14.5.13

Quando a comida surpreende #1

E foi isto o melhor que comi em Londres. O pequeno-almoço no Broadway Market.

Ou pelo menos, o que melhor me soube. Isto e um hamburguer com batatar fritas com uma Heineken de 1/2 litro (aka pint) à pressão.



Bagel de queijo-creme e salmão fumado com sumo de beterraba, maçã, cenoura, gengibre e uma espremidela de limão. Glorious.


a ouvir: While You Wait for the Others - Grizzly Bear

2.5.13

O monstro (ou o peixe) precisa de amigos

 É um admirável oceano novo onde sou pato e não peixe. Aproveito e exploro até ao tutano o pouco / os poucos que conheço, porque são poucos e bons. Como as oportunidades são poucas a exigência é grande e raramente falho pontaria. 
Mas não quero ser pau de cabeleira de tubarões, quero tornar-me, não um deles, mas parte deles, familiar ao seu mundo. É dificil arranjar metáfora com peixes que se adapte a esta minha posição, o António Vieira esgotou-as todas, malandro.
O entusiasmo é tão grande que tenho uma constante sensação de estar perto de roçar o ridículo.

Mas falemos de Peixe. Não é grande o testemunho que posso aqui deixar, mas é franco, apaixonado (strong word?) e acredito que possa servir de referência para alguns, principalmente para os que dúvidam do verdadeiro valor da experiência, comparativamente ao que tem de pagar porque, sejamos honestos, só a entrada pode já fazer moça nos magros bolsos de muitos. Vale a pena? Venham informados, preparados, procurem saber se não sabem, aproveitem bem e valerá cada cêntimo. Se não, não prometo nada. E venham acompanhados, para partilhar.

Foram dois dias, um e 1/4 para ser mais exacta, mas que me encheram por completo as medidas. Surpreendente a cada instante. Saberes e sabores, texturas, pessoas, ambientes. Foi inspirador e só espero aproveitar a onda enquanto se mantém alta. Foram quatro degustações, um showcooking com o the one and only Tomoaki, muitas primeiras vezes, duas harmonizações de vinhos da José Maria da Fonseca com dois chefs de veneração que puseram um sorriso absolutamente franco na cara e que de lá não saiu durante o tempo inteiro e mais além: de volta no comboio, admito a hipótese de ter aparentado vestigios de insanidade.
A primeira harmonização foi com o grande Mestre André, não o da Loja mas o da Taberna da Rua das Flores. Tivesse eu um restaurante e seria como o dele. Quatro pratos, quatro vinhos. Frescura e diversão no palato do início ao fim. 
No geral, o chef salientou a importância de, em cada prato, criar uma relação lógica, de natureza, entre o prato e o vinho. O humor do chef é transversal a tudo o que diz, faz, como faz e é cativante ver esse humor balançado com um brio, atenção e profissionalismo pelo que decide cozinhar, pelo modo como o faz e pelos alimentos que escolhe. Um designer de corpo inteiro.


Comecei pelo melhor: a Ostra Maria. A minha primeira vez com ostras. Acompanhado com um Roxo Rosé, as ostras são do Sado - o mesmo terroir do vinho (a tal relação), servidas numa taça de espuma de funcho, coentros e soda de água de tomate. Foi fantástico. Agora sim sei a que se referem os que falam do sabor a mar das ostras, contrabalançado com a frescura da espuma que lembra o nosso gaspacho. É beber / comer (porque se come as ostras com colher e se bebe a espuma) e ser transportada para o meu universo idílico estival.
Seguiu-se o Tiradito, nome influenciado pela comida de rua chilena. Acompanhado de Verdelho (not so good) A corvina (!) foi fumada em cataplana no carvalho das castas do vinho, servida sobre algas marinadas e molho djang, um agri-doce distinto coreano.
O Chipiron, denominado sob os udon noodles que o compõem, foram um 3º prato muito bem "metido". De sabores suaves e frescos, a massa foi envolvida na tinta de chocos e coentros, acompanhada com umas lulas tenras, quase cruas para conservar a humidade, salteadas com azeite e alho. Só não gostei tanto do vinho de 204 castas, que tanto que tinha, pouco me pareceu realmente ter.
Para fechar André deliciou-nos com uns Rojões de Cação com Amêijoas, que são nada menos que a melhor versão de Carne de Porco à Alentejana que comi. Capaz de converter qualquer purista de comida alentejana e/ou de carne de porco e/ou deste prato específico, o cação substitui a carne, sendo apenas salteado num pouco de banha e com os restantes temperos típicos do prato e as incontornáveis amêijoas, acompanhado por doces quadrados de batata-doce e mandioca fritos, finalizados com a pièce de resistance que é a ova de polvo seca ralada - "uma força do mar" parafraseando e subscrevendo o chef. O vinho a acompanhar foi o Qta de Camarate Branco Doce, de todos o meu preferido. No fim de tudo, não fosse a pouca vergonha da minha veia alentejana gulosa, pedi pão para "limpar" o prato. E pão veio para todos. Não tem de quê.

