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20.12.12

É de manhã que se começa o dia e que se anuncia.



pão alemão com mel de urze, laranja e iogurte natural. Café.



Este blog tem um apêndice que ao contrário daquele nasce conosco e que não serve para nada, espero que sirva para muita coisa boa, para mim e para vocês. 
Eu tenho um sonho (tenho bastantes até, mas fiquemo-nos por este) e uma paixão. 
Se me ajudarem, a minha paixão tornar-se-á em parte vossa e assim, recheando a pouco e pouco a minha carteira, garanto-vos que da mesma maneira rechearei da maneira mais doce os vossos momentos mais especiais. 


O meu acanhamento leva-me a escrever isto por meias palavras, mas dito de uma maneira mais bruta, para o caso de não ter ficado claro, significa que preciso de ajuda. Vou para fora mas não o posso fazer de bolsos vazios. Por isso estou a fazer doces para por encomenda: bolos, tartes, pastelaria, bolachas, barras biscoitos, doces de colher e outros pedidos e sugestões que me queiram propor. Se me quiserem ajudar, façam os vossos pedidos e eu garanto-vos algo fantástico e totalmente diferente.
Obrigada.


a ouvir: Give Out - Sharon Van Etten

19.10.12

Memória. E um (escrito de memória).

escudos, 2008


1. Um pequeno depósito de incredulidade no fundo dos teus olhos
2. Um breve estremecimento no movimento do coração (do meu coração)
3. A impressão de alguém olhando-te atrás de ti.
4. Uma voz familiar num sítio cheio de gente (que só tu ouves dentro de ti).
5. Um súbito silêncio entre as sílabas de certas palavras que fica depois a pairar perto dos lábios
6. A ignorância de alguma coisa que ainda não sabes que não sabes.
7. Uma palavra só, aguardando, uma palavra que basta dizer ou não dizer, abrindo caminho entre ser e possibilidade.
8. O que não sou capaz de dizer, dizendo-me.
9. Eu (um lugar vazio) para sempre; tu para sempre.
10. Outras duas pessoas de que outras duas pessoas se lembram.
11. Esse país estrangeiro, o tempo.


Manuel António Pina





4.10.12

Hello friends,

Lord Henry sorriu.
- Todos gostam de dar aquilo de que mais necessitam. É o que eu chamo o cúmulo da generosidade.
-Oh, o Basil é o melhor dos homens, mas parece-me um bocadinho filistino. Descobri isso desde que o conheci a si, Henry.
- O Basil, meu caro, põe na obra tudo o que nele há de encantador. A consequência é que nada lhe resta para a vida, a não serem os seus preconceitos, os seus princípios e o seu senso comum. Os únicos artistas que tenho conhecido, se são pessoalmente deliciosos, são maus artistas. Os bons artistas existem simplesmente no que fazem, e, por conseguinte, no que são nenhum interesse despertam. Um grande poeta, um poeta realmente grande, é a menos poética de todas as criaturas. Mas os poetas inferiores são absolutamente encantadores. Quanto piores são as suas rimas, mais pitorescos eles parecem. Só o facto de haver publicado um livro de sonetos de segunda classe torna um homem deveras irresistível. Vive a poesia que não pode escrever. Os outros escrevem a poesia que não ousam realizar.

O retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde

Adoro absolutamente estas personagens e Henry é a mais perfeita do género. Teorias imensas, sabedoria questionável mas de lábia admirável. Podemos nunca sequer ter pensado nisso até ao momento em que as lemos, podemos não concordar com elas ou podemos até ter sido de opinião completamente contrária até à altura, mas não lhes ficamos indiferentes e não temos coragem de as refutar. E Oscar Wilde é mel de se ler.





Alguns dias são difíceis, mesmo que sejam lindos como este. Dias em que até a minha própria presença me incomoda. Nestes dias só o chocolate - do tipo certo - funciona. Não gelado, não bolo, não tarte. Chocolate. Depois adiciono ao cenário uma chávena de lúcia-lima, pasmo-me a olhar para as ervas aromáticas na minha varanda, como se os novos rebentos fossem despontar da terra a qualquer momento, ouço isto, leio até que me canse e, por fim, trabalho.



