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22.10.14

manhãs e chávenas partidas.

A vida é feita de pequenas verdades criadas no nosso intimo que constituem fundamentalmente a nossa realidade pessoal. Qual semiótica, construímos signos cujo significante está à vista de toda a gente, mas significados pessoais e intransponíveis, que não sentimos senão através das nossas entranhas enroladas, do coração acelerado, do sorriso rasgado, da mente dispersa e das lágrimas escorridas.
Agarramo-nos a ideias para fundamentar a nossa fé e adquirimos e criamos incessantemente momentos, objectos, memórias, coisas que nos dão a sensação de pertença, de certeza e de eternidade. É o peso que nisso colocamos que dá substância à nossa vida. Mas ao contrário de quando criamos essa verdade, não controlamos a sua permanência e, enquanto continuamos agarrados à ideia dessa verdade, ela lentamente desaparece para dar lugar a outra coisa.
E ficamos ali, sós, sem aquela pertença ou certeza ou eternidade. E o chão cai.  Ficamos com o objecto e a ideia na mão, como uma chávena partida que já não dá para reparar, mas que não queremos deitar fora porque é linda demais, porque é dele, ou porque foi daquele momento, porque pertence a um lugar. Porque nos pertence e não queremos aceitar que dela já não bebemos mais.
Resta olhar para todas as outras que temos no armário e ver como são lindas essa que se partiu. Resta acima de tudo aproveitá-las e enchê-las com um belo chá, ou café, ou leite, estar grato por haver chávenas e por haver com que enchê-las. Resta arranjar mais.

E haverá sempre a manhã seguinte para delas beber.



Requeijão com mel, amêndoas tostadas e romã.



a ouvir: Changes - Seu Jorge

15.9.14

verde

Há coisas que ficam. Não me lembro quando foi a primeira vez que fiz isto, mas já foi há muito. Mas estava tão bom que não foi a tempo da foto. Mas não me preocupei, porque na altura soube que iria ter muitas, muitas oportunidades para a tirar.

Passadas essas muitas, muitas oportunidades, eis que surgiu a dita.



Tartine de centeio e sementes de girassol, barrada com abacate impecavelmente maduro, com lâminas de cebola, maçã verde e finalizada com sumo de lima, coentros picados, um fio de azeite, pimenta preta e flor de sal, claro!




a ouvir: Frescobol - D'Alva

10.7.13

quick quick slow

Começo por deixar aqui o meu programa de rádio preferido. Só não gosto muito do nome. Mas de certeza que o Júlio Machado Vaz e a Inês Menezes fariam uma edição de fim-de-semana fascinante sobre quem não gosta de nomes de coisas com forte conotação amorosa, ou como direi eu, lamechas. Eles tem conversas fascinantes sobre qualquer coisa. Fazem uma pessoa sentir-se bem, ainda que não ande especialmente bem. Não que seja esse o caso que me trás aqui hoje. Pelo contrário. Porque falavam à dias do direito à tristeza. E algures naqueles cinquenta minutos de conversa de café + conversa de imperial + consultório psiquiátrico, JMV conta que um dia alguém lhe disse que ele não escrevia porque "ainda não estava angustiado o suficiente".
É. A escrita é um ansiolítico. Mais, é uma espécie de Valdispert e Memofante auto-produzidos. Às vezes também faz o contrário...

É isto. Nos últimos dias a minha única angústia é com as melgas à noite e escolher a roupa para trabalhar, de maneira que vá o mais fresca possível e mantendo o mínimo de decência. É nestas alturas que tenho saudades de trabalhar em casa, onde a decência ficava à porta.




num daqueles raros dias da semana em que me decido a vir para casa a seguir ao trabalho: tartine de pão de centeio com cogumelos pleurothus salteados em lume forte com azeite, alho, limão e salsa e lascas de queijo de ovelha curado Alentejano. E um copo de Esteva tinto (no pictured).
Para fazer rápido rápido. E comer lento.



a ouvir: When I'm small - Phantogram

25.6.13

crumpets nhom nhom

O titulo é ridiculo, eu sei. Mas é a onomatopeia que me ocorre para descrever estes bolinhos não doces, que tem a textura de uma tigelada mas que não levam ovos, fofinhos e altamente absorventes do que quer que se ponha sobre eles. Ia estabelecer uma comparação com o pão alentejano e o pão alemão - os meus predilectos - mas não o vou fazer. Até porque mesmo entre esses dois não pode haver qualquer tipo de comparação. São opostos mas igualmente bons.