Next on the line, o grande Tomo e os seus peixes.
O cenário era entusiasmante, onde o bizarro cruza o exótico e o familiar, e peixes enormes (para mim) não identificáveis com objectos estranhos aparentemente atravessados na goela convivem lado a lado com outro mais conhecido pargo, ouriços do mar, flores, um simpático barquinho oriental para compor o cenário, flores, folhas e umas tangerinas encore que marcavam a presença da Quinta do Poial, que de resto foi a fornecedora oficial de quase tudo o que veio da Terra para os pratos do Tomo. E quando digo quase tudo refiro-me inclusive à palha de trigo usada para brasear um peixe galo. Se há chef que sei que iria ser sublime num evento como o Cook it Raw é o Tomoaki. Ele é ouriços do mar recheados com uma mistura de esperma de peixe e miso, ovas de ouriço e merengue, é geleia de miolo de navalheira servida dentro da casca inteira de uma tangerina, é o tal peixe galo envolto numa alga com arroz, fermentado, braseado e servido sobre um sorvete de azeda, com uma tempura de alho-francês e as pequenas folhas de wasabi e mizuna e a finalizar um rolo de fígado de tamboril, preparado à semelhança de foi gras mas embebido em água do mar em vez de leite, enrolado com erva chinesa (not sure what was that…) e alho aromático. 
No meio daquele pequeno show, porque foi realmente o show, Tomo falou-nos da importância enorme que os vegetais tem na cozinha japonesa - pessoalmente não sei se acredito que sejam mais importantes que o peixe, tal como ele disse, mas são certamente o elemento que pode elevar o estatuto a qualquer prato. Falou-nos do nosso peixe que é o melhor, sim, mas sacrilegamente manejados. Falou-nos dos ritmos e rituais da cozinha japonesa, dos meses de preparação e minutos de finalização, da importância do saber manejar uma faca e da repulsa à máquina por causa da forma como esta afecta os sabores e falou-nos também da importância do conhecimento das bases de qualquer gastronomia tradicional para depois poder aplicar essa técnica e mantê-la eternamente, ainda que com utensílios diferentes.

A segunda harmonização com o Paulo Morais foi encantadora. Sim, encantadora é a palavra. Porque o senhor, grande senhor, é encantador por muitas vezes desarmou-me completamente. Tendo a ser uma pessoa de gostos extremos no que diz respeito à comida, e se há coisa tão boa do que comer uma coisa familiar e saber exactamente àquilo que estamos à espera, é comer algo absolutamente inesperado. Algo que não me entregue os ingredientes de bandeja, algo de sabor único, paradoxalmente vivo e presente mas suave.
O Verdelho a abrir o repasto, acompanhou a Caldeirada que Paulo Morais serviu como primeiro prato foi a solução encontrada para não repetir "a grande caldeirada" que fez no primeiro PEL em que o Umai participou. O peixe foi finamente fatiado e colocado directamente no prato de servir, coberto depois pelo caldo a escaldar, onde acabou por cozer. Francamente boa, com o toque invariavelmente oriental da gengibre e da lúcia-lima e os sabores tipicos do tomate, pimento e coentros bem presentes. O pormenor da batata palha não é de todo de menosprezar, gostei do crocante. :)
O prato que se seguiu foi o Sporting, que me fez gostar ainda mais dele, e é nada menos que um California Maki desconstruído. Acompanhado por um Roxo Rosé, o prato era constituido por dois exemplares típicos do Maki, ladeados por uma versão com o arroz triturado no sifão e transformado em espuma sobre uma tempura de camarão com polme de alga nori e uma base de gelatina de pepino, abacate e alface, tudo com o ar "de sua graça" de wasabi com sumo de lima. Muito bom, principalmente a tempura e o ar, mas no meio do que já foi e do que vinha a seguir, não foi de todo o meu preferido. Gostei acima de tudo da ideia de desconstruir e das soluções encontradas. É a veia de design ali a pulsar.
O terceiro prato, ainda que prato não seja a palavra mais apropriada, desarmou-me completamente. Não tivesse comido mais nada de jeito no PEL e teria valido a pena por isto. Dentro de uma latinha dourada eis que dois pequenos macarrons verdes surgem do seu interior. A descrição do macarron, merengue de alga nori e recheio de fígado de tamboril, pouco espanta os presentes e tampouco a mim me encantou a perspectiva, que de macarrons sou pouco apreciadora. Mas quando se leva a boa a visão é outra. São as  três sensações do gosto que Savarin a passarem plenamente pela minha boca. O toque directo das duas texturas a quebrarem-se, misturarem-se e tocarem nos meus dentes e lingua e céu da boca. O gosto completo do leve e doce sabor do merengue a falar e a deixar-se envolver no creme ligeiramente salgado e incisivo do fígado de tamboril. E a confirmação de tudo no fim, a reflexão que leva à dilatação da pupila e a sons contidos por decoro e interjeições religiosas. Para melhorar, a acompanhar foi servido o melhor vinho de todos, um Quinta de Camarate Branco Doce. O mais curioso é que tinha também sido o meu preferido na harmonização anterior, sem que me apercebesse que era o mesmo desta vez.
De seguida veio uma fusão de muitas coisas boas: triologia de pão naan recheado com conservas: a primeira de cavala e kimchi, seguida da de salmão selvagem, miso e gordura de pato, e a terceira de bacalhau negro. Tudo com um molho de gemas, outra coisa que não consigo ler nos meus apontamentos, mirin e alho-francês e sweet chilli on the other side.
At last, but obviously not least, a sobremesa. Estava com algum medo do que de lá vinha. A sobremesa é aquele prato que queremos que nos faça feliz, mais não seja por ser o último. Não querendo exagerar, não há nada pior numa refeição que terminá-la com uma má sobremesa. Mas esta foi surpreendentemente surpreendente, passo a redundância. Achei incrível como todos os elementos, ainda que comidos em conjunto, se conseguiam destacar e distinguir na perfeição, sem que nenhum anulasse outro. O toque de gengibre no brownie que cobria o fundo da taça era claramente perceptível (o melhor brownie que já comi), a textura e intensidade eram as ideais e o sabor infalível. Depois o coulis e os pedaçinhos de morango vieram, literalmente, animar (como quem diz dar vida) aos sabores, mas simultaneamente tocados leve, levemente, como quem chama por eles (desculpem, mas isto realmente inspira) pela espuma de moscatel. Tudo finalizado com o crocante bem encaixado da touille de sementes de sésamo. Curiosamente só achei que estava uma coisa a mais: a bebida. Mais curioso ainda ser essa bebida um Moscatel, a minha bebida de eleição, este de Setubal, Colecção Privada DSF. Era doce demais, não senti que acrescentasse algo ao doce. Ainda assim, sublime.

