Mostrar mensagens com a etiqueta tomate. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta tomate. Mostrar todas as mensagens

23.10.12

Mimos do Poial - o feijão

O cabaz que recebi da terra do Poial é uma pequena grande aglomeração de potencial. Fiz um inventário na hora, claro. As ervas foram para um muito improvisada, muito feia e muito saborosa salada morna de batata doce, um dos minis pimentos e requeijão.

Um raminho de: alecrim, funcho, tomilho, manjerona e cebolinho, tudo bem picadinho e envolvido no requeijão. Depois o calor que emana da batata doce grelhada e o azeite fazem o resto, intensificando e misturando os sabores numa só garfada.





O topinambo, que não era mais que uma amostra, valeu-me para uma sopa pseudo-tailandesa de udon noodles, juntamente com uns pimentos.



Com as malaguetas tem sido mais complicado decidir o que delas fazer. Por muito atractiva que seja a ideia de fazer um chutney que encontrei no Culinário de 2008 ou um dos molhos de algum dos meus autores de referência, a verdade é que picante lá em casa, só com bastante moderação, ou pelo menos nada que se compare ao valente palato dos mexicanos ou dos tailandeses. Com elas fiz este molho até agora. É super versátil, tendo já servido uma colherada generosa sobre um peito de frango, refogado num arroz de pimento e dando um twist refrescante a uma posta de pescada cozida.


Depois há (havia!) o feijão longo e aquele poblano negro, de destino marcado desde que lhes pus os olhos em cima.

Por hoje fiquemo-nos pelo feijão. Lembrei-me logo do momento em que a Joana nos mostrou aqueles longos fios em que não dá para perceber onde acaba o ramo e onde começa o fruto, dizendo que, por serem tão tenros e finos, não é necessário cozê-los previamente antes de fritar nem retirar os fios. Inspirada pela tempura do Tomo, enchi-me de coragem e enfrentei os meus demónios da fritura. Fiz peixinhos da horta. Na verdade, foi mais tempura que os nossos conhecidos petiscos, porque a massa é feita apenas com cerveja e farinha.
Foi este o nosso jantar, com uma singela posta de bacalhau e um molho de tomate que com um ingrediente especial passa de modesto a magistral, dando gosto e sabor a estes tempos que não perdoam, cujas amarguras por vezes não conseguimos evitar de levar para a mesa.




Tempura de feijão longo e feijão-verde com molho de tomate e bacalhau

Esta tempura é apenas uma das mil variantes existentes, pelo que não é, de todo, a que mais aconselho a fazerem - até porque para isso teria de ter feito mais do que uma maneira para compreender bem as diferenças. Façam como acharem melhor para vocês.
A avaliar pela fotografia, escusado será dizer que ficou longe de perfeita, mas apesar de tudo sentia-se o crocante do polme e do próprio feijão, que não quis cozer completamente e sentia-se aquele sabor típico a frito mas com a leveza da tempura. O mais importante é que mais que os três elementos como um todo funcionam mesmo muito bem e esta é de facto a razão mais importante que me levou a colocar aqui esta receita.
O molho de tomate é incrivelmente versátil, de maneira que não se preocupem se sobrar porque certamente encontrarão outras oportunidades para o utilizar: sobre um torricado, juntar grão para fazer uma sopa com um ovo escalfado ou envolvido com atum desfeito e massa, o hidrato de carbono todo-poderoso que salva qualquer crise de inspiração. Eu passei-o no final para ficar homogéneo e para envolver melhor o bacalhau e o feijão, mas podem sempre deixá-lo inteiro.

 350g de feijão verde, feijão longo ou uma mistura
900ml de óleo (que faça 5cm de profundidade numa frigideira de 3 litros)
1 cháv. de farinha
1 cháv. (240 ml) de cerveja

2 1/2 c.sopa de azeite
1 1/2 c.chá de cominhos
1/2 c.chá de pimentão doce
2 c.chá de canela
1 cebola média, picada
125ml de vinho branco
400g de tomate em lata
1 malagueta sem sementes, finamente picada
1 dente de alho, esmagado
sal e pimenta q.b
salsa, picada

4 postas de bacalhau


Escaldar apenas o feijão verde durante 4-5 minutos, ou totalmente cozidos, conforme preferirem.
Aquecer o óleo na frigideira.
Bater a farinha e a cerveja numa tigela. e mergulhar cerca de 10 feijões de cada vez na massa.
Testar o óleo pingando um pouco da massa na frigideira. Se começar a fritar instantaneamente e a borbulhar é porque está pronto para fritar. Nessa altura, adicionar os 10 feijões de cada vez e fritar cerca de 1,5-2 minutos, até a massa estar bem frita e estaladiça.
Retirar o feijão da frigideira, colocar sobre papel absorvente e polvilhar com sal.

