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11.4.13

Couves e pragmatismos - take #1


No sábado foi assim. Pouco me resta dizer a não ser um grande Obrigada. Mal posso esperar por mais.

No Sábado estarei pelo Príncipe Real, distribuíndo cartões e eventualmente umas amostras.


~


Como disse, para mim os últimos tempos não estão para ser pensados. Apenas para ser feitos, devendo-se isso à rentabilidade das horas dos dias e à necessidade de manutenção de algum método e qualidade nas pequenas coisas, que afinal de contas, acabam por ser quase todas, ou como dizia Miguel Torga, pequenos nadas.

Já é ditado popular que em tempos de aperto é quando a mente mais cria. Por aqui, o meu cérebro é como uma máquina que pretende optimizar a sua produção, não em quantidade, mas numa lógica de qualidade, desenvolvendo mecanismos próprios para eliminar o excedente e rentabilizar o restante para que tudo funcione na sua melhor condição, só ou acompanhado. A isso, por fim, alia-se o crescimento de uma consciência maior, mais crítica, exigente e mais clara da sua função sobre as minhas decisões.

Tempos de pragmatismo.

Sinto-me poeta e inspirada. Sinto-me com ganas de fazer uma revolução (a minha). Sinto-me com o combustível cheio, pronta a dar tudo de mim a quem o pedir e merecer.

Vontade de ofegar, correr, cansar e sentir o mar e a maresia. E o cheiro da Terra.
Estou sedenta para o que há-de vir.

Apesar de estar com uma constipação absolutamente miserável.


Comidas rápidas, assim. Com pouco se faz tanto.

Esta coisa é tão simples e tão boa e tão simples e tão boa.
Os sabores fortes da couve e do gruyère combinam na perfeição com a doçura da manjerona e com a suavidade e cremosidade do ovo, que envolve tudo. O couscous é perfeito para absorver os sabores do salteado. A mistura de pimentas, ao contrário da pimenta preta, dá um aroma mais perfumado ao prato que me agrada imenso. E já mencionei que o gruyère combina na perfeição? Não é neutro que mal se note o sabor, nem demasiado forte que se sobreponha a tudo, nem demasiado salgado. E faz-se tudo em  10 minutos.



Couscous com couves-de-sabóia-de-olhos-repolhudos (aka -de-bruxelas, incrível o que se aprende no dicionário) e gruyère
Abaixo explico como escalfar o ovo na panela, mas na verdade, como trouxe isto para o trabalho fervi água na chaleira eléctrica, botei numa tigela e completei o resto do processo. É meio tosco, mas funciona. :)
Eu adore nozes, e só não adicionei aqui porque não calhou. Da próxima vou também experimentar substituir o queijo e a manjerona por za'atar e um queijo de cabra fresco ou halloumi.

60g de couscous
1 c.sopa de azeite
1/2 cebola, laminada
15g de gruyère fresco, ralado
1 ovo
1 c.chá de manjerona fresca, picada
1/2 c.chá de sal grosso
1/3 c.chá de mistura de pimentas, moída de fresco
12 pequenas couves-de-sabóia-de-olhos-repolhudos, cortadas ao meio
azeite, flor de sal, pimenta e manjerona, para finalizar

Cozinhar o couscous conforme as indicações da embalagem. Reservar.
Aquecer bem o azeite numa pequena frigideira em lume alto. Adicionar as couves e a cebola, sal, pimenta e metade da manjerona.
Saltear em lume forte até começarem a ganhar uma boa cor e apagar o lume.
Entretanto escalfar o ovo. Colocar uma panela de água a ferver, sem borbulhar, adicionar uma colher de vinagre, fazer um remoinho com uma colher e adicionar o ovo cuidadosamente. Deixar cozer durante 2-3 minutos, dependendo do tamanho do ovo, retirar com uma espátula e colocar sobre papel absorvente para tirar a maioria da água.
Colocar o couscous num prato, e o salteado das couves sobre o couscous.
Finalizar com o ovo por cima, o queijo, um fio de azeite, uma pedras de flor de sal e um pouco mais de pimenta sobre o ovo e o resto da manjerona. Servir quente.

serve 1


a ouvir: Ffunny Ffriends - Unknown Mortal Orchestra


21.11.12

Na merenda vai a emenda para qualquer tormenta, disse eu

Passaram aproximadamente 90 semanas de almoços na faculdade e dois anos deste manifesto e nunca esta receita veio aqui parar. Não por falta de oportunidades. Aliás, sempre que a altura se proporcionava a minha linha de pensamento foi na linha do "para quê fazer agora quando o posso fazer mais tarde, noutro dia, numa outra história, noutro contexto? Contextos não faltarão com certeza...!" E não faltaram, efectivamente.