Depois foram, obviamente, as degustações pela praça do Pátio da Galé.
A famosa Avelã3 do Avillez, com aquelas matreiras pedrinhas de sal a intensificar todo o sabor da avelã, very nice indeed.
O famoso prego de atum da Taberna da Esquina. Se os olhos comessem não escolheriam aquilo, decerto, mas é realmente bom. O molho do prego estava exactamente como se quer e a carne do atum no ponto.
A sobremesa do Assinatura… aqui evoco a 5ª emenda.
E as vieiras (outra primeira vez!) marinadas com guacamole do Avillez. Boas, mas não serviram nem como amuse bouche… queria mais, mas ao mesmo tempo é ridículo pensar que alguma vez comeria tipo 20 coisas daquelas numa refeição.

Peixes, vemo-nos para o ano. Eu agora, se me dão licença, vou para Londres passar uns dias e almoçar no Nopi.
See you when I see you! :)


26.4.13

vermelho vinte verdade vida viva!

Esta é a madrugada que eu esperava
o dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen in O Nome das Coisas, 1977



Sinto estas palavras no meu âmago com o fervor de quem as viveu, de quem anseia por re-conhecer-saber-sentir aquilo que representam.

Feliz este quente 25 de sol, de cravos e liberdade.
Feliz porque existimos aqui e agora .
Feliz porque na mais velha casa de janela de madeira e vidro podemos encontrar, bem de manhazinha, a velhinha a regar as sardinheiras no parapeito da janela. Para mim, na casa onde ainda se vê flores na janela é sinal de que se acredita, ainda que seja somente acreditar na hipótese de voltar a acreditar.

E porque não, feliz este dia 25, o primeiro do ano com familia reunida à volta da mesa no nosso jardim. Cada qual com os jeitos, trejeitos, defeitos e feitios de sempre. Diferenças mil a dividir por quatro, mas de consenso total no momento cabal em que a colher toca o palato. Depois sente-se: directa, completa e por fim reflectidamente.


"Estamos na praça da Primavera..."








Fiz queijo :)


"snuggly accommodated" enough Mr. Ottolenghi?





Apesar de ter uma forte sensibilidade olfactiva e gustativa, tenho alguma dificuldade em associar ou comparar sabores e ingredientes. Há certas coisas que me remetem fortemente a algo mas não consigo dizer o quê. Tudo isto para dizer que, posso estar completamente errada e confundida com outra coisa, mas o ruibarbo assado lembra-me Nestum multifrutos. Já da primeira vez que o provei, na Quinta do Poial, tive essa sensação e tive-a hoje novamente. E é maravilhoso. Do cheiro ácido mas gostoso do seu estado cru ao resultado final tenro, envolto nos aromas da baunilha, raspa de limão e moscatel dá-se uma transformação tremenda.
Da próxima vez irei aventurar-me na sua versão salgada, eventualmente uma galette com mais coisas boas da Primavera, eventualmente ervilhas e courgette. Stay tuned.