Depois sopa, pão com manteiga e home cinema no seu melhor.
Dormir, passar para outra, acordar e refrescar, ou como quem diz, correr. Depois ir para a nossa inauguração e celebrar.

P.S. Apesar de tudo, consigo ouvir sem qualquer efeito nocivo músicas carregadas de memórias de tempos que ainda agora estavam a ser, prontinhas para despertar em mim o instinto depressivo que tem estado adormecido com muito empenho meu. Bom sinal Catarina, bom sinal. Afinal, é a isso que se chama cura.

a ouvir: Breathe Me - Sia


UPDATE: Meu Deus, o micro-ondas avariou-se.

6.9.12

you know I don't usually do this.


Não sou fã de cheesecake, mas este é o melhor do mundo (o B e H manhoso stands for Block House,  e só não fotografei o belo bife e a batata assada com sour cream porque a vontade de atacar foi mais forte. Deal with it.)




E outra coisa.




Se calhar é melhor salvaguardar que também não sou fã. De todo. De nenhum deles. A sério. Foi só mesmo pela brincadeira. 

Se calhar é melhor contextualizar: Licenciatura em Design de Comunicação - done.

a ouvir: Esta vida de marinheiro (está a dar cabo de mim, raparaparaparaparaparapari!) - Sitiados (M80 às 21h)



9.8.12

Pontos altos de um dia baixo


Muesli simples com iogurte e damascos.



Isto, deitar-me na relva da Gulbenkian, e esta frase, para justificar o porquê de ir para a cama às 22h.



Finish each day and be done with it. You have done what you could. Some blunders and absurdities no doubt crept in; forget them as soon as you can. Tomorrow is a new day; begin it well and serenely and with too high a spirit to be encumbered with your old nonsense.

Ralph Waldo Emerson


Mais das minha "polpa "aqui.



a ouvir: Owner of a Lonely Heart - Grizzly Bear

15.6.12

A falta das palavras ou da sua coerência

"Honestamente, a coisa deixou-me um bocado angustiado. Não conseguia entender se o objectivo da carta era reclamar, confessar, fazer uma espécie de declaração ou defender uma tese."

Haruki Murakami, O Elefante evapora-se


É a história da minha vida. Há sempre alguma coisa que quero dizer mas que se assemelha a uma matéria amorfa, a rebentar de sentidos mas sem propósitos. Há sempre alguma coisa mesmo que as palavras não sejam minhas. Mas digo-as de qualquer maneira na esperança de as conseguir compreender aos poucos, procurando reunir numa só toda matéria amorfa que as compõe, as minhas e as dos outros. Como uma polpa.
Na maior parte das vezes a matéria não chega aqui ou porque não lhe consigo dar forma ou porque, afinal de contas, este é um caderno sobre comida e tudo o que aqui está é o meu manifesto sobre ela e o que acontece é que tudo o resto não pertence aqui.

Há dois dias ia escrever algo sobre a culpa, passando pela indignação e antes que me apercebesse já tinha outro sobre o metafísico e não sabia bem o que queria dizer com cada um deles. E quando se perde alguém a coisa piora.


A avó Missas.
Inicialmente não pus aqui a foto, mas é tão bonita que seria crime não o fazer.