Para fazer o molho, aquecer o azeite numa frigideira larga.
Adicionar as especiarias e a cebola e cozinhar por 8-10 minutos a lume brando, até a cebola ficar completamente mole.
Adicionar o vinho e levantar fervura durante 3 minutos. Juntar os tomates esmagados, a malagueta e o alho. Cozinhar 15 minutos a lume brando até engrossar bastante.
Ajustar o tempero e passar tudo até que fique um molho uniforme mas não totalmente liquido. Reservar tapado. Na altura de servir, polvilhar com salsa.

serve 4


a ouvir: Warsaw - Sharon Van Etten

1.10.12

A Catarina e o queijo - cabra, chèvre, goat, como quiserem chamar-lhe.

Tinha planeado para hoje uma coisa completamente diferente, sobre uma experiência maravilhosa que tive ontem, também ela, completamente diferente. Mas antes que passe mais um mês e este texto fique completamente descontextualizado, aqui o escrevo.

O queijo de cabra é o meu preferido, tenho dito. Eleger qual das suas variedades é a minha preferida já é pedir muito. Mas há qualquer coisa naquele sabor único do leite de cabra que trespassa todas as variedades deste queijo que me fascina. É difícil encontrar algo com que fique mal, seja doce, salgado, picante, quente, frio, carne e fruta. Não ponho as mãos no fogo pela sua combinação com peixe, mas quiçá? Eu não ("çá", ou sei). Só sei que fui muito feliz com ele este Verão, no meio das longas horas de trabalho masoquista. Com ele as ultrapassei e inclusive finalizei o quanto baste (comming soon). E por ele vou tomar a liberdade de fazer algo diferente, para mim e por mim - a verdade é que tudo o que consta neste manifestum não é mais que um registo para me relembrar sempre que necessário, com ou sem as memórias impreterivelmente associadas à altura em que foram escritas- mas também para vocês, porque há coisas, sabores e prazeres que não faz sentido serem desconhecidos a qualquer um que possa ter acesso a eles. Não é preciso dar voltas ao mundo nem esvaziar a carteira por eles. Anda-se 100 metros, gasta-se uma mão cheia de trocos, mexe-se um dedo (ou arranja-se uma boa amiga como eu para mexer o dedo por vocês) e já está.

Tomei como humilde missão enumerar aqui a minha história com o queijo, na expectativa de vir a ser, parte dela, a vossa história com ele. Hoje de cabra, amanhã (como quem diz), outra variedade qualquer.

Por isto tudo mas também porque adoro as fotografias e porque me divirto à brava a fazer isto, eis o início das histórias d'A Catarina e o queijo.



pequeno-almoço depois de correr: torrada de pão de kamut com queijo de cabra curado e melancia. 
Confesso que na altura achava que seria menos salgado que o fresco, ignorando totalmente o "curado", mas essa característica até veio a fazer da sua combinação com a melancia.

~



Não me canso de repetir a experiência que é provar algo da primeira vez, fruto de um rápido improviso, e ser absolutamente maravilhoso. 
Registar: pão alentejano torrado 
+
uma fatia de tomate on one side
pasta de azeitona: uma dúzia de azeitonas muito picadas, um dente de alho picado, pimenta, folhas de dois ramos pequenos de tomilho-limão. Tudo envolto numa pasta, juntando só azeite e sal no fim se for necessário. Leva 5 minutos se tanto. É simples mas os sabores estão lá todos e combinam na perfeição. Pode haver quem não goste do sabor a perfume (palavras do meu irmão) do tomilho-limão. Substituir por orégãos pode ser uma boa opção.
Esta dose só dá para uma vez (digo eu). Para duplicar, triplicar, multiplicar à vontade.

~



Omelete-que-não-é-bem-uma-omelete (mas que sabe igualmente bem, ou melhor até, para quem não gosta do excesso de óleo das ditas): Aquecer um fio de azeite na frigideira. Juntar o talo bem fatiado de um alho-francês pequeno (não se assustem com a quantidade porque diminui num instante). 
Deixar alourar bem e adicionar meia courgette grosseiramente ralada. Temperar com sal e pimenta. Nem quis adicionar nenhuma erva para deixar sobressair ao máximo o sabor do queijo e dos vegetais. 
Tapar e deixar estufar rapidamente até os vegetais estarem cozidos mas ainda com algum crocante. 
Adicionar um ovo batido, espalhando-o sobre os vegetais e terminar com um queijo cabra fresco despedaçado por cima. 
Finalizar com mais uma pitada de pimenta (usei uma mistura em moinho), reduzir o lume ao mínimo, tapar e deixar o ovo assentar e o queijo amolecer e inflar. 
Comer logo!

~



Doce, ácido, amargo e salgado numa salada de Verão:
esparguete integral com figos (não se incomodem em tirar a casca a não ser que esteja em mau estado), chèvre despedaçado, nozes tostadas, rúcula e um vinagrete de balsâmico e hortelã. 