Ruibarbo assado com Labneh adocicado
receita de Yotam Ottolenghi

Fácil, fresco, fantástico e feliz. 
O labneh é muito fácil de fazer e se não tiverem um pano de musselina ou pano de linho não há problema. Basta gaze e um escoador e fazer como menciono abaixo. A maneira como descrevo está invariavelmente ligada ao método que utilizei, mas se tiverem um pano de linho ou musselina podem clicar no link e seguir os passos da receita original. O resultado final é muito muito bom: muito mais denso que natas batidas, o que é o que se quer porque é parte dos componentes principais e não uma guarnição, tão espesso como queijo creme batido mas muito mais leve e mais cremoso e, obviamente, muito mais interessante que o simples iogurte grego porque e menos húmido e mais compacto. Se não tiverem curiosidade ou paciência para fazer o queijo obviamente que o iogurte grego é sempre uma alternativa, principalmente se se quer transformar esta sobremesa num pequeno-almoço auto-generoso.

800g de iogurte natural
80g de açúcar em pó
sal

400g de ruibarbo
100ml de moscatel
70g de açúcar
1/2 vagem de baunilha
casca de um limão, metade cortada em tiras fininhas (cerca de 2mm e espessura), metade ralada

20g de pistáchios, grosseiramente picados


Colocar uma peneira sobre um recipiente relativamente fundo (vejam a imagem). Utilizar cerca de 5 compressas de gaze normais para cobrir a peneira por igual, deixando as pontas de fora, de forma a que fique uma "malha de rede" bastante fina.
Colocar o iogurte numa tigela com o açúcar em pó e 1/4 c.chá de sal. Misturar bem e verter sobre a peneira. Cobrir com as pontas da gase, colocar uma última sobre tudo, pressionar ligeiramente e cobrir com um prato de sobremesa, para que mantenha uma ligeira pressão.
Colocar no frigorífico e deixar o líquido escorrer de um dia para o outro.

Pré-aquecer o forno a 180ºC.
Lavar e cortar o ruibarbo em batonetes de 6cm.
Colocar o ruibarbo numa travessa de forno onde caibam confortavelmente e envolver com o moscatel, o açúcar, a vagem e as sementes de baunilha e as tiras de limão.
Levar ao forno, a descoberto, durante 20 minutos, até o ruibarbo ficar tenro mas não mole. Reservar.

Antes, passar a mão por baixo da peneira para retirar qualquer soro que ainda possa ter do iogurte.
Retirar a gaze cuidadosamente e colocar numa tigela e misturar com a raspa de limão.
Colocar uma colherada generosa de labneh em cada prato, cobrir com o ruibarbo e o xarope que resultou da sua cozedura e finalizar com os pistáchios.


serve 4



a ouvir: A noite passada - Sérgio Godinho





23.4.13

Só, com pão


Adoro o facto de todos os dias poder levar comida que possa aquecer para o trabalho, prepará-la, temperar e juntar ervas frescas picadas na horas e por vezes tentar a minha sorte e cozinhar coisas sem fogão, apenas com a ajuda de uma chaleira eléctrica, um micro-ondas, uma taça larga e um jeitinho de mãos  - ovo escalfado e ovos mexidos - checked.
No entanto, se há coisa que sinto falta dos meus idos tempos e refeições des-reguladas de faculdade, que ainda nem há um ano foi, é ter a possibilidade de ocasionalmente almoçar em casa e poder fazer coisas com pão tostado e comidas na hora - sejam elas bruschettas, torricados, tostas, tartines, pseudo-pizzas, and so on. Adoro refeições com pão. A fórmula é sempre simples, incluindo na sua maioria das vezes a minha fiel frigideira, objecto maravilhoso que me serve para dourar o pão e para saltear as coisas boas que acabavam em cima do dito cujo, não sem que um ou outro pedaço fosse parar directamente à minha boca.

Mas deixem, hei-de comprar uma torradeira para o pessoal. Pão torrado já não faltará.

Depois há dias como este. Belos, belos dias em que, não descurando as melhores das companhias, quero estar só, só com o Sol, só a gata, só o dolce fare niente das horas perdidas com uma fatia de pão tostado coberta de coisas boas na mão, comendo-a com a maior graciosidade possível sem, no entanto, dar grande importância a isso porque, afinal de contas, estou só.