Assim como assim

Tanto ruído no interior deste silêncio: são as vozes dos outros a falarem em mim, pessoas de quem gostei, pessoas que perdi, gente que tenho ainda. Não me parece que herdei muito dos meus pais, dos meus avós, algumas coisas mais ou menos superficiais mas lá no fundo nada. Princípios, claro. Regras. O resto, quase tudo, fiz sempre sozinho. Estive sozinho nos momentos mais difíceis da minha vida, que sofri na carne como um cão: aquilo que, destilado, aparece nos livros, que são o itinerário da aprendizagem da dor, a certeza da vida redimir a morte, da necessidade da alegria, da serenidade conquistada a pulso. A humilde capacidade de admirar as pessoas, respeitá-las, que tanto tempo levei a conseguir. Olhar nos olhos o que um ano destes não serei. Custa-me a ideia de não escrever, um dia. Do mundo continuar sem mim. De perder corpos, calor: o que ganharei em troca? O meu pai foi-se embora há quatro anos: percebo hoje que existia entre eu e a morte, a defender-me sem saber que me defendia e que a partir de então, quando ela tocar à campainha, é a minha vez de abrir a porta: não quero chegar à maçaneta a tropeçar, quero mostrar-lhe a casa limpa e pronta. Dizer a quem se achar ao meu lado
-Eu já venho
E descer as escadas. Não se incomodem, não se levantem: sou capaz de descer as escadas sem ajuda até vários palmos abaixo da terra. Espero que haja sol nesse dia, um arrepio alegre nas árvores. Não se incomodem que já venho. Sentir-me-ão nos objectos, deixarão de sentir-me a pouco e pouco à medida que a saudade se atenua. Continuarei aqui atrás dos meus livros, na altura em que ninguém meu conhecido sobrar. Ficam retratos, claro, reflexos pálidos do que fui. Depois nem sequer os retratos, um nome apenas- Páginas e páginas que não imaginarão o que me custaram, a luta permanente, a dificuldade em limpá-las. Tem de passar-se as passas do Algarve para dar prazer ao leitor. Espero que Deus me conceda acabar três ou quatro textos, deixá-los prontos para que outros construam por cima, como eu construí por cima dos que me precederam. Se alguma dignidade de homem tenho deu-me a Arte. Hipócrates: a Arte é longa, a Vida breve, a Experiência enganadora e o Juízo difícil. O meu pai tinha isto num rectângulo de papel, no seu gabinete do hospital. A Arte é longa, a Vida é breve. Se te sentes desfalecer pega na tua própria mão para ganhares coragem. Talvez dê resultado. Tentaste. É noite agora, corri as cortinas, estou sozinho. Faltam-me os meus amigos, falta-me o mar. Estantes cheias de lombadas, esta mesa. A esferográfica que lá vai andando aos tropeções. Os cigarros são a água com que empurro a comida das frases. Gostava de deixar de fumar, uma escravidão estúpida. Eis-me sozinho rodeado de vozes. Ninguém me pode ajudar a fazer isto. Se cair do trapézio a responsabilidade é minha e o aleijar das costas também. Conseguirei agarrar o próximo, falharei? Não me interessa narrar histórias, contento-me em abrir o coração. A minha mãe fez noventa anos em dezembro: limita-se a esperar numa cadeira. No que me respeita não vou esperar numa cadeira: a mão desenhará letras até ao fim. Esta não é uma crónica melancólica: é a obstinação do ofício que pratico desde que me conheço, afastando sempre o que o estorvava. Pagam-me para fazer o que faria se qualquer maneira portanto sou uma criatura feliz.
Na altura em que a morte, de que falei há bocado, chegar, já a venci. Amanhã na batalha pensa em mim: um título do meu amigo Javier Marías. Hoje na batalha penso em vocês, não deixo de pensar em vocês. Somos tantos, cada um de nós é tantos.


António Lobo Antunes, Quarto Livro de Crónicas

21.5.12

um dia que são dias











Barcelona, Abril 2012



Ás vezes apetece desistir. Mais vezes do que gosto de admitir. Aspirar à mediocridade, alimentar
a mediania. Desculpem-me o abuso quase obsessivo de palavras do dicionário.
Estou confusa e zangada. Valham-me os livros, que desta nem a comida.


"Este livro parece vindo da possessão. Como se Emily Brontë se sentasse no tripé da sibila e a sua boca fosse rasgada a ponto de sangrar, tão bruta era a passagem da palavra."

Prefácio de Hélia Correia em Wuthering Heights

23.4.12

nova casa

E assim, nada mais nada menos que 100 posts depois, mudo de casa. Para uma maior, mais fresca, mais aberta para vocês e mais minha. Decorada aos bocadinhos, com atenção a todos os pormenores.
Apesar de sentir que de certa forma estou a começar de novo, sei que rapidamente passarão mais 100 posts de coisas boas para contar, com uma boa receita a acompanhar.

Espero que gostem,
Bem-vindos.



Chiffon de chocolate com ganache que levei há uma semana para a faculdade.
Fica aqui como sinal de afecto, se pudesse partilhava com vocês.