~



Não fica bem uma senhora dizer qual o fenómeno que se ia dando no seu corpo ao dar a primeira dentada nesta sandes, depois de 7 horas sem comer e uma licenciatura acabada de concluir.
Pão de sementes com espinafre, queijo de cabra fresco e cogumelos brancos salteados em azeite, alho, vinho tinto (o rasca serve) e tomilho limão.



a ouvir: A walk - Tycho

29.8.12

Tomates e casulos

Tomates e casulos. Em. No casulo. Eu no casulo. Nunca passei por uma experiência como estas duas - a ir para três - semanas. Encasulada com o rabo na cadeira a olhar para o computador, para o ecrã, para o computador novamente, para a estrada e sinais vermelhos das Avenidas Novas, com uma miserável hora de corrida, doses absurdas de café e chá preto, a diária esfrega de Momengel no pescoço e uma ou outra pontual ajuda de Valdispert para quando não se consegue dormir ou para atenuar crises de ansiedade como, por exemplo, um choro compulsivo (mas discreto) depois de correr desalmadamente para apanhar o comboio e perdê-lo por um fio. Quando pensamos que já demos o litro, o melhor é pensar outra vez. O baton é só para disfarçar. E o bicho que se está a formar dentro deste casulo não é daquelas bonitas que se espera que poisem no nosso dedo -apesar de achar que isso é mais um mito urbano que outra coisa -, é daquelas feias, do género das do bicho da seda. As pernas começam a ganhar uma textura lgeiramente áspera, bem como outras partes do corpo, a minha voz adquire o tom envergonhado de quem acorda por não emitir quase nenhum som durante o dia inteiro a não ser que cante, os pequeninos músculos, ganhos com tanta dedicação, vão murchando tristemente e as unhas, apercebi-me agora que olho para a caneta, ganharam dimensões pouco recomendáveis na mão direita e formas estranhas em alguns dedos da mão esquerda - sina da mão que agarra na cebola e no alho enquanto que a outra, de faca afiada, a manuseia inexperiente.

Cozinhar, apenas um cheirinho diário, só para manter a sanidade em dia porque o apetite, pela primeira vez, não existe. Assim sendo, encaro como mais um problema de design e arranjo espaço na minha cabeça para pensar na melhor maneira de aproveitar os quilos de tomates que temos em casa.*

O pior, o perverso, é de sentir que alguém, algures, me julgará ao saber que, apesar de tudo, ainda tenho mão na cozinha, e que o meu dia ainda tem três ou quatro momentos de prazer (ou parcial, uma vez que, pontualmente, frequentemente vá, como (verbo comer) a pensar em sistemas de cor, grelhas, tabelas sazonais e design: esta coisa que é a minha praga, a minha paixão, a minha panela de pressão.



Valham-me então os tomates, -cereja, negros da Crimeia, coração-de-boi, chucha, regulares, e os morangos, os pequenos e aromáticos morangos que parecem ter sido borrifados com aquelas águas de colónia para crianças, tal é a intensidade do seu cheiro e sabor. E agora vão já duas doses de coisas boas porque não sei se vou ter animae para voltar a escrever aqui brevemente. Ambas as receitas abundam e tomates, diversos tipos deles, não (apenas) pelo impacto visual que dá ao prato, mas porque os tomates tem muito que se lhe digam, e cada qual tem o seu sabor e textura únicos, mais ou menos doces, mais ou menos duros, mais ou menos carnudos. Para mim vale totalmente a pena brincar e descobrir as diferenças.

* Ou tínhamos, porque quando escrevi este texto, há uma semana, ainda havia. Só não há é ânimo, paciência, disposição, tempo para passar pelo processo de fazer mais uma entrada aqui: transcrever, relembrar a receita, passar fotos, arranjar fotos et al.




































Salada de Tomate e Morangos com Pistou de noz, hortelã e manjericão
300g de morangos, cortados, dependendo do tamanho
300g de tomates diversos, cortados a gosto
2 punhados de rúcula
80g de pão de centeio de véspera
80g de pão de trigo de véspera
azeite, sal e pimenta q.b
2 queijos frescos de ovelha pequenos, cortados aos cubos
2 colheradas de pistou de noz, hortelã e manjericão

2 dentes de alho, picados grosseiramente
1 c.chá de sal
1/2 cháv. de nozes aos pedaços
80ml (1/3 cháv.) de sumo de limão
1 cháv. de folhas de manjericão
1/3 cháv. folhas de hortelã
80ml (1/3 cháv.) de azeite
2 dentes de alho, muito picados
pimenta e/ou piri-piri, a gosto

Pistou
Colocar num almofariz o alho, o sal, as nozes e o sumo de limão, esmagando até formar uma mistura mais ou menos consistente, como preferirem. Pessoalmente gosto de sentir ainda pedaçinhos de nozes, sem ficar muito pastoso.
Adicionar as folhas do manjericão, da hortelã e o azeite, moendo novamente até ficar tudo ligado.
Adicionar pimenta e piri-piri a gosto e envolver tudo.