Três anos se passaram e este foi um dos almoços mais repetidos.
Na merenda vai a emenda para qualquer tormenta - assim mandei escrever no meu epitáfio académico. Saber que depois de três horas por vezes longas de mais tinha algo à minha espera.
Por vezes novo, por vezes velho, mas sempre entusiasmante e acima de tudo, sempre eficaz: complementando um dia bom ou medicando um a precisar de algum incentivo.
A história deste couscous são todas as histórias que lhe pertencem e a que pertenceu. Três anos (and counting!) absolutamente recheados de histórias.
Agora a receita de sempre, ligeiramente melhorada, numa "faculdade" diferente.

























Couscous de cominhos, gengibre e açafrão com vegetais assados e passas

Este simples prato dá largas à imaginação para adicionar, tirar, adaptar, juntar de 1001 maneiras possíveis. Com ou sem coentros, com ou sem frutos secos, um pedaço de limão em conserva bem picadinho, uma colherada de iogurte grego mesmo no fim, um pedaço de frango desfiado, uma maçã aos cubos adicionada aos vegetais no forno e talvez uma pitada de canela. Vão sentindo o que vos apetece e jogando com isso. Go for your heart and eat with your soul. ;)

700g de abóbora, aos pedaços de 1-2cm
2 cebolas médias, picadas
4 cenouras fatiadas com cerca de 0.5cm de espessura
2 courgettes médias, em rodelas de 1cm aproximadamente
2 c.chá de sal grosso
1 c.chá de pimente preta fresca
2 c.sopa de azeite
1 1/2 cháv. de couscous
1 cubo de caldo de vegetais
2 c.chá de cominhos
1 c.chá de gengibre em pó
3 c.chá de curcuma / açafrão-das-índias
60g de passas
1 cháv. de pinhões ou nozes tostadas, grosseiramente picadas (opcional)
1 molho de coentros e cebolinho, picados

Pré-aquecer o forno a 190ºC.
Preparar os vegetais e colocar todos num tabuleiro de forno e temperar com o sal, a pimenta e o azeite.
Levar ao forno cerca de 30 minutos, ou até os vegetais estarem cozinhados e bem assados, o que deverá depender do tamanho dos pedaços, envolvendo uma vez durante esse tempo.
Colocar o couscous e as especiarias numa tigela e ferver 1 1/2 cháv. de água com o cubo de caldo de galinha. Quando ferver, colocar sobre o couscous e tapar bem com uma tampa ou película aderente durante 5-7 minutos. Retirar a tampa e soltar bem com um garfo.
Juntar os couscous aos vegetais, adicionar as passas, as nozes ou pinhões e os coentros e cebolinho picado.
Servir de imediato ou servir frio, adicionando as ervas frescas apenas na altura de comer.

serve 4


a ouvir: The Motherlode // Mahogany Session - The Staves

10.11.12

Mimos do Poial - o poblano negro




































Já no fim de um longo encontro repleto de novidades - novas pessoas, novos caminhos, novos sabores e imensas descobertas, de mimos na mão e prestes a ir embora, infiltro-me na conversa entre alguém falar com Lorena, mexicana de yema - e com uma outra pequena a germinar na barriga - sobre o que fazer com todos aqueles poblanos, jalapeños, malaguetas, e et caeteras de pimentos oferecidos, nomeadamente aquele negro, de formato semelhante ao pimento doce italiano mas mais pequeno e de ar um tanto intimidante.

Ao contrário de alguns improvisos em que não me consigo libertar das combinações de sabores estandardizadas pelas culturas gastronómicas e pela sabedoria popular, as palavras poblano e pêssego suscitaram em mim meia-dúzia de sabores que eu soube que iriam funcionar.