Tartine de queijo de cabra e cebolo

Quando estamos em época das coisas, não me farto de as comprar e comer e comprar novamente e comer. É assim com os tomates, com os morangos, os pêssegos, as melancias, as couves e os grelos, os cebolos (que devo dizer, não fariam parte desta lista se não fosse a Mª José) and so on.  Se fosse uma blogger disciplinada provavelmente já teria posto aqui uma data de fotos das experiências que já tenho feito com estes meninos, que são nem alho, nem cebola ou cebolinho. Tem sido envolto em pasta, picado com coentros, limão, molho de soja e óleo e sementes de sésamo sobre mizuna e um tenro lombo de salmão, finalizando um salteado de arroz, caju, milho e topinambo da maravilhosa Heidi, estufados com cogumelos, sumo de maçã, azeite e vinagre de arroz acompanhados com uns ovos mexidos cremosos...

Para já fica esta brincadeira, em que coloquei meia dúzia deles grelhados na chapa a lume forte com um fio de azeite, colocados sobre uma fatia de pão alentejano, combinados com o maravilhoso particular sabor do queijo de cabra fresco (português, não o chèvre) e com uma nota cítrica da raspa de uma das últimas laranjas da minha avó.


a ouvir: The Modern Age - The Strokes

21.4.13

Estou viva, sim.

A escrever sobre Peixe e a deliciar-me com o cheiro das alcachofras a cozer.


a ouvir: Subúrbio - Chico Buarque

11.4.13

Couves e pragmatismos - take #1


No sábado foi assim. Pouco me resta dizer a não ser um grande Obrigada. Mal posso esperar por mais.

No Sábado estarei pelo Príncipe Real, distribuíndo cartões e eventualmente umas amostras.


~


Como disse, para mim os últimos tempos não estão para ser pensados. Apenas para ser feitos, devendo-se isso à rentabilidade das horas dos dias e à necessidade de manutenção de algum método e qualidade nas pequenas coisas, que afinal de contas, acabam por ser quase todas, ou como dizia Miguel Torga, pequenos nadas.

Já é ditado popular que em tempos de aperto é quando a mente mais cria. Por aqui, o meu cérebro é como uma máquina que pretende optimizar a sua produção, não em quantidade, mas numa lógica de qualidade, desenvolvendo mecanismos próprios para eliminar o excedente e rentabilizar o restante para que tudo funcione na sua melhor condição, só ou acompanhado. A isso, por fim, alia-se o crescimento de uma consciência maior, mais crítica, exigente e mais clara da sua função sobre as minhas decisões.

Tempos de pragmatismo.

Sinto-me poeta e inspirada. Sinto-me com ganas de fazer uma revolução (a minha). Sinto-me com o combustível cheio, pronta a dar tudo de mim a quem o pedir e merecer.

Vontade de ofegar, correr, cansar e sentir o mar e a maresia. E o cheiro da Terra.
Estou sedenta para o que há-de vir.

Apesar de estar com uma constipação absolutamente miserável.


Comidas rápidas, assim. Com pouco se faz tanto.

Esta coisa é tão simples e tão boa e tão simples e tão boa.
Os sabores fortes da couve e do gruyère combinam na perfeição com a doçura da manjerona e com a suavidade e cremosidade do ovo, que envolve tudo. O couscous é perfeito para absorver os sabores do salteado. A mistura de pimentas, ao contrário da pimenta preta, dá um aroma mais perfumado ao prato que me agrada imenso. E já mencionei que o gruyère combina na perfeição? Não é neutro que mal se note o sabor, nem demasiado forte que se sobreponha a tudo, nem demasiado salgado. E faz-se tudo em  10 minutos.



Couscous com couves-de-sabóia-de-olhos-repolhudos (aka -de-bruxelas, incrível o que se aprende no dicionário) e gruyère
Abaixo explico como escalfar o ovo na panela, mas na verdade, como trouxe isto para o trabalho fervi água na chaleira eléctrica, botei numa tigela e completei o resto do processo. É meio tosco, mas funciona. :)
Eu adore nozes, e só não adicionei aqui porque não calhou. Da próxima vou também experimentar substituir o queijo e a manjerona por za'atar e um queijo de cabra fresco ou halloumi.

60g de couscous
1 c.sopa de azeite
1/2 cebola, laminada
15g de gruyère fresco, ralado
1 ovo
1 c.chá de manjerona fresca, picada
1/2 c.chá de sal grosso
1/3 c.chá de mistura de pimentas, moída de fresco
12 pequenas couves-de-sabóia-de-olhos-repolhudos, cortadas ao meio
azeite, flor de sal, pimenta e manjerona, para finalizar

Cozinhar o couscous conforme as indicações da embalagem. Reservar.
Aquecer bem o azeite numa pequena frigideira em lume alto. Adicionar as couves e a cebola, sal, pimenta e metade da manjerona.
Saltear em lume forte até começarem a ganhar uma boa cor e apagar o lume.
Entretanto escalfar o ovo. Colocar uma panela de água a ferver, sem borbulhar, adicionar uma colher de vinagre, fazer um remoinho com uma colher e adicionar o ovo cuidadosamente. Deixar cozer durante 2-3 minutos, dependendo do tamanho do ovo, retirar com uma espátula e colocar sobre papel absorvente para tirar a maioria da água.
Colocar o couscous num prato, e o salteado das couves sobre o couscous.
Finalizar com o ovo por cima, o queijo, um fio de azeite, uma pedras de flor de sal e um pouco mais de pimenta sobre o ovo e o resto da manjerona. Servir quente.

serve 1


a ouvir: Ffunny Ffriends - Unknown Mortal Orchestra


31.3.13

Águas de Março

Finalmente voltei a correr na semana passada, no único dia que as nuvens deram tréguas ao Sol, pelo menos que me tenha sido possível ver. A mesma sensação de liberdade, de corpo e de pensamentos. O mesmo meritório cansaço.