Se descobrir onde se compra estas coisinhas em Terras Lusas, eu direi. Oh se direi... nhom nhom.

E eu sei que ainda não falei de Londres... mas hei-de fazê-lo. Ou então não e também não faz mal.


nts*:
leite fresco no Verão
Dulce Maria Cardoso na Granta 
descer a Alameda descalça a caminho do trabalho.




 Com maçã verde, mel e leite fresco.




 Com xarope de agave, uvas e leite fresco.




Com manteiga, ovo escalfado e um sumo de maçã.


*note to self




a ouvir: Underwater Love - Smoke City

14.5.13

Quando a comida surpreende #1

E foi isto o melhor que comi em Londres. O pequeno-almoço no Broadway Market.

Ou pelo menos, o que melhor me soube. Isto e um hamburguer com batatar fritas com uma Heineken de 1/2 litro (aka pint) à pressão.



Bagel de queijo-creme e salmão fumado com sumo de beterraba, maçã, cenoura, gengibre e uma espremidela de limão. Glorious.


a ouvir: While You Wait for the Others - Grizzly Bear

23.2.13

from the heart

Comida simples, boa, que apetece.

Simples naco de vitela grelhado, uma bruta quantidade de feijão verde cozido al dente e um molho fantástico e cheio de sabores com azeite, mostarda, alho, un petit peu de limão, orégãos secos, sal e pimenta.




Poejos. Ideal para amainar a nostalgia da veia alentejana das meninas de cá de casa num dia de Inverno, aliando a vontade de criar com o que há no frigorífico. 
Massa com pescada, bacalhau e camarão com um molho feito da água da cozedura da massa e do peixe e com o caldo de uma cebola picada e um bom punhado de poejos picados, tudo refogado num bocadinho de azeite, triturado e emulsionado rapidamente com um ovo batido.




Almoço de hoje. Obrigada Pedro pela sugestão. Obrigada senhor do ECI por não me fazer sentir tão estranha em pedir 15g de um presunto de 175€/kg. 
Sandes de chapata com finas tiras de presunto ibérico Cinco Jotas Paleta Ibérica.
Valha-me deus, já gosto de presunto.


Tão estranho sair do trabalho e ter o Sol do fim do dia a bater-me bem forte na cara, acalmando o frio que ainda me entra pelas entranhas através pelos buracos do cachecol. Tão bom esse Sol.
Não é por nada, mas já tenho saudades da Primavera.



a ouvir: Come Together - The Beatles

31.1.13

Aviso especial à Ana e o Bom-dia que lhe dedico em jeito de Obrigada

Para a Ana, a "leitora permanente" - palavras suas - que, compõe juntamente com a quantidade esmagadora de três outros seres o agregado de visitantes assíduos deste espaço:

Quando vocês me assaltam com vagas de ternura com mensagens privadas, agradecendo, apreciando, elogiando e outros grandes verbos "grandes" de mais para aquilo que alguma vez imaginei que este blog poderia inspirar, fico desarmada. A ti, hoje especialmente, obrigada, obrigada, obrigada. Não te preocupes, isto vai continuar. A cena dos vícios é que sabem bem e custam a parar. Posto isto, até que me canse. A minha ausência ou reduzida actividade deve-se apenas ao facto de neste momento sinto que a minha vida é uma daquelas caixas surpresa, às quais devo dizer que não acho grande piada e que até acho meio assustadoras, mas neste caso totalmente entusiasmantes e absolutamente recheadas de potencial prestes a tornar-se realidade a qualquer instante. É a minha vida a começar, por fim. Sou eu a chegar ao "Agora" que responde à pergunta "Quando chega a minha vez?" colocada por mim, mais vezes do que gostaria.




pão preto da Quinoa, com queijo creme e sumo de romã: é fantástico! Adoro comer romã, mas quando se lhe são retirados todas as pevides que lhe conferem acidez transforma-se num néctar dos deuses.


É verdade, já tenho carta. Diz a sabedoria popular que algo doce antes do exame é sucesso garantido. Da primeira vez o sucesso decidiu ficar a dormir, mas decidi não agoirar e repetir a dose, com algo diferente.