Cortar o pão aos cubos pequenos (1,5-2cm), colocar numa tigela com o alho picado e regar com um fio de azeite, sal e pimenta. Envolver bem com as mãos, colocar numa frigideira quente e tostar todos até ficarem bem dourados e começarem a libertar aquele aroma maravilhoso.
Dividir por dois pratos individuais os morangos, os tomates,a rúcula e os croutons e os queijos frescos.
Juntar uma colherada de pistou a cada prato, envolver tudo e comer no momento.

serve 2 (o pistou ainda dá para 4)



Tomates assados com quinoa
tomates inspirados na receita de Heidi Swanson, em 101 Cookbooks

Foi o meu jantar e almoço consecutivos. Tomates assados frios sabem muito bem, é só o que tenho a dizer. E para algo diferente, o açúcar vale mesmo a pena. 
1,2kg de tomates variados (usei uma mistura de negro da Crimeia, coração de boi, cereja e San Marzano) - metade são para assar, metade para comer crús

60ml de azeite
2 c.chá de açúcar amarelo
sal grosso, q.b
1 c.sopa de alecrim fresco, picado
1 c.sopa de raspa de limão

2 c.sopa de pinhões
1 c.sopa de alcaparras
1 cháv. de quinoa, passada por água corrente
sal q.b
azeite q.b

Pré-aquecer o forno a 175ºC com a prateleira no topo.
Colocar metade dos tomates numa só camada num tabuleiro de forno, inteiros, cortados em metades ou quartos, dependendo do tamanho. Envolver com o azeite, o açúcar, umas pitadas de sal, alecrim e a raspa de limão. Levar ao forno durante 60 minutos, ou até começarem a caramelizar e a ficar tostados nas bordas. Retirar do forno e deixar arrefecer.
Entretanto cozer a quinoa com um pouco de sal em duas chávenas de água a ferver durante 15 minutos, ou até a quinoa estar cozida, solta e a água ter sido absorvida.
Tostar os pinhões numa frigideira seca e saltear as alcaparras num fio de azeite.
Dividir a quinoa por dois pratos de servir, dividir os tomates, crús e assados, pelos pratos. Temperar com os sucos que ficaram no tabuleiro dos tomates e mais sal e um fio de azeite se for necessário. Cobrir com os pinhões, as alcaparras e servir, frio ou morno, as you wish.

serve 2 (os tomates até que servem bem 4, mas eu comi-os todos)


























a ouvir:  Brian Jonestown Massacre - Anemone


15.8.12

Principe Real, physalis, vegetarianos e o melhor dos amigos




































Apesar de ser hábito recente, arrisco-me a substituir um tímido "tenho ido" por um convicto "vou" ao mercado do Principe Real semanalmente. O cesto de verga que já me quardou mil merendas em criança, acompanhou-me em piqueniques e transportou um pequeno gato serve agora para o manjericão generoso, folhas de alface, maravilhosos damascos e os belos e absolutamente gulosos tomates coração de boi que como como quem come maçãs, assegurando que sobrevivem sem quaisquer mazelas, pisadelas ou murchadelas na viagem de volta, indo para a mesa, ou directamente para a boca, tão bonitos como quando lhes peguei. As escolhas mais resistentes e robustas vão debaixo do braço, no velho saco de pano que já começa a ganhar cheiro de algo que cumpre fielmente a sua função, seja para o pão, iogurtes, queijo, fruta ou vegetais.
Comecei pela banca do fundo - sim, a do Poial - sempre das primeiras a ser montada e, convenientemente das que me dá maior prazer deixar uns trocos, tomando a liberdade de levar de lá sempre algo diferente, imprevisível. Decido deixar de parte os tomates-cereja que tinha em mente para umas tartines de requeijão e tomates assados que planeei fazer para uma festa cheia de frango assado e paradoxalmente cheia de gente que não deita o dente a animais e pego em dois saquinhos de papel kraft cheios de tomatillos, mais conhecidos por physalis (e. philadelphica) por estas bandas, com a espectativa de fazer o melhor dos petiscos para o melhor dos amigos.



Uma pasta de tomates, coentros, cebola e pimento empilhada lâminas crocantes de tortillas caseiras faz magia. Findas as tortillas - as doze que fiz foram-se depressa - "limpou-se" a tigela com pão.