"A chuva recomeçou a cair, faz sobre os telhados um rumor como de areia peneirada, entorpecente, hipnótico..."

Estou desiludida com a Primavera, já o disse naquele enorme diário impessoal que é o Facebook, uma semana já passou e ainda nada. Uma pessoa que se avie como puder. O ar está húmido e sujo, parece que a fazer birra ou como se não nos quisesse deixar mal habituados.
Para mim os tempos não estão para ser pensados, apenas para serem feitos. Será pragmatismo, convicção, risco... Ou é ou não é e quase nenhuma decisão tomada tem os seus resultados imediatos. Com elas vêm invariavelmente o q.b de incerteza. Essa é a beleza da antecipação. Enquanto está no mundo do potencial, tudo é possível. Mas é também a sua maldição, pois é apanhar-me num dia mau e é como encontrar uma fibra de uma corda a partir-se para que tudo entre no risco iminente de se desfazer. É verdade. Não gosto da sensação de coisas pendentes, principalmente das que me incluem e sobre as quais não controlo os seus desfechos.

Ainda não consegui desvendar o tempo, por me parecer rápido e lento ao mesmo tempo. Talvez não seja nada disso. Talvez pertença a uma categoria própria e seja realmente aquilo que parece.

"Meditam-se estas contradições enquanto se vai subindo a Rua do Alecrim, pelas calhas dos eléctricos ainda correm regueirinhos de água, o mundo não consegue estar quieto, é o vento que sopra, são as nuvens que voam, da chuva nem se fala, tanta tem sido."


excertos retirados de O Ano da Morte de Ricardo Reis, José Saramago)


É com muito prazer que anuncio que as minhas barras vão finalmente sair à rua. Dia 6 venham até à Feira das Almas e aproveitem para nos conhecer, ganhar energia depois de uma jornada pela feira, ou precisamente para se providenciarem antes de darem uma volta pela dita.
FYI o bolo de courgette também vai lá estar.

Vou estar no Peixe em Lisboa, evento ideal para "gourmets amadores", como tão bem designa a éspecie uma amiga. Não vale a pena estar a apontar para X ou Y quando só conheço T e muito pouco mais, por isso receio não ser grande comendadora do evento. Mas para ficar um pouco mais próximo de o ser é que vou. E para absorver tudo (no cérebro e na barriga!) o mais que puder, claro. De 4 a 14 de Abril, aceito SEMPRE mais companhia.

E voltei a escrever no DOP, porque realmente à coisas neste admirável mundo velho da alimentação que preciso de registar num lugar próprio, onde possa desenvolver e tentar compreendê-las.

E por fim, um pedido: vejo o acesso ao blog a ser cada mês maior. Não sejam tão tímidos. Digam coisas, eu gosto muito de ouvir. :)


Now, the food.
Esta salada não condiz com estes dias. Às vezes sabe bem a comida de tacho, o quente, o fumo, o conforto numa tigela, quiçá sobre forma liquida. Outras vezes não. Outras vezes precisa-se de diversidade, energia, vibrante, quente e frio e sabor distinto em cada pedaço, doce-ácido-salgado-amargo.
Fui ao mercado e comprei ovas de pescada porque era Domingo e pouco mais restava. Feias sim, mas nada que me intimidasse. Se não gostasse, arranjaria maneira de as tornar aprazíveis. Gosto da sua textura, absorve bem o que a ela se juntar. O sabor é de pescada. A construção do prato foi rápida e sucinta, sendo que a batata doce foi logo o parceiro eleito, seguindo-se a laranja, o vinagre, o azeite, sal e pimenta, orégãos e muito cebolinho.


Salada morna de ovas e batata doce
O tempo de cozedura da batata varia consoante a sua espessura. Cozam até que dê para enfiar o garfo até ao centro mas que se sinta alguma pressão. Tentem arranjar uma laranja que não tenha uma polpa demasiado frágil, ou será dificil de a fatiar. As ovas, podem sempre fritá-las. Pode saber melhor sim, mas não tão saudável.