Laranjas com calda de caramelo e papas de aveia + Earl Grey. 
É o Céu na Terra às 8h da manhã.



a ouvir: Radio Radar

20.12.12

É de manhã que se começa o dia e que se anuncia.



pão alemão com mel de urze, laranja e iogurte natural. Café.



Este blog tem um apêndice que ao contrário daquele nasce conosco e que não serve para nada, espero que sirva para muita coisa boa, para mim e para vocês. 
Eu tenho um sonho (tenho bastantes até, mas fiquemo-nos por este) e uma paixão. 
Se me ajudarem, a minha paixão tornar-se-á em parte vossa e assim, recheando a pouco e pouco a minha carteira, garanto-vos que da mesma maneira rechearei da maneira mais doce os vossos momentos mais especiais. 


O meu acanhamento leva-me a escrever isto por meias palavras, mas dito de uma maneira mais bruta, para o caso de não ter ficado claro, significa que preciso de ajuda. Vou para fora mas não o posso fazer de bolsos vazios. Por isso estou a fazer doces para por encomenda: bolos, tartes, pastelaria, bolachas, barras biscoitos, doces de colher e outros pedidos e sugestões que me queiram propor. Se me quiserem ajudar, façam os vossos pedidos e eu garanto-vos algo fantástico e totalmente diferente.
Obrigada.


a ouvir: Give Out - Sharon Van Etten

23.10.12

Mimos do Poial - o feijão

O cabaz que recebi da terra do Poial é uma pequena grande aglomeração de potencial. Fiz um inventário na hora, claro. As ervas foram para um muito improvisada, muito feia e muito saborosa salada morna de batata doce, um dos minis pimentos e requeijão.

Um raminho de: alecrim, funcho, tomilho, manjerona e cebolinho, tudo bem picadinho e envolvido no requeijão. Depois o calor que emana da batata doce grelhada e o azeite fazem o resto, intensificando e misturando os sabores numa só garfada.





O topinambo, que não era mais que uma amostra, valeu-me para uma sopa pseudo-tailandesa de udon noodles, juntamente com uns pimentos.



Com as malaguetas tem sido mais complicado decidir o que delas fazer. Por muito atractiva que seja a ideia de fazer um chutney que encontrei no Culinário de 2008 ou um dos molhos de algum dos meus autores de referência, a verdade é que picante lá em casa, só com bastante moderação, ou pelo menos nada que se compare ao valente palato dos mexicanos ou dos tailandeses. Com elas fiz este molho até agora. É super versátil, tendo já servido uma colherada generosa sobre um peito de frango, refogado num arroz de pimento e dando um twist refrescante a uma posta de pescada cozida.


Depois há (havia!) o feijão longo e aquele poblano negro, de destino marcado desde que lhes pus os olhos em cima.

Por hoje fiquemo-nos pelo feijão. Lembrei-me logo do momento em que a Joana nos mostrou aqueles longos fios em que não dá para perceber onde acaba o ramo e onde começa o fruto, dizendo que, por serem tão tenros e finos, não é necessário cozê-los previamente antes de fritar nem retirar os fios. Inspirada pela tempura do Tomo, enchi-me de coragem e enfrentei os meus demónios da fritura. Fiz peixinhos da horta. Na verdade, foi mais tempura que os nossos conhecidos petiscos, porque a massa é feita apenas com cerveja e farinha.
Foi este o nosso jantar, com uma singela posta de bacalhau e um molho de tomate que com um ingrediente especial passa de modesto a magistral, dando gosto e sabor a estes tempos que não perdoam, cujas amarguras por vezes não conseguimos evitar de levar para a mesa.




Tempura de feijão longo e feijão-verde com molho de tomate e bacalhau

Esta tempura é apenas uma das mil variantes existentes, pelo que não é, de todo, a que mais aconselho a fazerem - até porque para isso teria de ter feito mais do que uma maneira para compreender bem as diferenças. Façam como acharem melhor para vocês.
A avaliar pela fotografia, escusado será dizer que ficou longe de perfeita, mas apesar de tudo sentia-se o crocante do polme e do próprio feijão, que não quis cozer completamente e sentia-se aquele sabor típico a frito mas com a leveza da tempura. O mais importante é que mais que os três elementos como um todo funcionam mesmo muito bem e esta é de facto a razão mais importante que me levou a colocar aqui esta receita.
O molho de tomate é incrivelmente versátil, de maneira que não se preocupem se sobrar porque certamente encontrarão outras oportunidades para o utilizar: sobre um torricado, juntar grão para fazer uma sopa com um ovo escalfado ou envolvido com atum desfeito e massa, o hidrato de carbono todo-poderoso que salva qualquer crise de inspiração. Eu passei-o no final para ficar homogéneo e para envolver melhor o bacalhau e o feijão, mas podem sempre deixá-lo inteiro.

