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7.7.13

Descritivo de memória - a primeira tarte



Da primeira vez que fiz esta tarte, há cinco anos atrás, pensei "mal posso esperar para fazer um piquenique!" implicitamente imaginando-a no centro da toalha.
Há cinco anos atrás, tudo nesta tarte era novo, dos ingredientes à confecção. A área da casa era o meu quarto e a sala, não a cozinha (ou pelo menos não o a tábua de corte e o fogão). O queijo feta era-me totalmente desconhecido. A quantidade de cebola picada que na altura me parecia astronómica, fazia-me chorar ao fim de meio minuto a cortá-la. O know how de gestão e economia de meios e tempos era nulo.  A completa falta de noção para o que seriam 100ml, a massa comprada folhada em vez de filo, o espinafre descongelado e espremido toscamente que depois resultou em liquido a escorrer pela base amovível da forma da tarte para o fundo do forno. Tudo a conjurar para ser uma experiência a não repetir, não fosse o gozo que me deu ver o resultado final do meu árduo esforço e empenho e, claro, não fosse o sabor.


Hoje, finalmente, o piquenique chegou. E com 5 anos de ligeira obcessão e dores de cabeça, encantos e desencantos, queimaduras e revelações, experiências e experimentações, gostos adquiridos, ensinados e, atrevo-me a dizer, aprimorados, faço-a e como-a com a mesma satisfação da primeira vez. Agora a cebola corta-se em dois minutos, o espinafre é escorrido e descongelado com antecedência, a massa escolhida de acordo com o mood do momento, uma coisa ali acrescentada, outra retirada, técnicas aprimoradas e o contentamento de sentir que é mais uma receita que já faz parte de mim. Do meu repertório, se quiserem. Não tem tanto a ver com ser original ou de minha autoria, mas antes com uma sensação de entendimento, de domínio e familiaridade com o processo e resultado. Como se fosse um quarto, uma divisão da casa, ou mesmo uma cidade, um lugar onde passamos tanto tempo ou que é tão especial para nós que se torna uma extensão nossa. Já conhecemos os quatro cantos mas podemos experimentar tudo o que quisermos nela, com a confiainça de quem sabe o que faz, sabendo sempre, igualmente, voltar o seu estado original.



Tarte de Espinafres e Feta
adaptada de Everyday Food

Não se porque fiz aqueles cortes horrorosos na massa da tarte, foi mais um reflexo condicionado do hábito de fazer tartes de massa quebrada. Com massa filo fica muito mais espectacular e rica na textura, mas eu não estava para aí virada, além de saber que, muito provavelmente, com o calor e o efeito de estufa que se ia criar dentro da boleira, de estaladiça não ia ter nada.

60ml + 1 c.sopa de azeite
2 cebolas médias, picadas
3 dentes de alho, picados
sal grosso e pimenta preta fresca moída
840g de espinafres congelados, secos e bem espremidos
225g de queijo feta, desfeito em pedaços 
1/4 cháv. (4 c.sopa cheias) de queijo parmesão fresco, ralado
1/4 cháv. (4 c.sopa cheias) de pão ralado seco
1/2 cháv. salsa fresca, picada
4 ovos grandes, batidos
110g de folhas de massa filo, enrolada e cortada em tiras de 1-2cm ou 1 embalagem de massa folhada

Numa frigideira larga anti-aderente, aquecer os 60ml de azeite a lume alto. Juntar as cebolas e mexer até ficarem translúcidas, cerca de 4 minutos. Adicionar o alho e 1 c.chá de sal grosso e refogar até o alho amarelar, cerca de 2 minutos.
Transferir a mistura para um recipiente grande. Juntar os espinafres, os queijos, o pão ralado, a salsa, 1/2 c.chá de sal, 1/4 c.chá de pimenta, os ovos (guardar cerca de 1 c.sopa de ovo batido para a massa folhada) e envolver tudo muito bem, mas cuidadosamente para não empapar.
Dispor a mistura numa forma de fundo amovível com cerca de 22-24 cm e premir firmemente por toda a base.
Entretanto pré-aquecer o forno a 190ºC.
Num recipiente largo, colocar as folhas de massa filo e envolver com a colher de sopa restante de azeite. Dispor as folhas sobre a tarte folgadamente, cobrindo todo o topo. Para usar massa folhada, basta estendê-la com o rolo até que ganhe dimensão suficiente para que cubra toda a superficie da base e pincelar levemente e por igual com um resto do ovo batido.
Levar a tarte ao forno até a massa ficar bem dourada, cerca de 30/40 minutos.