6 ovas médias
1 batata doce média
1 laranja, cortada às rodelas de 0,5cm
2 c.sopa de vinagre de vinho branco
2 c.sopa de azeite
1 c.chá de sal fino
2 c.chá de pimenta preta moída, fresca
2 ou 3 cebolinhas
2 c.chá de orégãos (opcional)

Limpar as ovas, colocá-las numa panela com água e sal, levantar fervura e deixar cozer cerca de 6/7 minutos, ou mais se forem grandes. Escoar e reservar tapadas.
Lavar a batata doce e cozê-la em água com sal. Retirar, deixar que arrefeça um pouco e fatiar em rodelas com cerca de 0,5 cm de espessura.
Num pequeno frasco, juntar o vinagre, o azeite, o sal e a pimenta e misturar bem.
Dividir as ovas, a batata e a laranja por dois pratos. Temperar cada prato com o molho anterior.
Fatiar às rodelas as cebolinhas e polvilhar sobre o prato, juntamente com os orégãos, se utilizarem, e servir de seguida.


serve 2


a ouvir: Bitch, Don’t Kill My Vibe - Kendrick Lamar

22.3.13

Um pouco mais - in motus




Não sei como começou. Pode ter sido com aquele inicio de tarde em que nos cruzámos quase quase sem que nos víssemos, olhar esse que (re)iniciou conversa e amizade.
Pode, no entanto, ter começado no que tornou possível tal conversa, e nada mais foi que o dia em que Josefa e Amadeu decidiram colocar Catarina em colégio de alto gabarito em Sintra. Sem tal espaço educativo ou pertinente decisão, não haveria conversa iniciada.
Pode realmente ter começado no dia em que decidi enfrentar a besta (insaciável apetite) de frente, aliando-me a ela em vez de a expurgar funestamente do meu corpo, tendo baralhado e dado de novo, a maldição convertendo-se em paixão. Sem isso, bom... nada.
Pode igualmente ter começado no dia em que alguém - dois alguéns" -viram a minha cara numa oportunidade. E eu aproveitei.
Começou tudo ao mesmo tempo, ainda que em tempos diferentes, sem que eu soubesse que começava o que fosse.
Começou algo que deu origem a isto, que por sua vez é também Início. Inícios mil de quem brinca com a comida e de quem brinca com a câmara. Porque gostamos de brincar. Almas em movimento. in motus. Todos os créditos para o Tiago Maduro. Cheers amigo.

*FYI o video foi originalmente feito para um concurso para o 24kitchen.
Alguns pontos a destacar no video (queiram desculpar, falhas de estreante):
- as quantidades de quinoa e arroz são chávenas de café, não de chá.
- a salada leva feijão branco, cerca de 200g, ainda que não tenha mencionado.
- a pasta leva também cerca de 1/2 c.chá do maravilhoso bird's eye chilli da Quinta do Poial.





































a ouvir: Snow Spectrum - Seekae

14.3.13

U R G E

Tudo me urge. E eu só me lembro de Eugénio de Andrade: "É urgente... é urgente...". Urge o que deve e o que não deve e eu como personagem de BD, várias cabeças num só corpo, viradas para todas as direcções e pequenas linhas curvas horizontais simulando movimento.
Urgem as ideias que ainda não consegui que deixassem de o ser para passarem a ser algo mais, mas urgem-me também os limões disformes de um quintal das traseiras do parque, para que corra a casa buscar a máquina e registe a beleza dos seus jeitos singulares e eles com a luz brilhante do céu acabadinho de ser chovido.
Urge a vontade de compreender o que não compreendo e de dar sentido ao que compreendo mas que não cabe na minha cabeça. Urge o que quero e o que não sei se quero e o que não quero mas que tem de ser (acho eu!) e a vontade de no fim de tudo não querer absolutamente nada! Urgem os livros que comprei e que quero ler e cozinhar leeeeeenta e deliiciosamente mas que mal os consegui tirar da estante. URGEM AS LETRAS QUE SE QUEREM DELONGADAS Urge o pó acumulado a roupa na cadeira as ervas necessitadas a banheira abandonada as pernas necessitadas o ombro sofrido o Sol desesperado os filmes não vistos o croissant de chocolate da avenida dos Bons Amigos as oportunidades desenfreadas

Basta Pum Basta!



E no meio disto tudo urge-me a mente para a necessidade de compreender que nem tudo o que urge é verdadeiramente urgente.

Entre a razão e a realidade estou eu: meio corpo, coisa física, magra, metro e setenta fazendo-se sempre bem vestida contente e absolutamente sedenta de vida, cabeça a fervilhar de ideias, vidas e instantes e do que há para vir; meio alma, coisa disforme, virtual que urge por conseguir encontrar um ponto.
Um ponto...

Como uma vista panorâmica de tudo o que está cá fora e, placida e tranquilamente, decidir onde e quando vou, sabendo apenas que chegarei lá e que por isso irei sem pressas, com o tempo que for preciso.


P.S. demorei quatro dias a conseguir fazer este post.


E agora uma pausa para aprender. Este livro não é um livro de receitas. É um tratado sobre a gastronomia, and therefore, cultura israelita.
Traduzido e tudo.