 350g de feijão verde, feijão longo ou uma mistura
900ml de óleo (que faça 5cm de profundidade numa frigideira de 3 litros)
1 cháv. de farinha
1 cháv. (240 ml) de cerveja

2 1/2 c.sopa de azeite
1 1/2 c.chá de cominhos
1/2 c.chá de pimentão doce
2 c.chá de canela
1 cebola média, picada
125ml de vinho branco
400g de tomate em lata
1 malagueta sem sementes, finamente picada
1 dente de alho, esmagado
sal e pimenta q.b
salsa, picada

4 postas de bacalhau


Escaldar apenas o feijão verde durante 4-5 minutos, ou totalmente cozidos, conforme preferirem.
Aquecer o óleo na frigideira.
Bater a farinha e a cerveja numa tigela. e mergulhar cerca de 10 feijões de cada vez na massa.
Testar o óleo pingando um pouco da massa na frigideira. Se começar a fritar instantaneamente e a borbulhar é porque está pronto para fritar. Nessa altura, adicionar os 10 feijões de cada vez e fritar cerca de 1,5-2 minutos, até a massa estar bem frita e estaladiça.
Retirar o feijão da frigideira, colocar sobre papel absorvente e polvilhar com sal.

Para fazer o molho, aquecer o azeite numa frigideira larga.
Adicionar as especiarias e a cebola e cozinhar por 8-10 minutos a lume brando, até a cebola ficar completamente mole.
Adicionar o vinho e levantar fervura durante 3 minutos. Juntar os tomates esmagados, a malagueta e o alho. Cozinhar 15 minutos a lume brando até engrossar bastante.
Ajustar o tempero e passar tudo até que fique um molho uniforme mas não totalmente liquido. Reservar tapado. Na altura de servir, polvilhar com salsa.

serve 4


a ouvir: Warsaw - Sharon Van Etten

17.10.12

They keep on coming





Dão-me os bons dias e um sorriso todas as manhãs, ao acordar.


Acabei de passar os olhos pelo texto anterior e tenho de pedir desculpa as gafes e erros enormes que dei (mais que o habitual). Apesar de ser transcrito do papel, foi um trabalho de corte e costura extenso e confesso que, depois de colocar a última fotografia, não tive paciência nenhuma para o reler. My bad. Por outro lado foi confortante relê-lo acompanhado das imagens, como uma história ilustrada.


a ouvir: Kreuzberg - Bloc Party

8.10.12

Falham-me as palavras, tanto que não consigo arranjar um título decente para este texto

pêras cozidas com papas de aveia. Não exagero quando digo que esta é para mim uma das maneiras mais reconfortantes de começar o dia. As pêras quanto mais maduras melhor, e o micro-ondas é o melhor amigo para as cozer, transformando-as em tenros e doces pedaços de aconchego.


Ultimamente falham-me as palavras. Parece a combinação do exercício vocabular que tenho feito nos últimos dias para dar um novo início à minha vida com a falta de propósito que sinto, ainda que me recuse a parar, provocou um curto circuito na minha cabeça, uma certa dislexia. As ideias estão cá más não as consigo identificar ou conjugar num simples texto ou frase concisos. Estou "desarrumada" e as minhas ideias parecem a roupa enrolada que tenho enfiada no armário, para disfarçar a confusão.  Combinando isso com o meu over-thinking constante é uma mistura explosiva. Começo a procurar padrões e respostas para imensas questões cujas quaisquer conclusões a que chegue refuto no momento seguinte, e chego à conclusão que há mais aleatoriedade nas coisas do que posso imaginar. Nem tudo funciona na lógica de causa-efeito. Quando não consigo escrever em casa muito provavelmente a razão para isso é nada, ou se há efectivamente uma razão para esse dia provavelmente é tão forte como outra razão para não conseguir escrever em casa noutro dia qualquer. Como quando às vezes um almoço rápido de improviso que seria aparentemente infalível desilude completamente e ponho-me a pensar o porquê quando devia esquecer e andar para a frente.
Há uma semana que ando a tentar escrever um texto que está ainda longe de fazer justiça ao seu conteúdo. Mas a esforço vou chegar lá, aguardem. Por agora fico-me com coisas que não exijam mais que uma panela, colher de pau e um botão do micro-ondas.