serve 6 como prato principal, 8-12 como parte de vários pratos



Tapada das Necessidades pelas 15h da tarde, sabe deus com quantos graus á sombra.
Sushi, uma melancia de 7kg, umas coisas horríveis que chamam batata frita, cerveja, sumo, água, cerejas maravilhosas, damascos, petiscos e outros folhados.
A toalha toscamente arrastada de 15 em 15 minutos até chegar à última réstia de sombra existente.


a ouvir: Golden Light - Twin Shadow

3.7.12

lord help me 'cause the beach is a beach.

Gosto de praia com conta peso e medida. Isto é, adoro apanhar Sol sem fazer absolutamente nada, adoro dar mergulhos e nadar mesmo que nos breves segundos iniciais o gelo da água me faça perder a respiração, gosto de jogar raquetes, gosto de ouvir conversas das toalhas vizinhas ("holla como estas? Pois jo estoy bien, mejor que tu no?heheh" ou "Mãe castiga a Zezinha que ela perdeu 1,10€ do troco na areia!", ou "oi soi doisa liv ericksen...") correr e dar caminhadas, pensar no que vou fazer no próximo grande jantar, eventualmente em projectos (isto porque quem corre por gosto não cansa (espero)), na morte da bezerra ou não pensar em absolutamente nada - mas quanto baste. Regra geral, a não ser que circunstâncias extraordinárias o exijam, três horas chegam-me bem e olhem lá. Prefiro ir de manhã porque o dia está fresco como roupa branca lavada.
Na minha jornada de duas horas de transporte de regresso a casa planeio confiante (e esfomeada) o que fazer para almoçar e a ordem de trabalhos para o resto do dia. Pois entre o deve e o haver vai uma grande diferença, e a preguiça é de longe o pior dos meus pecados. Para preparar o almoço ainda se encontra envergonhada, mas de barriga satisfeita e banho tomado revela-se em todo o seu esplendor.

Para não variar continuo a sentir que de alguma forma tenho de me desculpar por aquilo que por vezes aqui coloco roçar a simplicidade extrema e de original tem pouco ou nada. Mas para não variar e por mais foleiro que soe, este manifesto não é sobre comida, é sobre mim. Em boa verdade, todos os blogues pessoais são incontornavelmente sobre quem o escreve e ninguém que se expõe declaradamente se vai desculpar daquilo que é.

Hoje era isto que queria e que me soube bem comó caraças. (Uso muito esta expressão, mas vê-la escrita fica feio...)




































Tortilla de queijo de cabra, fiambre, vegetais e manjericão
O queijo que usei é da marca Santiago e adorei ainda mais que o chévre, que apesar do sabor semelhante é mais suave e tem uma textura igual ao nosso requeijão, que prefiro pela sua frescura à cremosidade do queijo francês.

1 tortilha média
130g de queijo de cabra fresco (usei 1 embalagem)
1 fatia fina de fiambre da pá
1/4 de pimento verde
1 tomate chucha pequeno (ou outro que tiverem à mão desde que esteja maduro)
1 ramo de manjericão, apenas as folhas
vinagre balsâmico q.b
azeite q.b
sal  e pimenta q.b

Cortar o pimento em tiras muito finas, temperar um umas pedrinhas de sal e grelhar a lume alto até ficarem chamuscadas e moles. Remover e reservar.
Cortar o fiambre em tiras finas (cerca de 2cm), o tomate às rodelas finas (0,5cm) e reservar.
Retirar o queijo da embalagem e escorrer bem o soro para não ensopar a tortilha e reservar também.
Na mesma grelha colocar a tortilha durante 1 minuto, ou o suficiente até ficar tostada. Virar do outro lado e cobrir com o queijo desfeito, seguido das tiras de fiambre, tomate, pimento e por último as folhas de manjericão. Regar com um fio de azeite e vinagre balsâmico, temperar com pimenta e um bocadinho de sal e servir de imediato.

serve 1


a ouvir: Motion Sickness - Hot Chip