Salsa verde mexicana
Não coloco aqui a receita das tortillas porque não é tem mesmo nada que saber nem nada que adaptar. A única coisa útil é saber que quanto mais finas forem desenroladas mais crocantes ficam quando foram cozidas e como tal, muito mais agradáveis de trincar. 
Os tomatillos são um fruto bastante peculiar, e o seu formato e sabor crú lembram claramente um cruzamento entre o tomate e o pimento (que é também da familia do tomate). Guardei uns poucos para brincar com eles e ver no que dá. 
Quando preparei todos os ingredientes utilizei cerca de 2/3 para esta receita e juntei um pouco de abacate ao restante, piquei muito bem à semelhança deste tipo de salada para um almoço rápido, enrolado num wrap ou servido com arroz e gambas.

14 tomatillos
3 dentes de alho
1 pimento verde pequeno
1 cebola média
1/2 c.chá de malagueta em pó
sumo de 1/2 lima
10g (cerca de 1 chávena) de coentros, picados
sal e pimenta q.b

Retirar a casca dos tomatillos e lavá-los muito bem. Cortá-los ao pedaços e colocar numa liquidificadora.
Descascar os dentes de alho e juntar ao tomatillos. Abrir o pimento, retirar as sementes, cortar aos pedaços e adicionar à liquidificadora.
Descascar a cebola, cortar grosseiramente e juntar ao restantes ingredientes.
Adicionar os restantes ingredientes, tendo cuidado com a quantidade de sal e processar tudo até adquirir a consistência desejada (gosto do meu ainda com alguma consistência, mas bem passado). Provar, corrigir os temperos e os coentros se for necessário e processar novamente.
Colocar no frigorífico pelo menos uma hora para se servir bem fresco e dar tempos aos sabores para se fundirem.





































a ouvir: Will You Be Ready - Deep Forest

8.7.12

O lado saudável de uma festa de estudantes

Festas. Boas festas. Sal, gordura, açúcar, alcool, alguns sumos e coisas menos graves pelo meio e já está. Esta surpreendeu-me com queijo de seia amanteigado e chouriça e linguiça assada. Mal por mal, gosto de acreditar que a minha perdição foi amenizada pelo trio de coisas saudáveis que ficou à minha responsabilidade e pelos morangos maravilhosos que levaram, pelo alcool não ingerido, pelos passos de dança e corrida de meia hora e caminhada de duas no dia seguinte. Tudo feito com muito gosto, obrigada.

Para quem disse "Desta vez estou de folga" o resultado não foi propriamente os amendoins salgados e algumas minis que planeei levar inicialmente. É mas forte que eu. Quero dar mais, ser mais, ser diferente. Deixar na memória aquela festa em que havia mais qualquer coisa para além do costume nem que seja a apenas duas ou três pessoas já vale a pena. Nem que seja só para mim.
Para agradar a todos fui ao Médio-oriente, ao Alentejo e a outro sítio entre a salsa mexicana e os sabores vietnamitas.
As provas foram feitas em casa pelos meus fiéis provadores e após difícil eleição do melhor, não levei um, levei os três.




































Salada de gaspacho
Esta não é a versão original. O tomate não é esmagado, não acrescentei água e deixei de fora o pão para que pudessem acompanhar com a salada apenas no momento. O molho é de ensopar o pão, comer e chorar por mais.

4 dentes de alho, finamente picados
1 c.sopa de sal grosso
3 tomates maduros de tamanho médio
1 pimento verde pequeno
1/2 pepino
4 c.sopa de azeite
4 c.sopa de vinagre
orégãos secos

Num almofariz, esmagar o alho com o sal até fazer uma pasta. Colocar numa taça larga e reservar.
Cortar os tomates em pedaços pequenos e outros maiores e adicionar à taça.
Cortar o pimento às tiras, o pimento aos cubos pequenos e acrescentar à taça.
Adicionar o azeite, o vinagre, uma boa quantidade de orégãos e envolver tudo com as mãos.
Colocar no frigorífico durante 30-60 minutos e servir bem fresco.


Salada de abacaxi e pimento com molho de lima e gengibre

4 rodelas grossas de abacaxi
1 cebola
1 pimento verde
1 pedaço de gengibre de 4cm
1/2 c.sopa de azeite
sumo de 1/2 lima
2 c.chá de molho de soja
1 c.chá de molho de peixe
1 pitada de piri-piri
1 molho de coentros picados (cerca de 14 pés)

Grelhar as rodelas de abacaxi dos dois lados até ficarem marcadas e caramelizadas.
Entretanto picar a cebola e cortar o pimento em pedaços pequenos. Colocar numa taça larga e reservar.
Quando o ananás estiver arrefecido juntar à tigela do pimento e da cebola juntamente com o sucos libertados.
Num frasco pequeno, juntar a gengibre ralada, o azeite, o sumo de lima, os molhos de soja e peixe, o piri-piri e um pouco de sal. Tapar o frasco e agitar bem até ficar emulsionado. Com a ajuda de um escoador, verter o molho para outro frasco e espremer o gengibre que ficar no escoador para libertar todos os sucos. Guardar o molho e temperar a salada na hora de servir, guarnecida com os coentros.


