de 20x20 com azeite.
Triturar os pistáchios num processador até obter uma mistura de pequenas gravilhas. Remover cerca de metade e triturar o resto até se assemelhar a areia grossa.
Numa tigela, combinar os pistáchios finamente triturados com os restantes ingredientes secos. Misturar tudo e adicionar o azeite e o leite. Bater bem até ficar misturado. Adicionar os ovos e o sumo de limão e bater atécombinar. Adicionar a outra metade dos pistáchios. Verter a massa no tabuleiro e levar ao forno durante 35 minutos, ou até as bordas estrem ligeiramente acastanhadas, e o teste do palito sair limpo. Deixar arrefecer.
Cortar o bolo horizontalmente com uma faca de serra. Barrar a camada de baixo com a compota, cobrir com a outra camada e espalhar a cobertura de queijo por cima. Finalizar com figos e pistáchios adicionais.

serve 10-12





a ouvir: Tessellate - Alt-J