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18.12.12

Do melhor.



Não sabia bem que título dar a este texto. A coisa é rápida, simples.
Ponto de situação: uma abóbora-menina enorme a decorar a sala e sem fim em vista. Castanhas numa cesta. Um fim de dia de trabalho, a necessidade de um almoço para o dia seguinte e a pouca disponibilidade (e vontade) de cozinhar.

Duas panelas ao lume e uma travessa no forno. Algum trabalho de faca, outro de dedos, forno e voilá: magia. Maravilha de cheiros a perfumar a cozinha e a pedir para serem comidos na hora, qual canto das sereias, e não no almoço do dia seguinte. Mal sabia eu que aquele intenso aroma, de bater aos pontos qualquer vela de cheiro do Ikea, era apenas o prenúncio de uma experiência muito feliz. O prato salgado mais doce e perfumado que já comi. Do melhor, repito.

Oxalá eu fosse dotada do génio da escrita e do malabarismo das palavras para conseguir dar-vos uma ideia justa do que é esta combinação de sabores. Muitos já a conhecerão, bem sei. Salva e abóbora não é novidade, pois não. Abóbora com castanhas tão pouco. Mas mais dos que já tudo isso sabem, são aqueles que o desconhecem, e é a eles - vocês - que dedico isto.



Abóbora assada com salva, castanhas e arroz integral

Optei por cortar a abóbora bastante fina porque demoraria muito mais tempo a ficar assada no ponto e a caramelizar da maneira que queria e também porque achei que só fazia sentido tê-la em pedaços proporcionais às castanhas. A salva seca na minha opinião funciona tão bem como a fresca e um bocadinho rende bastante. A que utilizei é da marca Sonnentor e comprei no Brio. É a erva da abóbora por excelência, mas se não sabem em que mais utilizá-la, experimentem esfregá-la num lombinho de porco com sal, pimenta e se quiserem um bocadinho de alecrim, estufá-lo em manteiga ou azeite, ou assá-lo no forno, fica uma maravilha. Também vai bem com aves, maçã em pratos salgados ou compotas, ou frita em manteiga e a guarnecer uma pasta ou risotto. É uma erva forte que deve ser cozinhada antes de ser comida, por isso não arrisquem utilizá-la crua como a salsa, coentros, manjericão ou qualquer outra do género.  
O arroz integral tem um sabor inteiramente do arroz branco, por isso não aconselho trocar por arroz normal, além do que sabe melhor e faz mais bem à saúde :)

1kg de abóbora menina
2 dentes de alho grandes, finamente fatiados
2 c.chá de sal
1/2 c.chá de pimenta preta moída fresca
2 c.sopa de azeite
1 c.sopa de vinagre balsâmico
1 c.sopa de salva seca, picada
470g de castanhas com casca ou 400g sem casca
1 1/2 - 2 chávs. (280/370g) de arroz integral
sal q.b

Pré-aquecer o forno a 200ºC com a prateleira em baixo.
Descascar a abóbora e cortá-la em pequenos pedaços com cerca de 3cm e 0.5cm de espessura.
Colocar a abóbora numa travessa de forno larga, de preferência que dê para colocá-la numa só camada. Adicionar o alho, sal, pimenta, azeite, vinagre balsâmico, salva e envolver tudo por igual.
Levar ao forno cerca de 60 minutos, mexendo a meio do tempo, ou até a abóbora estar bem assada, a caramelizar nas bordas e na base da travessa.
Entretanto cozer as castanhas e o arroz. Dar um corte fundo na casca, caso tenham, e cozer em água salgada durante 30 minutos (se forem congeladas provavelmente demoram menos tempo). Aguardar até que arrefecam um pouco e descascá-las. Partam-as ao meio ou deixem inteiras, se preferirem e reservem tapadas.
Colocar o arroz numa panela com o dobro da água a ferver com sal durante 25-30 minutos (o arroz integral demora mais tempo que o branco).
Colocar tudo numa grande travessa de servir, que eventualmente até poderá ser a mesma onde se assou a abóbora, envolver tudo e servir quente.

serve 3 doses generosas


a ouvir: Storm - Django Django

21.11.12

Na merenda vai a emenda para qualquer tormenta, disse eu

Passaram aproximadamente 90 semanas de almoços na faculdade e dois anos deste manifesto e nunca esta receita veio aqui parar. Não por falta de oportunidades. Aliás, sempre que a altura se proporcionava a minha linha de pensamento foi na linha do "para quê fazer agora quando o posso fazer mais tarde, noutro dia, numa outra história, noutro contexto? Contextos não faltarão com certeza...!" E não faltaram, efectivamente.

Três anos se passaram e este foi um dos almoços mais repetidos.
Na merenda vai a emenda para qualquer tormenta - assim mandei escrever no meu epitáfio académico. Saber que depois de três horas por vezes longas de mais tinha algo à minha espera.
Por vezes novo, por vezes velho, mas sempre entusiasmante e acima de tudo, sempre eficaz: complementando um dia bom ou medicando um a precisar de algum incentivo.
A história deste couscous são todas as histórias que lhe pertencem e a que pertenceu. Três anos (and counting!) absolutamente recheados de histórias.
Agora a receita de sempre, ligeiramente melhorada, numa "faculdade" diferente.

























Couscous de cominhos, gengibre e açafrão com vegetais assados e passas

Este simples prato dá largas à imaginação para adicionar, tirar, adaptar, juntar de 1001 maneiras possíveis. Com ou sem coentros, com ou sem frutos secos, um pedaço de limão em conserva bem picadinho, uma colherada de iogurte grego mesmo no fim, um pedaço de frango desfiado, uma maçã aos cubos adicionada aos vegetais no forno e talvez uma pitada de canela. Vão sentindo o que vos apetece e jogando com isso. Go for your heart and eat with your soul. ;)

700g de abóbora, aos pedaços de 1-2cm
2 cebolas médias, picadas
4 cenouras fatiadas com cerca de 0.5cm de espessura
2 courgettes médias, em rodelas de 1cm aproximadamente
2 c.chá de sal grosso
1 c.chá de pimente preta fresca
2 c.sopa de azeite
1 1/2 cháv. de couscous
1 cubo de caldo de vegetais
2 c.chá de cominhos
1 c.chá de gengibre em pó
3 c.chá de curcuma / açafrão-das-índias
60g de passas
1 cháv. de pinhões ou nozes tostadas, grosseiramente picadas (opcional)
1 molho de coentros e cebolinho, picados

Pré-aquecer o forno a 190ºC.
Preparar os vegetais e colocar todos num tabuleiro de forno e temperar com o sal, a pimenta e o azeite.
Levar ao forno cerca de 30 minutos, ou até os vegetais estarem cozinhados e bem assados, o que deverá depender do tamanho dos pedaços, envolvendo uma vez durante esse tempo.
Colocar o couscous e as especiarias numa tigela e ferver 1 1/2 cháv. de água com o cubo de caldo de galinha. Quando ferver, colocar sobre o couscous e tapar bem com uma tampa ou película aderente durante 5-7 minutos. Retirar a tampa e soltar bem com um garfo.
Juntar os couscous aos vegetais, adicionar as passas, as nozes ou pinhões e os coentros e cebolinho picado.
Servir de imediato ou servir frio, adicionando as ervas frescas apenas na altura de comer.

serve 4


a ouvir: The Motherlode // Mahogany Session - The Staves