Baba ganoush com feta
Não consigo perceber qual a versão original deste clássico da cozinha levantina, mas decidi manter as coisas simples e não acrescentar nenhuma especiaria ou ervas frescas como cominhos ou salsa, apesar de ter a certeza que iriam ser óptimas alternativas. Convém que os dentes de alho sejam pequenos, caso contrário fica uma pasta bastante ácida - por essa razão foi imperativo adicionar o feta para dar um toque fresco à mistura. A combinação é perfeita. Apesar de tudo, esqueci-me completamente de adicionar o limão, pelo que acredito que isso também iria fazer a diferença na força do sabor do alho. Descobri que envolver com uma boa pratada de esparguete, sem feta e com umas folhas de manjericão faz igualmente um prato fantástico e o sabor do alho fica super amenizado. 

1 beringela grande
2 dentes de alho
1/2 limão pequeno
1 1/2 c.sopa de tahini
2 c.sopa de azeite
sal e pimenta q.b
queijo feta, para servir

Cortar a beringela longitudinalmente, picar a pele com um garfo e grelhar numa grelha quente
até a pele ficar preta e a polpa muito mole.
Raspar a polpa da carne e picar com os dois dentes de alho esmagados, o sumo de 1/2 limão, e o resto dos ingredientes. Provar e rectificar o tempero e servir numa travessa ampla com um fio de azeite por cima e um pedaço de feta esfarelado por toda a superfície. Acompanhar com pão pita tostado, naan ou tostas para desenrascar.



a ouvir: Look at Where We Are - Hot Chip

3.7.12

lord help me 'cause the beach is a beach.

Gosto de praia com conta peso e medida. Isto é, adoro apanhar Sol sem fazer absolutamente nada, adoro dar mergulhos e nadar mesmo que nos breves segundos iniciais o gelo da água me faça perder a respiração, gosto de jogar raquetes, gosto de ouvir conversas das toalhas vizinhas ("holla como estas? Pois jo estoy bien, mejor que tu no?heheh" ou "Mãe castiga a Zezinha que ela perdeu 1,10€ do troco na areia!", ou "oi soi doisa liv ericksen...") correr e dar caminhadas, pensar no que vou fazer no próximo grande jantar, eventualmente em projectos (isto porque quem corre por gosto não cansa (espero)), na morte da bezerra ou não pensar em absolutamente nada - mas quanto baste. Regra geral, a não ser que circunstâncias extraordinárias o exijam, três horas chegam-me bem e olhem lá. Prefiro ir de manhã porque o dia está fresco como roupa branca lavada.
Na minha jornada de duas horas de transporte de regresso a casa planeio confiante (e esfomeada) o que fazer para almoçar e a ordem de trabalhos para o resto do dia. Pois entre o deve e o haver vai uma grande diferença, e a preguiça é de longe o pior dos meus pecados. Para preparar o almoço ainda se encontra envergonhada, mas de barriga satisfeita e banho tomado revela-se em todo o seu esplendor.

Para não variar continuo a sentir que de alguma forma tenho de me desculpar por aquilo que por vezes aqui coloco roçar a simplicidade extrema e de original tem pouco ou nada. Mas para não variar e por mais foleiro que soe, este manifesto não é sobre comida, é sobre mim. Em boa verdade, todos os blogues pessoais são incontornavelmente sobre quem o escreve e ninguém que se expõe declaradamente se vai desculpar daquilo que é.

Hoje era isto que queria e que me soube bem comó caraças. (Uso muito esta expressão, mas vê-la escrita fica feio...)




































Tortilla de queijo de cabra, fiambre, vegetais e manjericão
O queijo que usei é da marca Santiago e adorei ainda mais que o chévre, que apesar do sabor semelhante é mais suave e tem uma textura igual ao nosso requeijão, que prefiro pela sua frescura à cremosidade do queijo francês.

1 tortilha média
130g de queijo de cabra fresco (usei 1 embalagem)
1 fatia fina de fiambre da pá
1/4 de pimento verde
1 tomate chucha pequeno (ou outro que tiverem à mão desde que esteja maduro)
1 ramo de manjericão, apenas as folhas
vinagre balsâmico q.b
azeite q.b
sal  e pimenta q.b

Cortar o pimento em tiras muito finas, temperar um umas pedrinhas de sal e grelhar a lume alto até ficarem chamuscadas e moles. Remover e reservar.
Cortar o fiambre em tiras finas (cerca de 2cm), o tomate às rodelas finas (0,5cm) e reservar.
Retirar o queijo da embalagem e escorrer bem o soro para não ensopar a tortilha e reservar também.
Na mesma grelha colocar a tortilha durante 1 minuto, ou o suficiente até ficar tostada. Virar do outro lado e cobrir com o queijo desfeito, seguido das tiras de fiambre, tomate, pimento e por último as folhas de manjericão. Regar com um fio de azeite e vinagre balsâmico, temperar com pimenta e um bocadinho de sal e servir de imediato.