Fui apanhar nozes à minha avó.


a ouvir: Broken Brights - Angus Stone

11.9.12

Três feijões, nenhuma receita, o tempo, a leveza e a tontice da previdência.

Ultimamente tenho-me confrontado bastante com exemplos que exploram a natureza do homem em querer planear as coisas, ser previdente e tomar todo o tipo de precauções que o levam a crer ter o futuro mais assegurado. É curiosa esta atitude quase estúpida (louca, diria o Einstein) de continuarmos a ter os mesmos comportamentos para que nos tragam algo quando a História já por muitas muitas vezes demonstrou que não é isso que acontece. É uma tontice. É um paradoxo em que, se por um lado somos seres empíricos, acreditando que a experiência leva ao conhecimento e geralmente considerando os mais sábios como os mais experientes e os tomamos como referência, por outro lado seguimos-la - a experiência - cegamente para o bem e para o mal, e ignoramos precisamente aquelas que não podemos ou queremos passar do particular para o geral. Fazemos isso porque o que não planeamos, o que é fruto do acaso ou aquilo que não apreendemos sequer enquanto experiência, acaba por ocupar uma esmagadora parte da nossa vida e temos demasiado medo de nos deixarmos à confiança do inesperado. Tal como Jacques (o de Diderot) diz, a prudência não nos dá garantias de nada a não ser o consolo de que não fomos imprudentes e desculpa-nos dos maus resultados.

Sinto leveza e sensação de missão cumprida, livre para poder dedicar a minha mente ao que lhe apetece, num equilíbrio perfeito entre o que puxa à emoção e o que puxa à razão, entre o necessário e o supérfluo, sem pensar que devia estar a fazer outra coisa. Isso, e o ter tempo são as premissas fundamentais para saborear a vida, porque no fundo é dela que se trata, quer esteja a passar roupa a ferro ou a dar uma caminhada entre a terra e o céu, em Sintra. E maior é o alívio quando compreendo que essa falta de disponibilidade para saborear muitas coisas, de clareza de ideias e de leveza geral, que tanta ansiedade e frustração me causa, deve-se na verdade a essa coisa tão simples e tão matreira que é o tempo. Te-lo nas mãos e não saber o que fazer com ele. Ando, andamos e sempre vamos andar, uns com mais sucesso que outros, com o tempo nas mãos como uma massa de moldar. E é assim, não me apetece prolongar mais a metáfora.

umdoistrêsquatro
um_ Quando eu pensava que sofria de um mal sem nome, afinal ele existe e já escreveram sobre ele.
dois_ É esta uma das minhas ambições, tantas vezes lida e descrita por escritores que me são tão queridos 1 - 23, que é ter a disponibilidade imensa para ver os outros, ser empática, ter um vislumbre de beleza em tudo que encontre.
três_ Não ver mais filmes com o Ryan Gosling antes de dormir.
quatro_ Directo, Completo, Reflectido. Com muito prazer e um muito obrigada.


Cada vez mais tenho sentido a vontade de simplesmente postar aqui umas fotos bonitas e uma breve descrição da coisa. A receita ocupa tempo e paciência e o que eu posso mostrar aqui é o prazer gastronómico que tenho a comer estas coisas. Quantidades e modos de confecção deixo para outros que fazem melhor essa tarefa.

Ultimamente tem sido feijão, pão e queijo.
Para hoje será o feijão. Brevemente o queijo. O pão é sempre.




Grelhei meia beringela pequena até ficar completamente mole e bem marcada e depois esmaguei-a com um garfo juntamente com um dente de alho, uma mão cheia de feijão branco cozido, umas folhas de manjericão frescas, sal, pimenta e um fio de azeite, claro.




Salada de feijão vermelho com aipo - talo e folhas aproveitadas, um bom ramo de salsa picada, nozes tostadas e um molho rápido de parmesão fresco ralado, azeite e limão, inspirado aqui.