Em Jerusalem, tão famoso como o peixe gelfite (http://pt.wikipedia.org/wiki/Gefilte_fish) é o chraimeh, a "rainha" de todos os pratos dos Judeus Tripolitanos (Libios). Para muitos Sefarditas, tal como o seu semelhante (o gelfite) dos Asquenazes, é uma presença obrigatória na altura do Rosh Hashanah, na Páscoa e no Shabbat. Apesar das suas diferenças - o gelfite é bege e doce, o chraimeh é vermelho, picante e de intenso sabor a especiarias - são semelhantes num elemento essencial. Em ambos os pratos o sabor do peixe é, na verdade, irrelevante, sendo apenas um mero veículo para os sabores do molho ou condimento, sejam eles suaves, fortes ou picantes. As familias tem orgulho na sua receita particular de chraimeh. Representa as verdadeiras habilidades da cozinha Tripolitana - e, com variações do tema, de outras cozinhas norte-africanas - evidentes na textura do molho, na sua cor, gosto picante e potência.

Claudia Roden fala dos Judeus de Livorno, Itália, e de um prato tradicional de um peixe inteiro cozinhado num molho doce de tomate. Os Marranos, Judeus descendentes de Portugal e Espanha que chegaram a Itália no séc. XVII, estão entre os primeiros que introduziram os tomates em Itália e, tal como muitos mercadores Judeus de Livorno que se mantiveram presentes ao longo do Mediterrâneo, de Tripoli incluidos, é mais do que provável que estas tradições culinárias tenham viajado com eles.

O chraimeh é geralmente feito com postas de Olho-de-boi, com espinha, mas pode ser preparado com qualquer tipo de peixe branco. Escolhemos o salmão porque é o peixe mais disponível em formato de posta. Robalo em posta é o ideal. Peixe branco, sem espinha, é outro compromisso aceitável.

O chraimeh é servido como entrada, morno ou a temperatura ambiente, com challa (ou outro pão branco de qualidade) para ensopar, uma fatia de limão e uma caneca de água, para amainar o calor. É facilmente re-aquecido e o molho é tão saboroso que pode duplicar perfeitamente a quantidade para ter mais molho para mergulhar o pão*. Servir com couscous ou arroz.


*façam-no, eu arrependi-me de não o ter feito.




Postas de salmão em molho chraimeh

110ml de óleo de girassol (2 c.sopa + 2 c.sopa + 50ml)
3 c.sopa de farinha simples
4 postas de salmão, cerca de 1kg
6 dentes de alho, grosseiramente picados
2 c.chá de pimentão doce
1 c.sopa de sementes de alcaravia, tostadas e moídas de fresco (se não tiverem substituam por cominhos)
1 1/2 c.copa de cominhos moídos (eu tosto e depois moo)
1/3 c.chá de pimenta caiena
1/3 c.chá de canela em pó
1 chilli verde, grosseiramente picado (utilisei 1 c.chá de pasta de bird's eye chilli)
150ml de água
3 c.sopa de polpa de tomate
2 c.chá de açúcar
1 limão, cortado em 4 + 2 c.sopa de sumo de limão
2 c.sopa de coentros, grosseiramente picados
sal e pimenta preta

pão fresco e fofo, em generosa quantidade
1/2 cháv. de arroz carolino

Aquecer 2 colheres de sopa de óleo de girassol numa frigideira grande que tenha tampa.
Colocar a farinha numa tigela funda, temperar generosamente com sal e pimenta e colocar dentro o peixe. Envolvê-lo com a farinha e sacudir o excesso. Levar à frigideira quente a lume alto durante 1-2 minutos em cada lado, até ficarem dourados. Remover o peixe e limpar a frigideira com papel de cozinha.
Colocar o alho, as especiarias, a malagueta e 2 colheres de sopa de óleo numa picadora / processador / copo de varinha mágica e moer tudo até formar uma pasta grossa, adicionando um pouco mais de óleo se for necessário para ligar tudo.
Colocar o restante óleo na frigideira, aquecer bem e adicionar a pasta. Mexer e fritar apenas cerca de 30 segundos, para que as especiarias não queimem. Rapida mas cuidadosamente, porque pode espirrar, adicionar a água e a polpa de tomate para que as especiarias parem de cozer. Levantar fervura e adicionar o açúcar, o sumo de limão, 3/4 de colher de chá de sal e um pouco de pimenta. Provar para ajustar o tempero.
Colocar o peixe no molho, levantar fervura lentamente, tapar a frigideira e cozinhar cerca de 7-11 minutos, dependendo do tamanho do peixe, até que esteja totalmente cozido. Retirar do lume, destapar e deixar arrefecer um pouco.
Servir o peixe apenas morno ou a temperatura ambiente, polvilhado com os coentros e uma fatia de limão.

serve 4





































a ouvir: Paradise Circus - Massive Attack