serve 1


a ouvir: Motion Sickness - Hot Chip

31.5.12

Primeiras in-spirações, primeiras in-venções

Era Setembro de 2007. Decidimos as três fazer uma prenda para um amigo. Ofereci a minha casa, a parede roxa do meu quarto e a minha câmara. Sei que tínhamos fome e apeteceu-me improvisar, palavra de honra que não sei porquê, até à data não cozinhava simplesmente. E mesmo depois, só dois anos mais tarde a febre começou. Não me lembro de muito mais - maldita memória de elefante - mas lembro-me dos sabores, da sensação de descoberta do improviso pelo instinto. Não é nada de mais, mas para mim foi muito. Foi tanto que ainda hoje foi o meu almoço.
Agora que pela primeira vez traço os ingredientes numa lista, esta é sem dúvida uma combinação curiosa: não é italiano, apesar da massa, não é oriental, apesar dos rebentos de soja, não é americano, apesar do ketchup. É comida de improviso, é o que é. E uma refeição de tupperware no seu melhor.

Por falar em tupperware, foi em três deles que levei este simples bolo aos meus fiéis degustadores. Balanço muito positivo pelo que pude constatar. As 14 fatias foram poucas, mas ficou a promessa de mais, se não do mesmo certamente de algo melhor. Obrigada a todos.






















Bolo crumble de morango com xarope de gengibre caseiro (na verdade é mais uma espécie de cobbler com base de massa de bolo)

P.S: estava eu à procura da origem do ketchup e descubro que a sua etimologia vem do dialecto chinês, sendo que o original em nada se assemelha ao nosso conhecido molho de tomate, açúcar, vinagre e especiarias diversas.





































Penne com atum, tomate e rebentos de soja

Para dizer a verdade nunca fiz qualquer alteração a este prato porque simplesmente nunca achei necessário. É suficiente tal como é, mais sabores só se iriam anular e criar confusão no paladar. Só se substituísse por exemplo o atum por camarão, o ketchup por hoisin e o tomate por pimento, por exemplo. Mas isso já seria toda uma receita nova. Fico-me pelo original. Nem a massa pequena eu altero.
O ketchup pode parecer aquela coisa que o pessoal lê e torce o nariz pensando "ketchup? Coisa banal!" mas acredito francamente que muitas vezes o banal pode ser o suficiente para atingir a excelência (vá, o muito bom). 

60g de penne, ou outra massa curta
1/2 cebola média, picada
1 lata pequena de rebentos de soja
1-2 latas de atum (dependendo da fome de cada um)
um fio de azeite, cerca de 1/2 colher de sopa
3-4 c. sopa de ketchup, ou mais a gosto
sal q.b

Ferver uma panela média com água salgada e colocar a massa para cozer, cerca de 8-12 minutos, até ficar al dente, o que varia muito conforme a qualidade da massa: a de marca branca e a de marca especializada infelizmente não tem nada a ver amigos, desenganem-se se acham que são a mesma coisa...
Entretanto preparar o resto da salada. Numa taça ou travessa larga, juntar a cebola picada, o atum despedaçado, os rebentos de soja, o ketchup, o azeite e um bocadinho de sal, não muito porque o ketchup já tem.
Quando a massa estiver cozida, escorrê-la por um escoador e passar por água fria até que deixe de ficar quente.
Adicionar a massa aos restantes ingredientes, envolver tudo, provar e ajustar o tempero se necessário.
Servir à temperatura ambiente ou fria.

serve 2


a ouvir: Fistful of Love - Antony and the Johnsons

24.5.12

Estes dias, algumas manhãs, uma árvore, memórias e uma viagem.


Os dias parecem exactamente aquilo que são, nem curtos nem longos. Começam cedo, pouco antes ou depois do Sol nascer, e eu de cabeça, alma e olhos frescos. Como se o almoço se avizinhasse longe nas horas, o pequeno-almoço é bem composto. Pão alemão e ovo são os maiores aliados ao gosto da boca e ao conforto do estômago. A seguir, agora que o chá não combina com mangas curtas, o café segue sempre. O tempo passa bem porque não o vejo passar, apesar de sentir a sua presença pela textura ondulada que o meu rabo adquire da cadeira de vime. Pela manhã alta abro a varanda e deixo entrar o cheiro inebriante do ligustro-chinês, para manter o espírito elevado.*

(É nesta parte que no meu caderno encontrariam uma divagação de uma página inteira sobre a memória e a indagações sobre a origem da necessidade em recuperar e preservar as nossas memórias mais profundas, não memórias de momentos mas de pensamentos. Para vos abster de possível enfado, passo para aquela parte que toda a gente gosta, sobre comida).