Branqueei um molho de feijão verde lindo (na primeira foto dá para ver que não eram bem verdes, mas mudam de cor com o calor) e depois salteei num pouco de óleo com seitan cortado aos pedaços e por fim envolvi num molho rápido de leite de coco, cebola, malagueta, limão e coentros, inspirada uma vez mais neste molho da Heidi Swanson.



a ouvir: Where did all the love go? - Kasabian

9.8.12

Pontos altos de um dia baixo


Muesli simples com iogurte e damascos.



Isto, deitar-me na relva da Gulbenkian, e esta frase, para justificar o porquê de ir para a cama às 22h.



Finish each day and be done with it. You have done what you could. Some blunders and absurdities no doubt crept in; forget them as soon as you can. Tomorrow is a new day; begin it well and serenely and with too high a spirit to be encumbered with your old nonsense.

Ralph Waldo Emerson


Mais das minha "polpa "aqui.



a ouvir: Owner of a Lonely Heart - Grizzly Bear

19.7.12

depois de correr


batido de leite e cereja.

Acordar às 7 para correr. Depois das 10 o calor já não se aguenta.
Há uma grande ciência, por vezes duvidosa, no que diz respeito à alimentação pré e pós exercício, deixem-me que vos diga.


p.s. serei eu a única pessoa a não achar piada nenhuma à ideia de um gelado de pastel de nata?? Então e o crocante da massa? E a textura do creme? E o aroma quente que nos entra pelas entranhas? 

27.6.12

Estava eu a fazer gaspacho quando tive uma ideia



Então e se eu lançar uma fanzine daqui do sítio?


Salada de gaspacho e couscous e isto em repeat. Grande misturada, eu sei. Sou bastante ecléctica.

19.6.12

Uma sandes de Verão que sabe a salmão



Nada melhor que comer ao ar livre. Nada melhor que comer ao ar livre num oásis no meio da cidade (algures entre a Avenida de Berna e a António Augusto de Aguiar). Não há nada melhor que isso tudo com uma boa companhia.

As fotos que se seguem resultam do esquecimento da fotógrafa em fechar o diafragma da máquina e da impaciência negra das intervenientes para passar à fase de devoração do produto apresentado.



Sandes de salmão fumado e beterraba
As doses não são ciência. Adoro a textura crocante da beterraba e do seu sabor forte e singelo, por isso uso e abuso, enquanto que o sabor acentuado mas suave da fatia de salmão é suficiente para marcar presença. O queijo dá cremosidade, a rúcula a acidez, o cebolinho o aroma e a mostarda é a "cereja picante" que liga tudo. O pão, é pão. Vale tudo menos de forma, por favor.

2 fatias de pão saloio
1 colher de sopa de queijo creme
1 fatia ou mais de salmão fumado
1/2 beterraba média, descascada e cortada em fatias inteiras muito finas
1 punhado de rúcula
cerca de 10 hastes de cebolinho (não contei, mas deve ser algo assim)
1 colher de sopa de mostarda

Barrar uma fatia de pão com o queijo, e outra com mostarda.
Cobrir a fatia com queijo com os ingredientes pela ordem listada acima.
Tapar com a outra fatia.
Comer.

serve 1



a ouvir: Desdenosa - Lhasa de Sela











     















3.5.12

cinzento-vento-tento-lento-tempo-alimento

Bird by bird, repito para mim. Enquanto lentamente ultrapasso a indignação, elimino a vontade de berrar e a auto-vitimização, até conseguir relaxar o corrugador do supercílio e confrontar a desmotivação crónica que me afecta os maiores prazeres, liberto-me da rotina através da rotina, na cozinha. Sempre diferente, fácil, rápido, sem pensar. Apenas para aproveitar.




spaghetti aglio e oglio, como quem diz esparguete salteada com azeite, alho, salsa e malagueta.


risotto super fácil (sem caldo de legumes, com este molho na base do refogado e vinho tinto a substituir o vinho branco) com tomate e oregãos. No cheese needed. 
(incrível como se apanha rapidamente o jeito a um prato destes. E quando se cozinha para um é menos de metade do tempo)


pseudo-queijadas com restos de massa filo, queijo creme, ovo e doce de abóbora da Lídia que precisava de ser acabado. Quente, estaladiço, leve, cremoso e doce q.b.


p.s. agora que reparo: salsa da avó, oregãos do tio e doce do avô.



a ouvir: Fast Car  - Tracy Chapman