Informação retida e processada a invulgar inspiração, da sugestão inicial muito pouco ficou. Os pêssegos transformaram-se em alperces secos, a carne substituí somente por couscous e pinhões tostados e todas as especiarias, ervas e pequenos acrescentos surgiram da intuição. A confecção foi ao sabor do vento e, ainda que um pouco atabalhoada, acabou por correr tudo muito bem.



No final, faltou eventualmente uma simples salada fresca a acompanhar para amenizar a quantidade insensata de malagueta que utilizei. A minha falta de tacto e experiência em certas circunstância levam-me a cometer alguns erros como o mencionado anterior e a ligeira secura que ficou à superfície do couscous. Apesar disso, a textura ligeiramente crocante do couscous não é de menosprezar, porque acaba por contrastar com o interior mais húmido do pimento. Fica um pouco à semelhança do gratinado do arroz de pato. De resto, modéstia à parte, posso dizer seguramente que foi das melhores coisas que já comi.




































Pimento recheado com couscous, alperces secos e pinhões
Se não estiverem numa de usar o forno cortem o pimento às tiras e coloquem na frigideira a saltear ao mesmo tempo da chalota e dos alperces. Se estiverem numa de juntar carne, by all means. Se forem quiserem juntem queijo. The sky (ou o que tiverem na despensa) is the limit!

1 pimento jalapeño (um pimento doce regular serve perfeitamente, embora não seja picante), dividido em dois longitudinalmente, sem sementes
2 c.chá de azeite
cerca de 1/2 c.café de canela
1 c.café de cominhos
1 c.café de pimenta da jamaica
1/4 malagueta, finamente picada e sem sementes
20g de alperces secos, picados grosseiramente
3g de pinhões, ou mais ao vosso gosto
1 chalota, às rodelas finas
45g de couscous + a mesma quantidade em volume de água, ou a mesma quantidade de arroz + o dobro do volume em água
1 c.chá cheia de hortelã picada
2 c.chá de alecrim, picado
sal q.b
1/8 de limão em conserva, fatiado finamente
1/2 queijo fresco ou parmesão fresco ralado a gosto, opcional

Pré-aquecer o forno a 200ºC. Colocar as metades do pimento numa travessa de forno e reservar.
Aquecer o azeite na frigideira com as especiarias e a malagueta até começarem a libertar aroma, cerca de dois minutos a lume baixo.
Aumentar ligeiramente o lume e juntar os alperces, os pinhões e a chalota e saltear até os pinhões ganharem um tom dourado, cerca de 5 minutos.
Adicionar o couscous, as ervas e o limão em conserva, mexendo constantemente até o couscous começar a ganhar cor e o limão a caramelizar ligeiramente.
Adicionar a água, tapar e deixar o coscous cozer completamente a lume baixo, adicionando mais água se começar a secar muito cedo. Provar e rectificar com sal se for necessário.
Retirar a mistura do lume e rechear os pimentos completamente, apertando bem para que caiba tudo lá dentro - não há problema se transbordar um pouco. Nesta altura se quiserem coloquem meio queijo fresco fatiado por cima do couscous para que derreta no forno ou polvilhem com parmesão ralado.
Levar ao forno durante 30 minutos ou até o pimento estar bem tenro e começar a chamuscar e o couscous ganhar um tom dourado e tostado.
Servir quente, acompanhado com uma salada fresca simples com um vinagrete de limão e mostarda.