(Mas porque falava delas,) as memórias encontram-se na boca também. São essas as que mais gosto de desafiar. Hoje como tomate como quem come uma maçã, as iscas tornaram-se minhas amigas, a textura do agrião já não me obriga a deixá-lo à beira do prato e por vezes um bom gelado de chocolate pode me proporcionar o maior dos deleites. Por seu turno, a baba de camelo, que tanto me deliciava na minha infância, com pena minha, que é pecado cometeria com maior prazer, já ultrapassa a tolerância glicémica do meu paladar. Maionese e delicias do mar encontram-se de fora, e aí se manterão, bem como o diospíro e os néctares de pêra, manga e pêssego, não pelo sabor mas pela textura. Para quê beber uma substância espessa sem piada nenhuma quando posso comer, trincar, mastigar a coisa autêntica?















Hoje viajei à hora de almoço. Viajei para o Verão e viajei para as Arábias, seduzida por um israelita enraízado em Londres que, ainda que não o saiba, sabe bem do que gosto. Tabbouleh - um prato que me faz esquecer a fome provocada pelas horas perdidas em frente ao computador, para dedicar esmero, tempo e perfeccionismo ao corte do tomate, da cebola e da dose industrial de salsa e hortelã. Duplico a dose dos hidratos de carbono e faço deste acompanhamento original um generoso almoço que refresca e reinicia o corpo para as próximas horas de olhos no ecrã e rabo ondulado.

* Ligustrum sinense: passei duas horas à procura do nome deste arbusto só para o pôr aqui.



Tabbouleh
adaptado de Yotam Ottolenghi

Se verificarem a receita original que serve 4 pessoas, a quantidade de bulgur é mínima, provavelmente por este ser um prato de entrada ou acompanhamento. Deve ir óptimo com borrego ou mesmo um peixe grelhado. Como o fiz para refeição principal, senti a necessidade de aumentar bastante a dose do bulgur, acentuar o sabor da chalota e arrisquei "ornamentar" um pouco mais com um cheirinho a canela e noz-moscada. Pensando que canela e limão são melhores amigos, acabei por obter uma ligação final muito interessante.

60g de bulgur (usei médio)
1 tomate médio, maduro mas firme (150g)
1 chalota média (30g)
40g de salsa
8g de hortelã
1/4 c.chá de pimenta da jamaica
1 pitada de noz-moscada
1 pitada de canela
1 c.sopa de sumo de limão
30ml de azeite virgem-extra
sal e pimenta preta

Cozer o bulgur em água a ferver durante 7 minutos, apagar o lume e reservar tapado para que cresça.
De seguida, passar por um escoador fino sobre água fria corrente até que saia todo o amido e a água corra clara. Transferir para uma tigela média.
Cortar os tomate em pedaços de 0,5cm (uma faca de serra pequena é o ideal) e adicionar à tigela juntamente com todos os sucos do tomate. Picar a chalota o mais finamente possível e adicionar igualmente à tigela.
Unir os talos da salsa e apertá-los firmemente. Com uma faca grande e bem afiada, aparar o fim dos talos e picar as ervas o mais finamente possível, com uma grossura não superior a 1mm (se não conseguirem à primeira, piquem novamente com a ponta da lâmina). Adicionar à tigela.
Arrancar as folhas de hortelã dos talos, apertá-las firmemente e picar tal como a salsa.
Adicionar á tigela com o sumo de limão, o azeite, as especiarias, sal e pimenta. Provar, acertar o tempero e servir à temperatura ambiente.
Muito importante: não esquecer de levar uma colher para apanhar os maravilhosos no fundo da tigela.


serve 1



a ouvir: Traz d'Horizonte - Cesária Évora



3.5.12

cinzento-vento-tento-lento-tempo-alimento

Bird by bird, repito para mim. Enquanto lentamente ultrapasso a indignação, elimino a vontade de berrar e a auto-vitimização, até conseguir relaxar o corrugador do supercílio e confrontar a desmotivação crónica que me afecta os maiores prazeres, liberto-me da rotina através da rotina, na cozinha. Sempre diferente, fácil, rápido, sem pensar. Apenas para aproveitar.




spaghetti aglio e oglio, como quem diz esparguete salteada com azeite, alho, salsa e malagueta.


risotto super fácil (sem caldo de legumes, com este molho na base do refogado e vinho tinto a substituir o vinho branco) com tomate e oregãos. No cheese needed. 
(incrível como se apanha rapidamente o jeito a um prato destes. E quando se cozinha para um é menos de metade do tempo)


pseudo-queijadas com restos de massa filo, queijo creme, ovo e doce de abóbora da Lídia que precisava de ser acabado. Quente, estaladiço, leve, cremoso e doce q.b.


p.s. agora que reparo: salsa da avó, oregãos do tio e doce do avô.



a ouvir: Fast Car  - Tracy Chapman