serve 1





















a ouvir: Number 1 - Goldfrapp


30.4.12

Eu, os mercados e uma alface

Muito se passa por aqui. Mais ócio que trabalho, é verdade, mas se assim é então é porque pode ser. Leio de uma enfiada o que precisamente há um ano não me seduzia, preparo o mostruário para o meu futuro, bebo um copo de vinho, solidifico ideias, desfaço outras, vejo filmes, muitos filmes que relembram constantemente que todos andamos simplesmente a fazer o melhor que podemos/conseguimos (se podemos é porque conseguimos e se conseguimos é porque queremos), trabalho um pouco nos intervalos, escrevo para trabalhos que não me parecem como tal, as encomendas vão aumentando, a Amélie é mãe de sete (há que juntar a estes três os que nasceram há dois anos) e lentamente vou vendo resultados da persistência da minha veia activista e potencialmente subversiva. Pode-se dizer que tal veia está ligada à parte do meu cérebro que diz ALIMENTAÇÃO e o que nela flui é metafisicamente (uma vez que se desconhece ainda a origem da nossa alma) estimulado pela CONSCIÊNCIA. E porque, como é costume meu, já estou a divagar, parto para o que interessa: fui ao mercado. Adoro mercados e tenho noção que a minha companhia poderá rapidamente resvalar do aprazível para o (quase) insuportável. Começo por apresentar ligeiros sintomas de DOC a andar sempre para a frente e para trás, de olhos ligeiramente esgazeados, num constante pára-arranca indeciso, com um impulso para cheirar tudo e ainda uma ligeira arritmia procedente da ansiedade que se instala a partir do momento em que caio em mim e percebo que não posso levar tudo. Aliás, Barcelona foi deveras um desafio para o meu coração, para a minha carteira e certamente para os meus queridos companheiros de viagem. Mas isso fica para um próximo texto.
Para preservar o pouco que resta da minha sanidade nessas alturas, chamo a mim o meu auto-controlo e opto pelo tratamento de choque que acaba por tornar a experiência muito mais aprazível e divertida: deixo-me levar pelo momento e escolho três ou quatro coisas que me inspiram de imediato algo para as utilizar. Desta leva escolhi uma raiz de aipo monstruosa para esta sopa que rebenta de aromas e sabores por todos os lados; manjericão e tomates-cereja para um almoço domingueiro e estas maravilhosas folhas de alface-de-cordeiro, que mais tarde vim a descobrir tratarem-se de canónigos "crescidos" para um almoço durante a semana ainda por definir.





















Ao provar uma folha e sentir o seu sabor suave e adocicado soube de imediato onde a iria utilizar. Há um ano atrás fiz uma salada com uma alface linda da terra do meu avô, de folhas vibrantes, pequenas, alongadas e muito onduladas, lembrando folhos de saias e uma espécie de algas marinhas. Esperei pacientemente um ano para quando tivesse a dita novamente nas mãos e voltar a fazer esta salada e fotografá-la, por ser tão bonita. Mas assim que o meu avô a trouxe foi trucidada numa salada rápida ao jantar antes que eu pudesse dizer Ai. Melhor assim. Há males que vem por bem.



Salada de couscous com salmão e beterraba
À falta de melhor adjectivação, esta é uma salada simples, de sabores puros e terrenos. Não há nenhum ingrediente secreto ou um centro das atenções. Todos os elementos se confluem para criar uma harmonia de cores e sabores. Grelhei o salmão porque adoro a sua textura e sabor depois de grelhado, mas pode ser simplesmente escalfado. É preciso ter algum cuidado apenas com os temperos, principalmente o sal. Como o couscous, o salmão e a beterraba são cozinhados separadamente, não há necessidade de acrescentar muito mais, ou talvez mesmo nada, no final. Também gosto de pegar no alho que utilizei na beterraba e esmagá-lo na mistura para libertar o seu aroma delicioso.


120g de couscous
1 filete de salmão
1 beterraba assada
1 molho de alface-de-cordeiro
1 c.sopa de azeite
1/2 c.sopa de vinagre balsâmico
1 pitada de sal
pimenta preta, ou uma mistura delas a gosto

Colocar o couscous num recipiente com uma pitada de sal grosso e um fio de azeite. Cobrir com a mesma quantidade em volume de água a ferver, tapar com uma tampa bem isolada ou película aderente durante 5-8 minutos. Destapar, soltar com um garfo e reservar.
Temperar o filete de salmão com sal e pimenta e grelhar até ficar a gosto, cerca de 6-8 minutos em cada lado, dependendo da grossura do filete. Desfiar e juntar ao couscous.
Cortar a beterraba em pedaços pequenos (cerca de 2cm de grossura) e adicionar ao couscous juntamente com o molho em que esteve envolvida no forno.
Deixar arrefecer um pouco o couscous e o salmão para que não murchem a alface.
Juntar a alface em folhas separadas mas inteiras, envolver tudo para que os temperos se misturem, provar e corrigir o sabor de acordo com aquilo que sentirem que falta.

serve 2


a ouvir: Hyperballad - Björk